Perfil

Gládis Berlato: Com talento e dedicação

Depois de muito trabalho em redação, reuniu experiência suficiente para abrir a sua própria agência de assessoria de comunicação.

Gládis Maria Berlato Pinto Mahfuz enxugou o extenso sobrenome, que nunca foi de seu agrado, para compor seu ‘nome de guerra’, Gládis Berlato, pelo qual é conhecida por todos no jornalismo gaúcho. Ela passou por diversos veículos de comunicação e hoje, prestes a completar 50 anos, comanda, ao lado da sócia-amiga Neusa Fróes, a Fróes,Berlato, agência de consultoria de comunicação e assessoria de imprensa.

A lembrança mais forte de sua juventude em Santiago, município onde nasceu, são as serenatas do conterrâneo Neltair Abreu, o ‘Santiago’, que ganhou o apelido justamente por sua naturalidade. O famoso cartunista, acompanhado por um grupo de amigos, cantava junto às janelas das amigas e namoradas da cidade. “Dependendo do pai de cada moça, a gente podia abrir a janela e conversar um pouco, ou até mesmo deixar entrar e oferecer um suco ou um refrigerante. O meu, como é militar, jamais me deixou convidar ninguém para entrar. Imagina, em Santiago e de madrugada. Nem pensar”, relembra Gládis. O próprio desenhista relembrou os velhos tempos. “Na verdade, eu ia acompanhar meus amigos que cantavam. Eu fazia um ‘larará’ na segunda voz que podia ser a terceira, a quarta ou até a última”, brinca Santiago.

Vida na redação

Para cursar o terceiro ano do Ensino Médio, na época o ‘Científico’, veio para Porto Alegre estudar no Colégio Júlio de Castilhos. Também freqüentou o Colégio Protásio Alves para completar algumas exigências curriculares. Terminada esta fase, era hora de pensar no vestibular. “Sempre quis Comunicação Social. Nem sabia exatamente que ramo eu seguiria, mas comunicação era o meu negócio. Depois que eu me defini por Jornalismo”, explica. Ainda no segundo semestre na PUC, teve sua primeira experiência profissional. Trabalhou no setor de recursos humanos do extinto Banco Sul Brasileiro. Em 1977, influenciada por uma colega da faculdade, decidiu tentar uma vaga na área de revisão da Zero Hora. “Foi interessante, pois primeiro me chamaram, e não ela. Depois, já na chefia de revisão, eu trouxe a Marília”, conta.

Dois anos depois, ainda estudando, foi ser repórter na editoria de Ensino. De férias em Salvador, recebeu um telefonema para comunicar que, quando estivesse de volta, ingressaria na Economia. Tomou um susto. Sua primeira intenção foi voltar para Porto Alegre para estudar sobre a área, mas foi tranqüilizada pelas colegas e recebeu um alerta: iria ter de comprar sapatos, pois caminharia muito atrás das fontes. E assim foi, nos 15 anos em que atuou no jornalismo econômico da Zero Hora. “Minha grande mestre foi a Eunice Jacques, um ícone do jornalismo. Era ela que me mostrava que o meu lead estava lá em baixo e que eu tinha que inverter minha matéria. Uma vez, ela me chamou para me dizer que eu estava com a manchete do jornal por causa de uma matéria sobre notas fiscais. Eu nem imaginava”, revela Gládis.

Teve, também, passagens pelo Jornal do Comércio, pela Gazeta Mercantil e pelo programa Negócios da TV Bandeirantes, sempre voltadas para a economia. Entre o Jornal do Comércio e a Gazeta Mercantil, estão seus primeiros contatos com assessoria de imprensa. Atuou na Secretaria do Desenvolvimento, na Escolha Comunicação e Marketing e no Banrisul.

Contrariando a obviedade

A editoria de Economia possui a característica de ser uma área previsível. É um setor organizado que não revela grandes surpresas. Mas um fato em especial marcou a carreira de Gládis. No domingo, a Zero Hora veiculava uma grande entrevista no caderno de Economia e lá foi ela entrevistar Paulo Vellinho. Acontece que ela deveria preencher três páginas com perguntas e respostas e o gravador pifou. Foi perdida toda a entrevista. “Minha primeira reação foi querer cortar os pulsos”, diverte-se Gládis. Mesmo assim, a profissional resolveu tentar, pois tinha as perguntas anotadas e lembrava da idéia do entrevistado. Pouco mais da metade das respostas foi reconstituída e, para conseguir a outra parte, ela contatou o entrevistado, por telefone, explicando a situação. “Ele prontamente me atendeu, tudo deu certo e a entrevista saiu como se nada tivesse acontecido.”

Outro ponto alto da trajetória da jornalista foi sua primeira viagem internacional. “Com menos de três anos de Zero Hora, fui convocada para ir a um programa de relacionamento com jornalistas brasileiros no Japão. Até então, eu não conhecia nem a Argentina. Tive vontade de dizer que não estava preparada, mas fui e foi uma experiência belíssima”, admite. Gládis aproveita a deixa para refletir sobre o que considera um paradoxo na profissão do jornalista – vive num mundo que não é o dele. Viaja para todos os lugares, fica nos melhores hotéis, convive com importantes personalidades, mesmo que aquilo não faça parte de sua realidade, teoriza ela.

Experiência a serviço da assessoria

A Fróes,Berlato foi montada em 2000, a partir de uma idéia antiga em conjunto com a também jornalista e ex-colega de ZH Neusa Gali Fróes. “Nós estávamos revoltadas. Embora fôssemos repórteres da linha de frente, recebíamos muito pouco. Então resolvemos montar a nossa própria empresa, pois tínhamos prestígio no mercado”, orgulha-se. A assessoria já abriu com um cliente. O Grupo John Deere desejava que as amigas prestassem serviço para ele, mesmo antes de a empresa estar formalizada. Depois, atenderam ao site Mercador, do atual vice-governador, Paulo Feijó, e não pararam de crescer. Hoje, o portfólio da Fróes,Berlato possui nomes como Randon, Federasul, DCS e Kepler Weber.

A experiência de Gládis no jornalismo econômico ajuda bastante a impulsionar os negócios da empresa. “No programa da Band eu era repórter, mas não dominava o veículo eletrônico. Fiquei pouco tempo, pois meu negócio não era TV, era bastidor mesmo. Hoje vivo de planejar e pensar estratégias da comunicação. Administrar a informação”, explica. Além de tudo, a vivência de redação contribuiu para o sucesso da consultoria montada com a amiga Neusa.

Gládis considera que, para exercer esse tipo de atividade, é preciso conhecimento. “Muitos recém-formados montam assessorias e fracassam, pois essa é uma área difícil de se trabalhar. Não recomendo a assessoria de imprensa como primeira experiência. É preciso ralar, fazer polícia, geral, greves, plantão de fim de semana e conhecer a mecânica das redações. Saber como as coisas funcionam”, conclui. Sua principal mensagem é de que o mercado não está restrito. A comunicação é uma área muita vasta e sempre existem possibilidades de trabalho. O grande período trabalhando nos jornais fez a profissional aprender a identificar o que emplaca nos grandes veículos e o que não serve, característica fundamental para o bom trabalho de um assessor de imprensa.

Outro fator que enriqueceu a personalidade administrativa de Gládis foram os projetos desenvolvidos dentro da Gazeta Mercantil. “Todos aqueles cadernos especiais, como o Dia do Meio Ambiente, eram passados para mim, que montava as pautas e editava. Isso me deu um bom pique de administração e planejamento. Me obrigou a buscar um outro tipo de formação que eu não tinha, que não é característica do jornalista. Hoje, me ajuda bastante na relação com os clientes”, considera.

Festa e família

Entre 11 irmãos, Gládis aprendeu a dar muito valor para a vida familiar. É casada há 25 anos e tem uma filha de 15, a Taís. “Na minha casa não tem festinha nem reunião, tem festança. Meu pai tem um sítio em Viamão que possui estrutura para 50 pessoas. Então, a família toda herdou essa característica dele. Isso é muito bom, tanto para as horas boas quanto para as ruins, pois reunimos família e amigos”, salienta a jornalista. Gládis também possui um sítio e afirma que “não precisa de analista”. “É lá que eu recebo meus amigos, mexo com minhas plantas e faço minhas pinturas. Mas não são quadros. Eu pinto casa, pinto móveis, pinto o que pintar na frente mesmo”, fala divertida.

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Autor

Redação Coletiva

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