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Angélica Maldaner: Afogando em números

Gel, como Angélica Antunes Maldaner é conhecida no mercado publicitário, recém completou 30 anos – no último dia 11 – e já tem uma …

Gel, como Angélica Antunes Maldaner é conhecida no mercado publicitário, recém completou 30 anos – no último dia 11 – e já tem uma década de carreira. Natural de Novo Hamburgo, ainda adolescente resolveu fazer um teste vocacional antes de decidir que profissão seguir. Suas opções foram Comunicação Social e Arquitetura. Apaixonada por Gaudí e Miró, esta seria sua primeira opção, mas ela também queria trabalhar e sabia que a faculdade de Arquitetura exigiria demais (desenhos, maquetes…). Como também gostava de Publicidade, Gel optou por fazer esse curso e, logo que entrou na faculdade, começou a trabalhar na RBA, agência de sua cidade. Estudou na Unisinos, conta que sua atual agência, a Escala, atende: "Foi tudo premeditado", brinca. A publicitária atuou por quase 10 anos em Novo Hamburgo. Durante nove anos e meio, como mídia, depois recebeu a proposta do diretor da RBA, Afonso Cardoso, para atuar no atendimento. "Trabalhava com as mesmas contas, a Kildare e a Beira Rio, mas, apesar de não desgostar da nova área, descobri que era apaixonada pela mídia", conta. A incursão não durou mais de cinco meses. A Kildare, conta que Gel atendia desde que iniciara na profissão, trocou a RBA pela Escala e a levou junto. "Essa conta é uma paixão, temos uma história. Eu nunca soube, nunca perguntei se foram eles que pediram a minha contratação para a Escala, mas acredito que tenha havido uma indicação", pondera. Reconhecimento bacana Também, não é para menos, Gel já ganhou diversos prêmios, sendo que três foram por cases desse cliente. Ela está há apenas seis meses na Escala e já foi eleita Mídia do Ano, no 30º Salão da Propaganda, em 2004, pelo case da marca de calçados na revista Trip. Já havia sido indicada antes, no 26º Salão. Outras distinções foram no Top of Media, promovido pelo Grupo de Mídia do Rio Grande do Sul. Levou o Melhor Case de Rádio, com a TryOn, Melhor Case de Televisão, com a Kildare, Melhor Case de Mídia Exterior, também com a Kildare, e Melhor Case de Campanha Completa, com a Feevale. O mais badalado, claro, foi o título conquistado no ano passado. "Foi uma ação absolutamente inédita em formato de mídia para revista que a gente criou junto com a Trip", conta. Mesmo assim, ela não acreditava que poderia ganhar. "A Cláudia Ferreira, uma mídia super boa da Escala, estava entre as finalistas, com um case muito forte da Vivo, no Festival de Cinema de Gramado. Eu nem ia no jantar de premiação, mas na última hora achei que, por acaso, se acontecesse de ganhar, ficaria muito feio não estar lá, daí resolvi ir", diz com modéstia. Gel ficou tão surpresa que esqueceu de agradecer a própria Kildare: "Agradeci à Escala, ao Marco Zani, à minha então assistente, Renata Scheckel. Foi emocionante, eu, que sou chorona, fiquei tão perplexa que não chorei, não caiu a ficha", lembra a publicitária, que considera esse reconhecimento posterior o "mais bacana da nossa profissão". Na correria Angélica considera que ainda está se adaptando à estrutura da Escala, mas está gostando. "É muito diferente da RBA, outro pique, outra cultura. Trabalhamos bastante indústria, varejo. E eu venho de uma cultura de verbas menores", compara. Porém, a publicitária acredita que em qualquer agência o cliente quer ver resultados. A maior diferença tem sido na localização. Por viver em Novo Hamburgo, tem que acordar cedo para vir trabalhar na Capital. Gel montou um apartamento em Porto Alegre, mas ela apenas "pousa" por lá, de vez em quando. Mora mesmo é na cidade natal, junto da mãe e da irmã. "Sei que já estou meio velha para estar ainda na casa da mamãe, mas me dou tão bem com ela, é tão bom, tão tranqüilo, que não teria porque sair de lá", fala. E ela se organiza bem para dar conta do trabalho. Junto a uma assistente, elabora a pauta da semana e as prioridades do dia e divide tarefas, desde a elaboração e planejamento estratégico até a parte de negociação e coisas mais operacionais: "É sempre uma correria". E dessa correria saíram vários trabalhos dos quais Gel se orgulha. Aos já citados, ela acrescenta os cases da Saccaro Móveis, ainda na RBA, e da SLC Alimentos, com a marca Arroz Namorado, e da LeBon, ambas da Escala. "Esta campanha, do Seu Vicente, o consumidor mais exigente do Brasil, foi lançada agora em todas as mídias e já está com um recall alto. Ainda não deu tempo para avaliar, mas estamos realizando uma pesquisa e tenho certeza que vai ser um sucesso", avalia. Heavy user de cultura A publicitária gosta de se atualizar e costuma ler veículos que trazem informação do mercado. Não gosta de livros específicos de Publicidade. "Adoro ler, mas literatura. Acho que livros técnicos não agregam muita coisa ao senso crítico e criativo. Quando surge um livro mais bambambam, de um cara de marketing, aí sim eu vou atrás, mas não sou devoradora desse tipo de obra", explica. Ela gosta mesmo é de best sellers – está lendo ‘Código da Vinci’, de Dan Brown – e fantasia, como a coleção Harry Potter, de J. K. Rowling, e os livros de J. R. R. Tolkien, autor da trilogia ‘O Senhor dos Anéis’. Também gosta de cinema, vai todas as semanas e ainda assiste a muitos DVDs em casa: "Sou uma heavy user. Olho tudo que está em cartaz. Fui assistir ‘Alexandre’, por exemplo, e não gostei, mas acho que tem que se ver para poder criticar". Gel ainda é formada em piano e violão, duas paixões que não tem tido tempo de praticar. Porém, ela afirma gostar de todos os tipos de música: "Menos pagode e música sertaneja, que tenho pavor". Outro hobby que deixou de lado pela falta de tempo é o de cavalgar na hípica de Lomba Grande. Ela quer fazer MBA, pois "com 10 anos de formada já está na hora" e gostaria de realizar esse plano na Espanha, mas reconhece que agora está meio difícil. "Pretendia passar um tempo por lá, mas aí veio o convite da Escala, que foi irrecusável", conta. Para compensar, Gel vai passar as próximas férias no país e fará MBA em Porto Alegre, mesmo. Sua atração pela Espanha é antiga. Ainda muito pequena, viveu com a família na Alemanha – seu pai é diretor-financeiro de uma multinacional alemã – e teve a oportunidade de conhecer toda a Europa. Depois, já "teenager", como diz, voltou à Espanha. "Tenho ascendência espanhola, portuguesa e alemã, como quase todo mundo no Rio Grande do Sul, e gosto muito da cultura do país, dos artistas, das pessoas. Acho parecido com o clima do Brasil", justifica. Um dia… Além de ir para a Espanha, Gel tem um outro plano traçado para o futuro: "Quero conseguir o mesmo que o Axel (Eduardo Axelrud, diretor de criação da Escala), ser Publicitária do Ano", revela, dando risada. "Acho isso ainda um pouco difícil, é uma carreira curta, de 10 anos, o Axel deve ter mais de 20", pondera. Mas a própria se descreve como uma pessoa muito obstinada e diz que quando tem um objetivo, vai atrás dele. "Às vezes, dou umas tropeçadas feias, sou um pouco atrapalhada com o percurso, mas ao mesmo tempo sou organizada, o que ajuda na minha função", fala. Angélica também se diz muito ingênua: "Sou meio tapada, meio patetinha. Acho que isso me atrapalha um pouco, mas prefiro assim a ser uma neurótica, achando que todo mundo faz conspirações". A publicitária tem tudo para alcançar seus objetivos, porque afirma amar seu trabalho: "É importante ter vontade de conhecer coisas novas e melhorar todos os dias, não ficar estagnado. Em Comunicação, não dá para ficar parado, obsoleto. Essa renovação é o tesão da profissão. Alguns dizem ‘que coisa chata trabalhar com número’, mas não é. Número é a conseqüência de um trabalho criativo e inovador que foi feito antes. E eu amo esse trabalho".

Autor

Leca

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