Perfil

Rogério Sfoggia : Em constante desafio

Executivo fala de sua trajetória no Direito e de como se tornou empresário da Comunicação

Por Vanessa Bueno

Rogério Grohmann Sfoggia já era um advogado muito bem-sucedido do Direito empresarial quando decidiu se aventurar na Comunicação. Hoje, se divide para conciliar os negócios com a gestão da revista Versatille no Rio Grande do Sul, em São Paulo e Brasília. Assim, aos 36 anos, o empresário tornou-se também, nas horas vagas, repórter.

De uma família tradicional no Direito, seguir o caminho dos familiares lhe pareceu a escolha mais acertada. E foi. Após 13 anos da formatura, acumula experiências profissionais de sucesso no Direito, no mercado de ações, de fusões e aquisições de empresas e, há três anos, na Comunicação. O entusiasmo pelos negócios transparece na forma empolgada como relata suas experiências. “Sou movido a desafios”, diz.

Sua primeira grande provação, conforme conta, foi quando, aos 19, decidiu morar um ano em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Sozinho, me matriculei na Universidade da Califórnia, aluguei um apartamento, arrumei a minha mala e viajei.” O período, segundo ele, serviu para formar a base de autoconfiança e crença em si mesmo, características que preserva até hoje.

A sede de vitórias e persistência para transpor desafios vem da prática de esportes. Rogério já passou pelo surfe, pelas corridas de kart e pelas artes marciais. Atualmente, faz musculação, joga tênis e, eventualmente, esquia. “O futebol só como torcedor do Inter mesmo”, avisa o porto-alegrense. Já no kart, conquistou, por três anos seguidos, o vice-campeonato em corridas no Estado.

Aos 15 anos, tomou a difícil decisão de deixar as pistas de kart, onde já disputava em nível profissional, para se dedicar aos estudos e seguir carreira no Direito. “Doeu muito, mas são escolhas que a gente tem que fazer.” A opção foi tomada em comum acordo com o pai, Ubajara, também advogado, e a mãe, Clara. “Minha família é a base de todos os valores que carrego”, diz, para também citar a relação com os três irmãos, como “muito boa.”

Outros voos

Assumidamente precoce em tudo o que faz, quando entrou na faculdade de Direito da Unisinos já assistia a audiências há dois anos. Aos 21 anos, estava desligado financeiramente da família e, com apenas seis meses de formado, encarou seu primeiro grande desafio profissional. Um advogado coordenador de um núcleo se desligou do escritório, e Rogério tinha a opção de assumir o cargo ou não. “Como o meu combustível é o desafio, eu disse: ‘É comigo, pode me dar’”.

Aos 25 anos, começou a ter vontade de tocar seu próprio negócio. “Eu não queria ser só o filho do chefe no escritório do pai”, explica. Em 2001, foi trabalhar sozinho em uma sala alugada de 50 metros quadrados. Para não competir com o pai, optou pelo ramo do Direito do Consumidor e se especializou na área tributária e financeira. Como em dois anos já havia ganho muito dinheiro, passou a se aventurar em áreas distintas da advocacia. Entrou no mercado de ações e constituiu uma factoring. “Descobri que eu tinha uma aptidão para gerir negócios e pessoas. Isso me facultou a alçar os voos que eu acabei alçando”, conta.

Mercado de luxo

Em 2007, na linha de desenvolver novos negócios, avaliou a possibilidade de adquirir a revista Versatille, então com 5 mil exemplares. “Me senti desafiado com o projeto e acabei comprando a publicação.” Entrar repentinamente para a Comunicação nunca esteve nos seus planos. O mercado editorial no Rio Grande do Sul, em sua visão, é muito complexo. Como não conhecia a área, foi atrás e fez o negócio prosperar. Sua primeira ação foi se unir a quem entende de publicações. Surgiu, então, a parceria com a Giornale Comunicação Empresarial, que hoje desenvolve o conteúdo da Versatille.

Após um ano de atuação, o executivo chegou à conclusão de que o projeto estava grande demais para ficar só em Porto Alegre. Assim, tomou a decisão de expandir para outros mercados, em especial para São Paulo. Também decidiu entrar por completo no mercado de luxo e começou a convidar amigos e parceiros para escrever na revista. Hoje, a Versatille conta com 14 colunistas, tem uma tiragem de 20 mil exemplares e circula em Porto Alegre, São Paulo e Brasília. Vendida em banca e distribuída em locais estratégicos para o negócio, a meta é chegar a 40 mil exemplares. 

Mas o envolvimento de Rogério não é só na gestão do negócio. Integrante do conselho editorial, ele participa das reuniões de pauta, acompanha o desenvolvimento e revisa todo o conteúdo. Inclusive, durante esta entrevista recebia as provas finais da edição de dezembro. A publicação vem com uma conquista inédita de 56 páginas de anúncios, o que representa um crescimento de 200%. “Minha ambição pessoal é transformar a Versatille no maior veículo de comunicação dentro do mercado de luxo”, planeja, confiante.

Enquanto folheia as páginas da revista, ele destaca o bom acabamento da edição e a qualidade das fotos, sem deixar de citar que as modelos clicadas são as mesmas que fotografam para publicações como Vogue, Elle e Marie Claire. Visivelmente orgulhoso, comenta que, em 2011, a Versatille irá apresentar “muitas e muitas novidades. Inclusive uma, que eu não vou contar agora, mas já adianto que teremos uma tecnologia de interatividade digital e que será uma revolução no mercado”.

Completamente inserido no mercado de Comunicação, de tempos em tempos, ele também atua como repórter. Caso da matéria ‘República do Paraíso’, que produziu sobre a República Dominicana. “Fomos convidados pelo Ministério do Turismo do país e eu acabei convivendo uma semana com jornalistas dos principais veículos do Brasil”, explica, destacando que andava de bloquinho e caneta na mão e até as fotos que ilustram a matéria, ele tirou.

Outra experiência que lembra com carinho é o convite da Audi para conhecer em primeira mão o Audi A6. “Passamos uma tarde fazendo teste no automóvel em níveis de competição.” O episódio também virou matéria para a Versatille. Sentindo-se realizado tanto com sua atuação no Direito quanto na Comunicação, diz que, hoje, após dois anos tentando afinar sua sintonia com a revista, está em lua de mel com a publicação.

Um estilo

Com o foco voltado especificamente para o trabalho, confessa que sempre teve dificuldade de conciliar a vida pessoal. Nunca se casou nem teve filhos, mas pretende, sim, investir na formação de uma família. “Tenho muita vontade de ser pai. É um plano próximo”, revela. Passou por alguns relacionamentos que não deram certo, segundo ele, pelo fato de as namoradas não conseguirem entender seu estilo de vida mais voltado para o trabalho. “Não me arrependo porque ainda tenho que me dedicar muito à formação da minha carreira. Infelizmente, nesta fase terei que priorizar os negócios.”

Mas a boa notícia, para ele, é que há quase um ano engatou um namoro com a empresária Jordana Damiani, de Criciúma. O diferencial deste relacionamento é, conforme conta, o fato de a namorada ter um perfil parecido com o seu. “Achei uma parceira que me entende, aceita e admira o meu life style.” A distância não é problema. O casal consegue se ver praticamente todos os finais de semana. Assim, a rotina de Rogério inclui muita ponte aérea, seja para namorar, seja para tocar os negócios. Na próxima semana, por exemplo, ele embarca para o Equador a trabalho.

Entendendo que veio ao mundo para curtir e aproveitar a vida, tem essas premissas como motivação para buscar o sucesso profissional. Apreciador de cafés e vinhos, procura estudar muito sobre as bebidas. Mas, antes disso, o que mais gosta é de estar na companhia de pessoas especiais. Ou seja, familiares e amigos. Adora viajar, conhece praticamente o mundo inteiro.

A leitura também integra seus gostos. Entre suas obras favoritas, estão as biografias de grandes líderes e formadores de opinião. Em cima da mesa de trabalho está sua mais recente aquisição: a biografia do fundador da Apple, Steve Jobs. Mas o livro que destaca como marcante é O poder sem limites, de Antony Robbins. A obra é focada nos métodos da Programação Neurolinguística, que Rogério aprecia, aplica em sua vida diária e, inclusive, se especializou. Fora isso, lê muitas revistas e jornais focados nos assuntos de seus negócios. Resumindo, está sempre plugado.

Do limão, uma limonada

Com tanta energia, é extremamente perfeccionista, o que ele considera um defeito. “Tenho um senso de autocrítica fora da realidade, a ponto de eu estar participando de uma reunião, todas as pessoas me cumprimentarem pela minha atuação, e eu sair achando que eu poderia ter feito melhor.” Em função disso, reconhece, acaba tendo um nível de estresse elevado. A válvula de escape são os esportes.

Sua virtude é ser agregador: “Sou uma pessoa que cuida com muito carinho aquilo que é meu e as pessoas que eu gosto”. Também se considera um otimista, sempre procurando fazer do limão uma limonada. “Enfrento todos os problemas, doa o que doer”, diz. Para auxiliar na solução de questões difíceis, também lança mão das técnicas de neurolinguística em busca do que chama de “estado de excelência”. Com base em tanta técnica, estudo e experiências bem-sucedidas, manda um recado para quem está iniciando no mundo dos negócios. “Estude e pesquise muito e o tempo todo.”

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Autor

Redação Coletiva

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