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Gaúcha Ana Mendes inaugura exposição fotográfica em Belém, no Pará

‘Quem é pra ser já nasce’ reúne 24 imagens de mulheres indígenas, quilombolas e camponesas do Maranhão, ameaçadas por suas lutas territoriais

Autorretrato da fotógrafa Ana Mendes - Crédito: Ana Mendes

A fotógrafa e pesquisadora gaúcha Ana Mendes inaugurará na Associação Fotoativa, em Belém, no Pará, a exposição ‘Quem é pra ser já nasce’, projeto fomentado pelo ‘Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia’. Aberta neste sábado, 17, e disponível até 20 de fevereiro, a mostra reúne 24 imagens e colagens em preto e branco, produzidas ao longo de um ano, a partir do encontro com 10 mulheres indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas do Maranhão. Todas elas são lideranças em seus territórios e já receberam ameaças de morte por lutarem pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.

O ensaio também constitui um recorte da pesquisa de doutorado que Ana desenvolve no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA). A origem do projeto está ligada a uma experiência pessoal: após anos de atuação como fotojornalista, documentarista e cientista social no Maranhão, a própria artista passou a ser ameaçada. Diante do risco real, decidiu deslocar o foco da violência para uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”.

As imagens apresentadas são construídas como respostas possíveis a essa questão, a partir do encontro com as mulheres retratadas. “Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma Ana. Em um dos registros, um autorretrato da fotógrafa estabelece um diálogo direto com as narrativas das personagens, funcionando como espelho das lutas compartilhadas por defensoras ambientais, comunicadores e povos tradicionais.

Ancestralidade em foco

O título da mostra é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na Baixada Maranhense, ela viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças. Considerados extintos até 2014, os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral. Para Ana Mendes, a frase sintetiza a continuidade dos saberes e das lutas transmitidas entre gerações, aprendidas “com mães, avós e ancestrais”.

Como parte da programação, a exposição integra a agenda do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa, nesta quinta-feira, 15, às 18h30, no Sesc Ver-o-Peso. Estarão presentes Ana Mendes e Pjih-cre Akroá Gamella, que também integra a equipe do projeto. A curadoria é de Nay Jinknss, fotógrafa, documentarista, educadora social, pesquisadora e ativista LGBTQIAP+.

Ana Mendes

Ana Mendes é natural de Porto Alegre. Fotojornalista e antropóloga, é mestre em Ciências Sociais e doutoranda em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Há oito anos, está radicada na Amazônia brasileira, onde desenvolve projetos multimídia que articulam fotografia, vídeo e texto na interseção entre Jornalismo, Arte e Antropologia, com foco na luta por direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Atua como fotógrafa e videomaker freelancer para a mídia independente e para organizações indígenas e indigenistas, com trabalhos publicados em veículos como The Intercept Brasil, National Geographic Brasil, Mongabay e The Washington Post. Desde 2023, integra a coleção Fonds Photographique Brésilien da Biblioteca Nacional da França (BnF). Com prêmios nacionais e exposições no Brasil e no exterior, lançou, em 2024, o livro ‘Appartenance (Pertencimento)’.

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