Com um belo e afetuoso sorriso no rosto, a publicitária e empresária Carla Tellini entra no Press Café. Uma das sócias-proprietárias do local e diretora da TH Comunicação, de imediato, transmite a impressão de uma mulher elegante e sofisticada. Porém, em pouco tempo de conversa já é fácil notar que o que a acompanha é a simplicidade e a objetividade, algo que está presente nas lembranças da infância, quando brincava com as três irmãs, Eveline, Mirela e Denise, no Interior do Estado.
A filha do meio do cardiologista Ivo Spolidoro Tellini e da engenheira agrônoma Maria Estrella Tellini nasceu em Porto Alegre, na manhã de 21 de janeiro de 1965. As brincadeiras com as irmãs, especialmente na fazenda do pai, em Encruzilhada do Sul, estão entre suas melhores lembranças. Era uma época em que acalentava o sonho de ser uma veterinária, ela que adorava cuidar dos animais – tanto que uma vez fez as vezes de mãe, para um cordeiro que ficara órfão.
Depois pensou também em ser dona de restaurante, ou talvez uma cirurgiã. Ou psicóloga, quem sabe: por influência do pai, médico, chegou inclusive a cursar Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Mas, expansiva e falante, a vida a levou a atuar na Comunicação. Começou cursando Jornalismo, mas acabou formando-se em Publicidade e Propaganda pela Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUC, a Famecos, em 1989.
Mesmo ao prestar vestibular para Jornalismo, Carla diz que não se via muito na profissão – e já nas aulas de redação descobriu o gosto pela publicidade. Quando trabalhou como estagiária em uma empresa de eventos e acabou tendo contato com empresas e profissionais de Publicidade e Propaganda, a decisão se fortaleceu e houve a troca pacífica de curso. O estopim se deu em 1986, quando estava prestando assessoria para um evento em que atuou em parceira com a agência Texto e Arte. O diretor da empresa chamou sua atenção dizendo que tinha tudo para ser publicitária e a convidou para trabalhar com ele. Convite feito, convite aceito, adeus, Jornalismo.
O espetáculo vai começar
Trabalhou por cinco anos na Texto e Arte, agência hoje inativa. Quando saiu de lá em 2001, montou uma produtora de teatro, pela qual trouxe alguns espetáculos para Porto Alegre, conheceu vários atores famosos e recebeu um elogio inesquecível de uma consagrada atriz: “No meio de uma conversa com a Fernanda Montenegro, ela me disse que eu era uma das mulheres mais encantadoras que já tinha conhecido”. Mas, apesar de elogios do gênero, Carla descobriu que o teatro era “uma coisa muito doida, sem nada a ver comigo”, como diz, e acabou fechando a produtora.
Foi nesta época que recebeu o convite do amigo Paulo Henkin para montar uma agência de publicidade, e no dia 21 de setembro de 1992 surgia a TH Promont, hoje TH Comunicação. Recorda que pouco tempo depois de abrirem a agência, ela e o sócio trabalharam com uma grande empresa de sapatos do Vale dos Sinos, mas para conquistar esta conta tiveram que produzir um espetáculo à parte.
A tentativa de conquista incluiu ‘engordar um pouquinho’ as informações sobre a empresa, plano que quase ruiu quando o cliente em potencial manifestou o desejo, um pouco antes do Natal, de visitar as instalações da agência. Foi um deus-nos-acuda: em vez dos “15 funcionários e um amplo espaço de trabalho”, a TH era, na verdade, apenas ela, o sócio e uma pequena sala. Decidida a não ficar sem aquele cliente, passou a mão no telefone e ligou para a mãe, dona de uma empresa de paisagismo, pedindo todos os móveis do escritório e também alguns funcionários ‘emprestados’.
Sorte não faltou, pois no mesmo andar em que a TH funcionava existia uma sala desocupada. “Fizemos tudo no maior luxo, até balde de gelo e uísque tinha”, explica. Alguns amigos também foram convocados para serem os ‘figurantes’ e, quando deu 17h30, o diretor chegou, conheceu tudo e foi embora. “No outro dia ele me ligou e disse que a conta era nossa. Então vi que tudo valeu a pena, descobri que sou corajosa e acabei ganhando o meu presente de Natal”. Simples assim…
Em 2001, com a TH já consolidada no mercado e figurando entre as 10 maiores agências do Estado, a publicitária, cansada de procurar uma boa cafeteria para realizar encontros profissionais, resolveu abrir um novo negócio com a empresária Jaqueline Meneghetti. “Eu atendi durante 11 anos à conta da Petiskeira, e foi aí que conheci a Jaque, que trabalhava na empresa na época. Conversamos muito, e resolvemos abrir o Press Café no Shopping Moinhos”.
Para não errar a mão, foram buscar em São Paulo, na região da Mogiana, os grãos da Fazenda Pessegueiro, premiados pela Associação Europeia de Cafés Especiais, e contrataram a barista Silvia Magalhães para treinar funcionários. Acertaram a dose, e atualmente o Grupo Press Gastronomia conta com sete empreendimentos. São cafeterias em shoppings e museu, dois restaurantes (Press, na Hilário Ribeiro, e Bah, no BarraShoppingSul) e a Presstisserie, a marca própria da confeitaria. Com o Grupo Press, a publicitária-empresária já recebeu diversos prêmios e emociona-se ao enfatizar que “realmente fizemos uma empresa que muito nos orgulha”.
Entre a horta e as panelas
Carla se considera uma pessoa caseira, mas adora viajar para qualquer lugar que desperte seu interesse. E explica que isto é possível mesmo com a rotina de se dividir entre as unidades do grupo. Nos dias de folga gosta mesmo é de ir para o sítio que tem no bairro Belém Velho, onde, entre cuidados com a horta, assiste a filmes em DVD e, para não perder o costume, testa pratos novos. Considera-se uma amante da gastronomia criativa e do bom café, e acredita que daqui a 10 anos talvez esteja com um restaurante diferente em Cambará do Sul. “Cozinhando, é claro!”, afirma.
Os planos para o futuro incluem consolidar estes projetos que foi criando durante toda a vida e continuar entre os melhores. Otimista e decidida, sente-se realizada com o que fez até agora, mas isso não quer dizer que tenha encerrado suas realizações, “porque eu gosto muito de me reinventar, e acredito que esta sintonia entre paixão e trabalho me faz muito feliz”. “O sucesso” acredita com convicção, “vem como consequência”.

