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MJDH e ARI promovem painel que rememorará cinco décadas da ditadura argentina

Encontro acontecerá em Porto Alegre com o objetivo de fomentar debates sobre Memória, Justiça e Direitos Humanos

Debate terá a participação do filósofo Alfredo Culleton e do jornalista argentino Gustavo Veiga. Crédito: Divulgação

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) realizarão nesta segunda-feira, 2, o painel ‘Argentina: 50 anos de uma ditadura cruel’. A ocasião será no salão nobre da sede da entidade (Avenida Borges de Medeiros, nº 915, 8º andar, Bairro Centro Histórico), em Porto Alegre. A atividade reunirá o filósofo Alfredo Culleton e o jornalista Gustavo Veiga, com o intuito de marcar as vésperas das cinco décadas do golpe militar de 24 março de 1976, que deflagrou o regime militar argentino.

A proposta é promover um debate público sobre Memória, Justiça e Direitos Humanos. O encontro ocorrerá na semana em que se aproxima a data que rememora o início da ruptura institucional no país vizinho. As organizações convidam profissionais da Comunicação, estudantes e público interessado a participar do encontro. A entrada é aberta e gratuita.

Contexto histórico

Em 24 de março de 1976, a Junta Militar, liderada pelo então tenente-general Jorge Rafael Videla, assumiu o poder após prender a presidente María Estela Martínez de Perón. Com apoio de integrantes das Forças Armadas, o regime instaurou um governo autoritário que permaneceu até 1983. O período foi marcado por repressão política e suspensão de garantias constitucionais

Estimativas apontam que cerca de 30 mil pessoas tenham sido torturadas, exiladas ou mortas durante aqueles anos. A ditadura argentina também integrou a articulação regional conhecida como ‘Operação Condor’, com colaboração entre governos sul-americanos. O trabalho de identificação das vítimas segue em andamento por equipes especializadas.

Em setembro do ano passado, a ‘Equipe Argentina de Antropologia Forense’ identificou as impressões digitais do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior. Ele desapareceu há quase 50 anos em Buenos Aires enquanto acompanhava os artistas, também do Brasil, Toquinho e Vinícius de Moraes em uma apresentação.

Os militares deixaram o poder em 1983 e, em 1985, líderes da Junta foram julgados e condenados por crimes contra a humanidade. Jorge Rafael Videla e Emilio Eduardo Massera receberam prisão perpétua em um processo considerado marco na América Latina. Os julgamentos consolidaram uma nova etapa institucional sob governo civil na região.

Sobre os painelistas

Alfredo Culleton nasceu em Buenos Aires, é doutor em Filosofia e professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Também atua como pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e desenvolve estudos nas áreas de Filosofia, Direito e Psicanálise.

Já Gustavo Veiga é um jornalista argentino, escreve no diário ‘Página 12’ e no portal ‘Derribando Muros’, além de lecionar na Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidade Nacional de La Plata (UNLP). Em dezembro de 2024, recebeu o primeiro prêmio ‘Direitos Humanos de Jornalismo’ no Brasil por uma reportagem que produziu sobre o governo argentino.

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