Panorama

Pesquisa do Sistema Fiergs indica recuperação parcial da produção industrial

Levantamento demonstra que a produção do Rio Grande do Sul voltou a crescer em março

O índice avançou para 53,1 pontos, o que indica recuperação parcial da atividade produtiva. - Crédito: Divulgação

A produção da indústria do Rio Grande do Sul voltou a crescer em março, após quatro meses consecutivos de queda. O índice avançou para 53,1 pontos, o que indica recuperação parcial da atividade produtiva, de acordo com a pesquisa Sondagem Industrial do RS, divulgada nesta quarta-feira, 29, pelo Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).

Para o presidente do Sistema, Claudio Bier, a recuperação reflete a resiliência do empresário. “Mesmo diante das condições da economia brasileira e do cenário internacional, o industrial gaúcho aposta no estado. Prova disso é que a intenção de investir apresentou leve alta este mês”, afirma. 

Neste contexto, os principais entraves para o desenvolvimento do setor produtivo, citados pelos entrevistados no primeiro trimestre de 2026, são as elevadas taxas de juros, apontadas por 40,4% das empresas, a demanda interna insuficiente, aparecendo em 38,2% das respostas, e a elevada carga tributária, mencionada por 30,9% das indústrias.

Resultados

Outro problema apontado pelas indústrias foi a falta ou o alto custo da matéria-prima, que cresceu 14,5 pontos percentuais em relação ao último trimestre de 2025, aparecendo em 25% das respostas. Essa é a maior alta nos preços das matérias-primas desde o primeiro trimestre de 2022, quando se manifestaram os primeiros reflexos do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. “Agora, os conflitos no Oriente Médio novamente influenciam direta ou indiretamente os preços dos insumos, elevando o custo de produção das empresas”, acrescenta Bier.

O levantamento também aponta que o índice de número de empregados permaneceu abaixo da linha de 50 pontos pelo décimo mês consecutivo, atingindo 49 em março, o que indica queda no emprego. Enquanto a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu para 68%, mas ainda está abaixo da média histórica. O indicador de estoques, por sua vez, atingiu 52,1 pontos, sinalizando volumes acima do nível desejado pelas empresas.

Em abril, as expectativas de demanda, emprego e compras de matérias-primas recuaram em relação a março, enquanto as exportações avançaram. O indicador de demanda caiu 1,5 ponto, para 50,6, permanecendo acima da linha de 50 pontos, o que sinaliza perspectivas levemente otimistas para os próximos seis meses. Enquanto o emprego recuou de 49,8 para 47,8 pontos, e as compras de matérias-primas caíram 2,2 pontos, de 51,5 para 49,3, passando do campo otimista para o pessimista. As exportações avançaram 0,5 ponto, para 49,6, mas seguem abaixo de 50, o que indica projeção de recuo.

O índice de intenção de investir avançou 0,7 ponto em abril, passando de 51,1 para 51,8 pontos. Apesar da alta, o indicador permanece ligeiramente abaixo da média histórica de 52 pontos. No mês, 53,7% dos empresários industriais afirmaram que pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses, percentual 1,7 ponto percentual superior ao registrado em março de 2026. A pesquisa foi realizada com 136 empresas, sendo 33 pequenas, 41 médias e 62 grandes, entre os dias 1º e 13 de abril.

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