Foi inaugurada uma nova fase na agência Lupa, que ampliou a cobertura de notícias falsas para além das tradicionais checagens de fatos. De acordo com a CEO Natália Leal, que conversou exclusivamente com a reportagem de Coletiva.net, agora, o veículo tratará o tema como uma editoria e será “um polo de informação sobre a desinformação”.
“A gente muda o conceito de apenas indicar se alguma coisa é falsa ou verdadeira, para falar da desinformação como um tópico, um assunto”, explicou. Para ela, atualmente, “não se pode mais falar de notícias inverdadeiras sem desconsiderar o impacto delas na sociedade”. A mudança surgiu a partir da identificação de uma “sofisticação” do processo de criação de informações não fidedignas. “Hoje, é muito mais difícil a gente indicar, de forma categórica, o que é falso ou verdadeiro”, contextualizou.
A partir disso, a agência lançou mão de outras técnicas, além da checagem de fatos, para colocar o tema em discussão. Assim, o veículo intensifica a produção de outros conteúdos como análises, artigos de opinião, reportagens, e entrevistas com atores centrais da questão.
Reportagem
Neste novo momento, a Lupa terá repórteres em diferentes regiões do Brasil, que publicarão furos de reportagem, entrevistas de fôlego e análises de tópicos ligados à luta contra a desinformação. A empresa acompanhará ministérios, comissões parlamentares e decisões judiciais. Mesmo com profissionais no Rio Grande do Sul, Natália esclareceu que a ação não se trata de uma cobertura ao Estado e, sim, “de trazer um olhar regional para pautas nacionais”.
Além disso, neste momento, não se falará sobre as especificidades da desinformação de cada lugar. Contudo, a CEO ponderou que isso não significa que a Lupa não pretenda expandir para outros locais. Mas, essa movimentação só acontecerá quando os “mercados se tornarem propícios”. Nesse contexto se encontra o Rio Grande do Sul, já que, para a profissional, as peculiaridades do Jornalismo gaúcho dificultam a chegada de empresas nacionais, além da identificação que as marcas têm com a forma com que se conduz a profissão na região.

