Diana di Domenico: Copo meio cheio

Gerente de Marketing e Comunicação da Univates passou por alguns pontos de virada em sua trajetória

Diana Di Domenico, gerente de Marketing e Comunicação da Univates

Saindo de Porto Alegre, pouco mais de 100 quilômetros para o norte do Rio Grande do Sul, pela BR-386, está Lajeado, uma das principais cidades do Vale do Taquari - guarde esta informação. Mas é subindo ainda mais, pela RS-130, que está o município de Ilópolis, onde nasceu a protagonista desta história: Diana Di Domenico. A localidade leva em seu nome a árvore-símbolo do Estado - Ilo, Erva-Mate em latim, e Pólis, Cidade em grego - e, curiosamente, a planta conhecida pela cafeína dá o tom da personalidade de Diana. "Extremamente acelerada", como ela mesma se define.

Entre as raízes fortes da região do Vale do Taquari, estão as das famílias italianas Canei e Di Domenico. Plantando e colhendo entre os cerca de quatro mil habitantes de Ilóplis, Luiz di Domenico e Teresinha Canei tiveram as filhas Diana Maria, em 8 de março de 1976 (registrada em 17 do mesmo mês) e, dois anos depois, Marta. Foi com muita brincadeira na rua, de forma simples e divertida, que a infância na cidade pequena ficou marcada na memória da mais velha. As 'comidinhas' feitas com terra e sabão em pó, o apego à boneca 'dorminhoca' e as aventuras na rua, sempre "virada num piá". Lembra de Lajeado? Pois as gurias também moraram por lá e a cidade voltaria a aparecer na vida de Diana quase 30 anos depois, de maneira inesperada.

Antes de voltar às origens do Vale, Diana passou a adolescência em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aproveitando como a maioria dos jovens gostaria: festas, amigos e família. Ela lembra com carinho das diversas noites no Clube da Riocell, e do Maverick amarelo do pai de uma das gurias do grupo, no qual elas embarcavam para chegar na balada. Claro, também houve as broncas típicas da idade. Ela recorda que dona Teresinha era "muito brava" quando o assunto eram os limites e a educação das duas. E quando a mais velha saía, mostrava a responsabilidade que orgulhava a mãe, sendo a mais "careta" entre as amigas. 

E foi com esta sensação de que precisava ser responsável que a jovem construiu o próprio caminho. Desde a primeira oportunidade, como menor aprendiz no Banco do Brasil, mostrou sua determinação - conquistando o cargo após muitas e muitas ligações, pedindo a vaga aos futuros chefes. A partir desta experiência, não parou mais. Formou-se em Administração pela Fapa e fez duas especializações: MBA em Marketing, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e MBA em Liderança Estratégica de Negócios e Pessoas, pela ESPM.

Foram poucas empresas, mas muitos anos de experiência que consolidaram seu nome no mercado gaúcho. A atual gerente de Marketing e Comunicação da Univates passou pelo mesmo setor em diversas empresas reconhecidas, como Vonpar, Medex, e ESPM, sempre cultivando seus princípios, tentando entender a equipe e celebrando a evolução de cada um. "Não é só por ter aquela empresa no currículo, fico feliz e realizada vendo os profissionais crescendo. Pessoas que, de alguma forma, também foram cultivadas por mim."

A filha do gringo

As lições da mãe foram construindo muito da personalidade de Diana, mas era pelo empreendimento do pai que ela era conhecida: a filha do gringo. O bar de seu Luiz era popular em Guaíba e ela lembra dos clientes fiéis da época, da felicidade da família e de seus sonhos, que iam se alicerçando na cidade à beira d'água. 

Foi quando aconteceu a primeira mudança drástica na vida da jovem: dona Teresinha morreu aos 42 anos, de câncer de mama. "Veio aquela quebra", recorda a filha. Ela lamenta que a mãe tenha partido antes da doença ser mais conhecida e ter tratamentos mais acessíveis como atualmente. Porém, é também com alegria e amor que fala daquele "Mulherão com M maiúsculo", que foi a matriarca, a qual está no topo em sua lista de inspirações, na frente de Papa Francisco, Martin Luther King Jr., Gandhi, Anne Frank, Monja Coen e Luiza Helena Trajano.

A filha do gringo passou a dividir as responsabilidades com o pai e com a irmã, após a perda. Dois anos mais tarde, sentiu que precisava de outra mudança, mas, desta vez, uma que pudesse escolher. Foi este o momento em que veio morar sozinha em Porto Alegre. Ela queria reduzir o tempo de deslocamento até as aulas, que já eram na Capital, e buscava ser ainda mais independente do que antes. Apesar da distância, a relação familiar não esmoreceu. Seguiu cuidando de seu Luiz, a quem atribui o título de "gato", fazendo um paralelo com a lenda das sete vidas do bichano, visto que, com 74 anos, ele já enfrentou anos de diálise, um transplante de rim e Covid-19.

Do pai, uma das maiores heranças é a torcida pelo Grêmio, sobre a qual fala empolgada - comentando sobre o resultado do último clássico Gre-Nal. No entanto, seu Luiz deixa de lado o estereótipo italiano na hora dos jogos. Enquanto a família fica reunida, falando alto e comentando sobre a partida, o gringo se acomoda em um canto, agarrado em seu radinho, concentrado para não perder nenhum lance. Com marido e filho colorados, Diana aproveita as temporadas em que o pai fica na casa dela para curtir a paixão em comum pelo Tricolor.

O príncipe

Falando em família, a vida da profissional deu outras duas viradas em um curto espaço de tempo. E uma delas foi com o nascimento de Lucas, em 2008. A mãe não disfarça a admiração que tem pelo filho, contando o quanto ele é responsável, talentoso e amoroso. "Era o nosso príncipe e, agora, é nosso parceiro", ressalta. Apesar de possuir uma forte ligação com o pai, Lucas tem atividades que só faz com ela, como rezarem juntos todas as noites ou passearem de carro sem rumo, ouvindo e cantando juntos de rock a rap, acompanhados do mascote da família: Toby, um shih tzu de sete anos.

O pai do Lucas, João Carlos Becker, é a "cara-metade" de Diana. Juntos desde 1997, eles se conheceram quando a colega de faculdade insistiu para que conhecesse seu irmão. Após diversas tentativas, Ana Cecília Becker mandou João Carlos entregar um trabalho na casa de Diana. Mas ainda não seria daquela vez. O namoro só engatou meses depois deste encontro, e teve direito a festa em uma boate da Goethe e passeio de moto pela orla de Ipanema. "Deu match", brinca. Com mais de 20 anos de relacionamento, ela se orgulha de ter um casamento com "parceria, cumplicidade e paixão".

E o trio sabe se divertir, seja junto ou separado. Lucas adora videogame, o pai, séries e a mãe, livros. Porém, às sextas-feiras, sempre acontece um evento: a 'noite de pizza', em que pais e filho se reúnem para comer juntos e conversar. Além disso, as viagens são um dos hobbies preferidos de Diana. Ela, João Carlos e Lucas já foram para Buenos Aires, Montevidéu, Punta del Este e Punta del Diablo, de carro, curtindo o passeio em família, assim como fazem nas férias em praias de Santa Catarina. Mas não é só por terra que eles viajam. Também já embarcaram de avião rumo a Curitiba, Rio de Janeiro, cidades do Nordeste e até para fora da América Latina. "A viagem mais marcante foi para a Disney, feita junto com amigos.

Nos céus

Uma única coisa impede Diana de viajar mais: seu medo de avião. A cada embarque, ela dribla o medo com chá de camomila, orações e o apoio da família e dos amigos. O tema já foi pauta na terapia e a apreensão é vista como um desafio a ser enfrentado - como tantos outros. Entre as pequenas vitórias de cada voo, estão as vezes em que a boa condição do tempo lhe permitiu olhar pela janela, sobre as nuvens e, em meio à vastidão do céu, sentir o medo se esvaindo sobreposto pelo encantamento.

Em um aeroporto, ocorreu uma das histórias mais inusitadas da vida de Diana. Prestes a embarcarem a trabalho, decidiu ajudar a colega com excesso de bagagem, levando parte das roupas consigo. "Imagina duas mulheres abrindo as malas ali no meio, sutiã pra cá, sapato pra lá...'esse pode ir aí', 'esse não'. Depois, ainda sentamos para as malas fecharem. E todo mundo passava olhando", recorda, aos risos. Após despacharem a bagagem, a história teve mais um capítulo: ela, que havia cumprido o ritual para manter a calma, percebeu que seu voo era separado dos colegas e teve que embarcar sozinha. Como diz o ditado, "foi com medo mesmo".

Além das viagens de avião, o outro único medo de Diana também está relacionado aos céus: os temporais. Até em compromissos profissionais, ela conta que treme ao ouvir trovões ou enxergar o clarão provocado por um raio. Criada no catolicismo, apesar de não ser praticante assídua, tem muita fé em Deus e, além Dele, tem apenas uma santidade que ganha sua devoção: Santa Bárbara - não por coincidência, conhecida como protetora em tempestades.

A volta pro Vale

Diana teve mais três guinadas em sua trajetória, todas profissionais. A primeira delas foi quando decidiu empreender, após o nascimento do filho. A segunda ocorreu quando, mesmo com o progresso do negócio, no ramo de eventos, deixou o empreendedorismo para aceitar um convite no mercado tradicional que lhe deu "brilho nos olhos", assumindo a Comunicação da ESPM. Na instituição, viu-se realizada com as mudanças feitas e os elogios recebidos, descobrindo ainda seu amor pelo ramo da Educação. "É um privilégio trabalhar com o sonho das pessoas", descreve.

Então, veio a última grande mudança: o retorno para o Vale do Taquari. Com a proposta de atuar na Univates, Diana vislumbrou a possibilidade de seguir no ramo educacional, mas estar novamente em Lajeado, com maior qualidade de vida. A decisão foi difícil, mas foi tomada. Atualmente, ela propicia, todo dia, momentos de caminhadas e corridas ao ar livre, almoço com o filho e tempo para cuidar da horta e se dedicar a uma alimentação mais saudável da família - já que possui intolerância à lactose. O marido segue viajando a trabalho semanalmente para a Capital e ambos fazem o trajeto também para visitar amigos. "Na hora de decidir, pensei: Porto Alegre não é longe, como diz a música, é logo ali", pondera ela.

Diana se sente feliz no Vale, porém as mudanças estão longe de ficar para trás. "A gente não pode parar", afirma. Com a mente sempre ativa, acredita que ansiedade e impaciência são defeitos a serem trabalhados, mas também reconhece que são propulsores em sua jornada. A energia positiva transmitida pela profissional já foi elogiada diversas vezes, assim como sua persistência. "Sempre ouvi: 'tu não desiste, né?'", conta Diana.

E ela não desiste mesmo. Pela frente, planeja mais viagens, colocar em prática um novo empreendimento - algo inovador, para o qual ainda não definiu detalhes - e, quem sabe, a docência: "Objetivos para me completar como profissional". Em sala de aula, no setor de Marketing ou até em uma poltrona de avião pelo mundo afora, uma coisa é certa: ela sempre vai ser daquelas pessoas que impulsionam os outros a ver "o copo meio cheio".

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