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Pedro Chaves: As “chaves” de Pedro

Base estudantil revelou vocação do Jornalista Pedro Chaves

Considerado um homem de inteligência rara e de humor fino e inabalável, ou mesmo um ‘paizão’ para os colegas de profissão, o jornalista Pedro Chaves, 65, responsável pela editoria de Atendimento ao Leitor de Zero Hora, é um profissional de múltiplas atividades. Escrever e desenhar eram habilidades desenvolvidas nos tempos de estudante, mas foi nos anos 60, na época em que o jornal ainda tinha sede na Rua Sete de Setembro, no Centro de Porto Alegre, que o editor conquistou o primeiro emprego com carteira assinada.

Durante o período em que cursou Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), o canceriano, nascido no dia 2 de julho, e criado no bairro Cidade Baixa, na Capital, trabalhava na área administrativa de uma corretora de seguros. O início na profissão ele deve a uma dica do colega Geraldo Canali, que o alertou sobre a abertura de vaga no jornal Zero Hora. Hoje, Pedro acumula 42 anos de experiência em diferentes setores da comunicação – considerando aqui o período em que contribuiu para a imprensa escolar.

No primeiro trabalho em Zero Hora, o articulado gremista realizava a cobertura do que acontecia em Porto Alegre. No final de tarde, tinha por hábito tomar chope no Chalé da Praça XV, com colegas de profissão. Foi por meio dos contatos no tradicional bar do Centro que o então repórter de Cidade de ZH conquistou a oportunidade de se tornar também editor de Ensino no Correio do Povo. No diário da Rua Caldas Júnior, Pedro Chaves produzia notícias de Educação. “Ficou uma coisa louca. Eu saía no início da tarde. Fazia a cobertura pra Zero Hora. Acompanhava a entrevista do prefeito, ia para o jornal, fazia a matéria, dava uma saidinha da Sete de Setembro e dobrava na Caldas Júnior. Eu subia a escada correndo e ia trabalhar no Correio do Povo.”

O primeiro laser

Mesmo com duplo emprego, Pedro Chaves se destacou. De repórter de Cidade, se tornou editor de Mundo, editor da revista ZH, pauteiro, subchefe e chefe de reportagem. Foi redator, chefe de imprensa da prefeitura de Porto Alegre, assessor geral de comunicação, editor especial de Cidades e atuou na reportagem geral. Fascínio, mesmo, no entanto, ele sente é pela reportagem. “Eu dou o meu melhor, mas, se me disserem ‘E se amanhã eu te botar na reportagem?’ Eu respondo: Tô indo!”.

Quando Pedro Chaves iniciou no Jornalismo, o sistema de distribuição de pautas dentro das redações era pouco organizado. Curiosidade e inquietação constituíam fatores determinantes para o bom desempenho do profissional. Em um dia em 1968, por exemplo, foi ao Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) em busca de alguma matéria. “Cheguei lá e descobri que os caras estavam produzindo, pela primeira vez no Rio Grande do Sul, um feixe de laser.” O furo de reportagem ocupou duas páginas centrais na Zero Hora.

Medicina ou Jornalismo

Na infância, garante ter sido um jogador de futebol de “nível médio”. Nas brincadeiras de guri, rodava pião e jogava com bolinhas de gude, disputava partidas de pebolim e se destacava na mesa de botão. O garoto costumava visitar uma fábrica de puxadores situada na Rua Alcides Cruz. “O puxador é a base do futebol de mesa. Eu escolhia a cor, o número de camadas e a altura das peças. Era uma coisa bem apurada conseguir um time de eficiência”, relembra com prazer. Outras distrações muito apreciadas na época eram as brincadeiras de mocinho e de montar acampamento.

A formação educacional de Pedro Chaves começou no então Grupo Escolar Rio Branco, passou pelo ginásio no Colégio Nossa Senhora do Rosário e pelo curso científico no Colégio Nossa Senhora das Dores. Neste último, sob influência do irmão Gregório, professor de Literatura e Português, dedicou-se a escrever contos e reportagens sobre o crescimento urbano. Em sala de aula, o colega Carlos Alberto Pessoa de Brum tornou-se parceiro de imprensa estudantil. “Começamos a brincar de fazer jornalismo. Fizemos o jornal mimeografado com notícias sobre as Dores, curiosidades, fatos científicos, e, principalmente, sobre nossa turma.”

A dupla propôs a colegas de outras salas a formação de uma rede de informação. “Criamos a Redi, Rede Dorense de Imprensa, e começamos a fazer o jornal com matriz colorida de todas as turmas, desde o ginásio até o científico.” Produziram ainda duas revistas: uma ilustrativa e outra estudantil. Naquele tempo, Pedro pretendia ser médico. Passou na primeira de duas etapas do vestibular da Ufrgs, mas, no ano seguinte, mudou de ideia: escolheu o Jornalismo.

Gostos Peculiares

Pedro Chaves tem três filhos do primeiro casamento com Sandra Otto: Alvaro, 36, que tem a filha Maria Fernanda, 10; Simone, 30; e Ricardo, 29. Hoje casado com a jornalista Maria Amalia, 55, tem a caçula Maria Júlia, 16. “Aos 49 anos, fiquei sabendo que seria pai novamente”, diz, feliz. A família reside no Bairro Santana, na companhia dos gatos Mimi e Tommy. Com as manhãs livres, o jornalista afirma ter tempo e gosto pela culinária. Considera-se inclusive “a cozinheira” da casa. “Gosto de fazer lasanha, massas, carne assada, bife à milanesa e peixe. O grande prato no inverno, por exemplo, é o bife à milanesa, arroz, feijão e couve com farofa.”

Na parede da sala, há uma rede estendida de uma ponta à outra, próxima da churrasqueira, de um mural de chaves e da janela. É nesse canto que o editor relaxa, depois da jornada na redação. No mesmo local, destaca um amontoado de chaves, relacionadas ao próprio sobrenome. Feito pela esposa, o mural reúne peças antigas e modernas. Pedro também adora cantarolar e assobiar, mas longe do trabalho – o ambiente profissional exige concentração. Gosta de ler. No cinema, prefere filmes europeus, embora não descarte outros tipos de produção. “Pode até ser série de TV.”

O lar no trabalho

Empolgado com os desafios do Atendimento ao Leitor, Pedro Chaves salienta que trabalhar diariamente com o público é tarefa que exige atenção especial. “O jovem que vai ser repórter deveria passar primeiro pelo Atendimento para ver o que é o leitor, para entender as demandas do leitor.” No ambiente de trabalho, o jornalista destaca a necessidade de estabelecer uma relação familiar. Esta convicção, aliás, contribui para explicar os muitos amigos conquistados ao longo da carreira. “Esse é o grande prêmio, o grande mérito.”

De acordo com ele, é preciso ter bom humor no ambiente de trabalho, mas seriedade é fundamental. “Hoje eu dizia para as gurias (referindo-se às colaboradoras da editoria): sempre venho aqui sorridente, mas quem cobra de vocês sou eu. Passo por bonzinho, mas não sou. Se não trabalhar direito, vai pegar.”

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Autor

Lísia Mundstook

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