Foi publicado no YouTube, recentemente, mais um debate virtual promovido pelos comunicadores veteranos da Nova Coonline. Desta vez, a convidada foi a jornalista Cleidi Pereira, que compartilhou experiências e reflexões sobre quando produziu seu livro intitulado ‘Confissões de um torturador – a última entrevista do coronel Ustra’.
O bate-papo, conduzido pelo jornalista José Antonio Vieira da Cunha via Zoom, abordou a importância da memória histórica, os efeitos da censura e o papel do Jornalismo na preservação dos direitos humanos e da democracia. Contou-se com a participação dos históricos profissionais da imprensa gaúcha: Alexandre Bath, Elmar Bones, Eugênio Bortolon, Flávio Dutra, Fraga, Geraldo Hasse, Ivanir Bortot, Jorge Polydoro, Márcio Pinheiro, Marcos Martinelli, Nubia Silveira e Regina Vasquez.
Cleidi destacou que, apesar do trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), ainda existem desafios para dar visibilidade às histórias silenciadas e promover uma compreensão mais ampla sobre os impactos da repressão. “Dar visibilidade aos relatos é uma forma de resistência”, afirmou.
Resgate da memória e luta contra o esquecimento
Um dos temas centrais da conversa foi a importância de resgatar histórias silenciadas pelo regime militar e enfrentar as tentativas de apagar ou distorcer o passado. Cleidi disse que “a preservação da memória histórica é fundamental para compreender os impactos da ditadura na sociedade brasileira”.
A jornalista alertou, ainda, para os riscos do esquecimento e do revisionismo histórico. “O trabalho de memória é contínuo e deve ser fortalecido para que novas gerações compreendam a importância da liberdade de expressão”, afirmou. Para ela, resgatar narrativas apagadas é essencial para a construção de uma sociedade mais consciente e democrática.
Apuração, escuta e compromisso com a verdade
A necessidade de sempre prezar por uma apuração rigorosa e de uma escuta atenta às vítimas da repressão foi enfatizada ao longo da entrevista. Cleidi reforçou que “registrar essas histórias é garantir que as feridas abertas pela violência de Estado não sejam ignoradas ou relativizadas”.
Ela destacou, também, que o Jornalismo precisa ir além da simples reprodução de fatos, buscando compreender os contextos históricos e dar voz a quem foi silenciado. Para Cleidi, “o compromisso com a verdade histórica é parte inseparável da prática jornalística responsável”.
Reflexões para o futuro
O encontro, de modo geral, suscitou reflexões sobre o papel atual do Jornalismo diante das ameaças à memória democrática. Para Cleidi, defender a memória sobre o período da ditadura é uma tarefa permanente, que exige coragem para enfrentar as pressões políticas e sociais.
Ao final da conversa, reforçou-se a ideia de que preservar a memória sobre o regime é fundamental para fortalecer a democracia, assegurar a liberdade de expressão e manter o respeito aos direitos humanos no Brasil.
Confira o papo completo:

