O espetáculo ‘Sobrevida’, escrito pelo jornalista gaúcho Jaques Machado, estreará mais uma temporada neste sábado, 11, às 20h, no Teatro Municipal de São Leopoldo (Rua Osvaldo Aranha, 934 – bairro Centro). Com o objetivo de levar arte e conscientização aos municípios do Estado onde mais ocorrem casos de HIV, a peça foi idealizada pelo profissional após o diagnóstico positivo para o vírus. Em Porto Alegre, a exibição será em 29 de março, às 20h, no Teatro Renascença (Avenida Érico Veríssimo, 307 – Menino Deus).
Com entrada sempre gratuita, os ingressos estão disponíveis neste link. Haverá ainda exibição em Alvorada, Bagé, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Viamão, em locais e datas ainda a serem confirmados. O projeto combina apresentações com bate-papos entre público, elenco e agentes de saúde de cada local. No enredo, a peça retrata a vida de um ator que, ao revelar seu diagnóstico positivo para HIV, conduz a plateia por um passeio em suas memórias e medos.
Nesse trajeto, revive o conflito de compartilhar a situação de risco com amigos, família e paixões. “Vivo com HIV há 10 anos e só recentemente consegui falar abertamente sobre o tema. Escolhi fazer isso no teatro, para que o assunto possa chegar a mais pessoas de uma forma mais direta”, destaca o autor. Jaques ainda revela que, há alguns anos, um conhecido recebeu o diagnóstico positivo e, “por medo e preconceito”, não realizou o tratamento e morreu dias depois. “Fiquei sabendo que ele tinha passado por isso. Logo pensei: preciso fazer algo, falar mais abertamente sobre o assunto para tentar ajudar outras pessoas”, completa.
Por isso, a peça retrata diversos momentos da vida do jornalista, como falar com amigos, buscar novos relacionamentos e o encontro com a mãe após diagnóstico. O termo “sobrevida”, dito pelo médico no momento da revelação, foi escolhido por denotar a “morte” e o “renascimento” que a personagem passa toda vez que precisa falar sobre o assunto com alguém. “Precisamos respeitar quem decide não revelar, mas também precisamos conversar sem medo para combater o preconceito”, destaca Jaques, que trabalha profissionalmente com teatro desde 2018 como ator e produtor, mas estreia como diretor e dramaturgo.
Processo de criação
A idealização da peça começou em maio de 2021 por meio de leituras dramáticas com os atores. Pensada inicialmente para ser um monólogo, a obra foi adaptada para ser interpretada por Lincoln Camargo e Xandre Martinelli, que vivem a mesma personagem em diferentes momentos, e ainda dão vida a outras figuras importantes do enredo. Atrás das cortinas, ainda conta com a atriz e bailarina Angela Spiazzi, responsável pela direção de movimento e corpo, com Ricardo Vivian na iluminação cênica e Rodrigo Shalako na cenografia.
Em novembro de 2021, o espetáculo foi apresentado no ‘29º Festival Mix Brasil’ e, em 2022, estreou na Capital no ‘Porto Verão Alegre’. Ainda fez temporada na Casa de Cultura Mario Quintana, foi selecionado na ‘6ª Mostra de Artes Cênicas e Música’ do Teatro Glênio Peres e teve apresentações na Sala Álvaro Moreyra. Em 2023, recebeu o ‘Prêmio Olhares da Cena’ de melhor iluminação e voltou a ser encenado no ‘Porto Verão Alegre’.
Ficha técnica
Direção e dramaturgia: Jaques Machado
Desenho de movimento: Angela Spiazzi
Elenco: Lincoln Camargo e Xandre Martinelli
Produção: Jaques Machado Produções Artísticas
Design de luz: Ricardo Vivian
Operação de luz: João Fraga e Edu Kraemer
Operação de som: Luiz Manoel e Manu Goulart
Cenotécnico: Rodrigo Shalako
Fotógrafo: Alessandro Quevedo
Identidade visual: Jaques Machado

