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Entre obstáculos e resistência, Jornal JÁ atravessa 2025 e projeta retomada em 2026

Na avaliação do editor do veículo, Elmar Bones, a publicação enfrentou o ano mais difícil em mais de uma década de desafios

Elmar Bones definiu 2025 como um ano de sobrevivência. - Crédito: Arquivo pessoal

Em conversa com a reportagem de Coletiva.netElmar Bones, editor do Jornal JÁ, foi direto ao ponto: 2025 foi o ano mais difícil em uma trajetória marcada por obstáculos que o veículo enfrenta há mais de uma década. Ainda assim, o período foi atravessado com resistência, preservação do projeto editorial e a perspectiva de retomada a partir de 2026. Entre disputas judiciais, restrições financeiras e incertezas, a empresa manteve suas atividades e encerrou o ano projetando novos passos.

O principal revés ocorreu em março, com um pedido de falência decorrente de um processo judicial movido por um homem condenado por assassinar a esposa, uma jornalista, em 2014. O crime foi tema de uma reportagem publicada pelo jornal. “Ele foi condenado a mais de 20 anos de cadeia, num dos processos mais rumorosos no Estado. Cumpriu pouco mais de dois anos de reclusão, ganhou liberdade condicional e processou o jornal e o autor por uma reportagem que dá detalhes do bárbaro crime que ele cometeu”, relatou Elmar.

Apesar de o repórter Renan Antunes de Oliveira ter sido absolvido, sem que fossem apontados erros na apuração, o Jornal JÁ acabou condenado à revelia, sob a alegação – que foi contestada – de não ter apresentado manifestação em tempo hábil. “Todos os recursos para que fosse julgado o mérito da ação foram inúteis. O jornal foi condenado a pagar uma indenização por ‘dano moral’ ao criminoso”, acrescentou Elmar. O valor da indenização, atualmente próximo de R$ 100 mil, levou ao bloqueio das contas da empresa e, posteriormente, ao pedido de falência, que segue sendo contestado pelo advogado Marco Tulio De Rose.

A espera continua

Paralelamente, segue em tramitação, há mais de 10 anos, o processo movido pelo Jornal JÁ na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que busca reparação por decisões judiciais consideradas abusivas e descabidas. Em fase final de julgamento, a decisão era prevista ainda para 2025.

Porém, em novembro, Elmar foi informado de que a conclusão deverá se arrastar por mais tempo. “Em função dos cortes no orçamento da CIDH por conta da política de Donald Trump de esvaziar as organizações de defesa dos Direitos Humanos, não há mais previsão para a conclusão do processo”, explicou.

Novidades no horizonte

Diante desse cenário, 2025 foi definido pelo editor como um ano de sobrevivência. O principal projeto realizado foi o livro que marca os 40 anos do ‘Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo’. Além disso, o Jornal JÁ manteve seu noticiário on-line e promoveu diversas atividades alusivas aos seus 40 anos de atuação, completados em 2025. “Aproveitamos para uma série de discussões e reflexões sobre o nosso projeto de um Jornalismo diferenciado, que pretendemos retomar com força neste 2026. Nesse sentido, teremos novidades a partir de março”, adiantou.

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