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Roberto Brauner: A volta do narrador de todos os esportes

Depois de futebol, Fórmula 1, vôlei, tênis e basquete, o comunicador encara agora o desafio de fazer jornalismo

Já na infância, Roberto Brauner era ligado ao rádio, quando escutava o aparelho movido a bateria do seu pai, para acompanhar as transmissões esportivas. Hoje, aos 57 anos, o comunicador acumula participação em oito Copas do Mundo, além de passagens pelas rádios Universidade, Pelotense, Tupanci, Cultura e Gaúcha, e pela televisão, na RBS TV, Rede Pampa e Band. Além do futebol, já narrou basquete, vôlei, tênis e Fórmula 1. Não é à toa que, na época em que trabalhava na Rádio Gaúcha, fez história, ao ser considerado o “narrador de todos os esportes”. Brauner foi o pioneiro, no Estado, a narrar outras modalidades de jogos, além de futebol. De 2000 a 2002, foi eleito o “melhor narrador” do Prêmio Press. Também recebeu a Bola de Ouro, prêmio nacional, em 2006 e 2007, entre outros destaques: “O rádio faz parte da minha vida”, simplifica.

Antes disso, o apaixonado por rádio e esportes chegou a querer ser músico. “Eu queria ser cantor, e cheguei a integrar um conjunto em Pelotas, “Os Santos”, que depois passou a se chamar “San Remo”. Sempre que o Roberto Carlos lançava um disco novo, eu cantava as músicas dele…”, conta Carlos Roberto de Freitas Brauner, nascido em Pelotas em 7 de novembro de 1951. O grupo fazia shows na região mas como, na época, o comunicador já atuava em rádio, não foi possível conciliar as duas coisas.

Sonhos concretizados e novos desafios

“Em 1991, fiz a narração de Ayrton Senna tricampeão do mundo, ao vivo, no Japão. Sempre sonhei em fazer um piloto brasileiro ganhando um mundial”, afirma Brauner, citando as coberturas que lhe deram mais satisfação. Outros episódios marcantes para o comunicador foram o pentacampeonato da Seleção Brasileira, em 2002, e a conquista do campeonato brasileiro pelo Flamengo, em 1980. “Foi um recorde que eu bati na Gaúcha, na época. Porque, num sábado à tarde, eu fiz Seleção Gaúcha e Seleção do Paraná. No domingo de manhã, eu estava no Parque Antártica fazendo Palmeiras e Internacional, pela Taça São Paulo, e domingo à tarde eu estava no Maracanã, no Rio, fazendo Atlético Mineiro contra o Flamengo, com 160 mil pessoas”, relembra.

Sobre realização pessoal, Brauner é contundente: “Sou realizado porque, em todos os esportes que eu fiz, até agora, eu consegui trazer títulos fazendo transmissões ao vivo, como em 2002, na Copa da Coréia e Japão”. Hoje, apesar dos 40 anos de experiência, Brauner assume uma nova proposta. Desde o início deste mês, ele apresenta o programa Grande Poa, na Band AM 640. “Está sendo um desafio fazer jornalismo”, exclama, demonstrando grande motivação. O comunicador também faz comentários esportivos nas três edições Bandnews FM 99,3 e ainda anuncia alguns projetos da emissora para a sua chegada: “Vou fazer grandes eventos na BandNews, acompanhar de perto esportes diferenciados como tênis, golfe e hipismo. Mas o meu sonho é voltar a narrar bola”, exclama, mesmo reconhecendo que a atividade acaba sacrificando a família nos finais de semana.

“Mas eu gosto de fazer isso. Eu gosto de viajar, de narrar. Eu gosto de fazer parte do ambiente, ouvir as pessoas, seja no esporte, na notícia ou na música”, comenta, comemorando o recente retorno ao rádio, na Band, mesmo depois de se ter aposentado em 2005. A esposa, Marion, que desde muito cedo acompanha a trajetória de Brauner, reivindica dedicação. Eles são casados há 33 anos e, quando se conheceram, ele tinha 18 e ela 14. O casal tem três filhos: Michael, 31, administrador de empresa, que mora em São Paulo; Melissa, 30, formanda em Administração; e Márcio, 23, também administrador de empresa.

Preferências pessoais

Como não poderia ser diferente, Brauner tem mais de 25 rádios de bolso, todos em funcionamento. Só na bolsa de trabalho, ele carrega uns dez, e todas as peças da casa também têm um aparelho, cada um deles sintonizado numa estação diferente. Sempre que viaja e encontra uma loja que vende rádios, não resiste e acaba adquirindo um diferente ou até mesmo igual. Os filhos, colorados fanáticos, contam com o pai para se equipar antes de sair para o estádio: “Eles nao têm rádio, é uma “esculhambação”. Aí eu arrumo rádio, coloco pilha…” Por vezes, o aparelho acaba não voltando às mãos do proprietário.

Entre os esportes, fora o futebol, gosta muito de Fórmula 1, Fórmula Indy, basquete, vôlei e futsal. Brauner garante não ter preferência em relação a nenhum dos times da dupla Grenal. “Depois que tu te entrosas no meio, acabas esquecendo as cores clubísticas”, afirma o comunicador que, na infância, era torcedor do Esporte Clube Pelotas. “Porto Alegre ainda é uma província em se tratando de futebol. Se tu disseres que és gremista ou colorado, tu tens dificuldade para entrar no outro clube, te tratam mal, as pessoas te olham atravessado, porque o futebol é impressionante, o cara que é um médico conceituado, um advogado, as pessoas mudam completamente quando estão no campo de futebol”, avalia Brauner, que atribui este comportamento ao estresse do dia-a-dia. 

Nas horas vagas, o comunicador não dispensa fazer um passeio pelo Brique da Redenção e viajar a Gramado, Pelotas e São Paulo, onde mora o filho mais velho. Para escutar, aprecia música popular brasileira e música internacional, como Whitney Houston. Também gosta de assistir a um bom filme de ficção, em geral, em DVD. Em casa, tem mais de 500 títulos.

Paixões: rádio e esporte

“Aos 11 anos, eu organizava os torneios de jogos de botão e narrava. Preferia narrar do que jogar… às vezes, molhava o campo pra dizer que estava chovendo…”, conta. Ainda adolescente, narrou um jogo de departamentos para a extinta loja Mesbla, em Pelotas. “Eu imitava o Ranzolin descaradamente”, diverte-se, relembrando seu ídolo na infância. Assim, em 1969, obteve uma vaga na Rádio Universidade. Depois, passou pelas rádios Pelotense, Tupanci e Cultura. Atuou em praticamente todas as emissoras de rádio de Pelotas, sempre na área do esporte. Mas chegou a fazer programas musicais com participação dos ouvintes ao vivo na AM, já que, naquela época, ainda não existia a FM. Em 1976, foi convidado a trabalhar na RBS TV Pelotas, antiga TV Tuiuti.

Passaram-se dois anos e, em 1978, Brauner veio para Porto Alegre. Trazido por Mendes Ribeiro, foi contratado pela Rádio Gaúcha e pela então TV Gaúcha. “Ele me ligou dizendo que tinha escutado umas fitas e que tinha gostado do meu trabalho”, conta o radialista, lembrando que, no dia seguinte, também foi convidado por Telmo Tartaroti para atuar na Rádio Farropilha. Mas o comunicador apostou permanecer no Grupo RBS, no qual permaneceu durante 22 anos. No mesmo ano em que ingressou na empresa, Brauner fez a cobertura de sua primeira Copa do Mundo, na Argentina. Ficou no Grupo RBS até 1998, ano em que cobriu a Copa da França.

Em 1999, foi para a Rede Pampa, onde chegou a ser gerente da Rádio e TV. Ficou no grupo até início de 2007. Brauner foi um dos 80 profissionais dispensados em função da extinção do setor de Esportes das emissoras de rádio e televisão da Pampa, quando a Record comprou a TV e a Rádio Guaíba. Em seguida, surgiu a oportunidade de atuar na Rádio Eldorado, de Criciúma, em Santa Catarina. “Me contrataram na esperança de o Criciúma subir pra série A, mas isso não aconteceu e eu acabei me tornando muito caro para a emissora”, brinca o narrador. Foi quando, no início deste ano, retornou a Porto Alegre.

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Autor

Redação Coletiva

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