Perfil

Ricardo Gonçalves: Inquietude criativa

Aos 6 anos, Ricardo Gonçalves já sabia que queria trabalhar com Comunicação. Hoje, orgulha-se do caminho percorrido

Ele assume que pode até ser clichê, mas, ao mesmo tempo, inegável: trabalhar com Comunicação é algo apaixonante. Aos 52 anos, Ricardo Gonçalves traçou uma trajetória de mais de três décadas na Propaganda. Os relacionamentos proporcionados pela atuação na área e a busca pela renovação diária são aspectos com os quais o publicitário, gerente de Eventos e Operacional da Krim Bureau Brasil, identifica-se.

Ainda menino, costumava acompanhar o pai, Auri Gonçalves, ao trabalho no setor comercial da antiga TV Piratini, transitar pelos corredores da emissora e ver de perto personalidades a quem considerava como heróis. Nessa época, já sabia que um dia trabalharia com Comunicação. A adolescência, quando passou a estudar no Colégio Protásio Alves, em frente à sede do Grupo RBS na Avenida Ipiranga, só fez reforçar a vontade de atuar na área. “Esse sempre foi meu foco, nunca pensei em ser médico, jogador de futebol. Queria trabalhar com comunicação desde pequeno, não tinha outro caminho. Sempre tive isso na mente e sabia onde iria chegar.”

Foi na TV Guaíba, como contínuo, uma espécie de office boy para serviços internos, que teve a primeira experiência profissional, quando tinha em torno de 16 anos. Algum tempo depois, a família mudou-se para Florianópolis, onde o pai integraria a equipe fundadora da TV Catarinense, da RBS, e Ricardo teria sua primeira experiência em agência de publicidade. No estado vizinho, começou a atuar como assistente de mídia na Propague. “Lá, comecei a aprender sobre o negócio da propaganda, participei de algumas campanhas vencedoras, como a do Esperidião Amin a governador. Na época, era tudo meio artesanal, mas deu para entender todos os processos.”

Após quatro anos em Santa Catarina, passagens pela Propague e pelo Grupo RBS, retornou a Porto Alegre. Integrou a equipe da Rede Pampa e o grupo ISAEC – detentor de rádios como União, de Novo Hamburgo, Florianópolis e Blumenau, e Imigrantes, de São Leopoldo -, antes de receber um convite de Ricardo Gentilini, para atuar na Rádio Gaúcha. “Quando o Gentilini me convidou para a equipe comercial – eu saindo de um veículo do Interior e ir para a Gaúcha – tive certeza de que estava no caminho certo”, reflete. Ainda passaria por agências como DCS, Símbolo, Upper e seria sócio da agência Dixxi, antes de chegar à Krim pela primeira vez, em 2001.

Sem ficar parado

A personalidade inquieta é uma das características de Ricardo, que, acredita, tenha contribuído em especial para a trajetória traçada até aqui. Recorda que, ainda nos tempos de TV Guaíba, dividia a sala com um aparelho de telex e, à noite, como forma de passar o tempo, costumava mexer no equipamento, graças, claro, ao auxílio de manuais. Certa vez, o diretor da emissora, Clóvis Prates, tinha uma reunião importante e precisava contatar Brasília, mas, como era noite, o operador de telex já não estava mais na empresa. Ricardo não teve dúvidas e prontificou-se a fazer a ligação. No dia seguinte, foi alertado por seu superior de que não poderia mexer na máquina e, já pensando que seria demitido, ouviu: não tem outro jeito, tu vai entrar no curso da Embratel e vai ser operador de telex. “Isso me levou a sempre procurar coisas novas, não ficar parado, sem tentar aprender ou sem perguntar as coisas”, afirma.

Já a temporada na Rádio Gaúcha trouxe um desafio marcante, quase uma prova de resistência. O McDonalds tinha sua primeira loja em Porto Alegre e não anunciava em rádio. Isso porque, segundo seus franqueados, o plano de marketing da rede não incluía o meio e apostava fortemente em mídia em TV. Após um período em busca de alternativas que convencessem a loja na Capital, Ricardo propôs uma ação: “Se der certo vocês pagam, se não der, não pagam”. O sucesso alcançado ajudou a colocar o rádio no plano de marketing da rede e também rendeu um convite da DCS para assumir a gerência de Atendimento da conta da rede no Rio Grande do Sul.

Nos anos 2000, convidado pela diretora Mari Crim Caetano, chegou à Krim Bureau Brasil pela primeira vez, com a tarefa de alinhar a comunicação entre a empresa de comunicação visual e as agências do mercado. Permaneceu por cinco anos, saiu em 2007, para empreender ao lado do filho Bruno, na empresa Inventoall, que operou por cinco anos, e retornou à Krim no ano passado. “Voltei para dar continuidade àquele trabalho iniciado anos atrás. A Krim não imprime banner, lona, adesivo, a gente imprime propaganda. Aquilo que a gente faz aqui alguém pensou, planejou até chegar no display, no totem. Esse cuidado de relacionamento com os clientes é o que a gente faz hoje.”

Com os seus

Nascido e criado em Porto Alegre, Ricardo é filho único de Auri e Lina Gonçalves, mas garante que não foi mimado. O publicitário se diz um admirador do pai, a quem tem como grande herói, e da mãe, pela base ética e personalidade extrovertida. Lembra das broncas recebidas quando pequeno e diz que elas o ajudaram a manter-se na linha desde cedo. “Meus pais sempre me apresentaram os dois caminhos e tentaram orientar. Eles sempre me deram a opção e isso, para mim, é uma grande virtude.”

Sempre que pode, busca passar um tempo ao lado dos filhos Bruno, com 22 anos, e Rafael, 13. Pode ser com uma partida de futebol, na prática de natação ou em um passeio na praia. “Ser pai e mãe só não adianta, é preciso ter amizade com os filhos”, ensina. Casado com Simone, diz que tem na esposa uma grande parceira, alguém capaz de entender o trabalho no mercado da Comunicação e de prestar à família apoio total. Há 38 anos, ela era irmã de um amigo e os dois vizinhos de muro. Foram, lembra Ricardo, primeiros namorados um do outro. “Era coisa de criança, mas a gente se conhece daquela época. Já estava premeditado que seria assim.”

O longo tempo de trabalho dedicado ao rádio fez com que Ricardo considerasse a música como uma espécie de trilha sonora da vida. Sem muitas restrições – a não ser para o funk –, há espaço para o sertanejo, para o rock n” roll, para o pagode. “Gosto muito de músicas dos anos 90, mas festas eu curto de todas as formas”, assegura. Na Literatura, os títulos que mais gosta são relacionados à história do Brasil e à Comunicação. Já os filmes preferidos são os de aventura e ação, mas também não é regra. “Vale a companhia”, diz.

Cozinhar também é uma atividade que aprecia. Entre os pratos que mais o agradam estão os que trazem peixes e frutos do mar, no entanto, também não dispensa o tradicional churrasco. “Cozinhar para mim é como terapia. Gosto de pesquisar temperos, inventar coisas e chamar os amigos para ver se funciona.” Torcedor do Internacional, conta que a história com o esporte remonta à infância. Fez parte das escolas de base do clube e, em Florianópolis, por alguns meses, jogou no Avaí Esporte Clube. Também quando criança acompanhou a construção do Estádio Beira-Rio, como mostram as fotos de família. Neste ano, pôde assistir aos jogos da Copa do Mundo na casa do clube do coração. “Um sonho de consumo para qualquer torcedor”, define.

Um pouco de foco e inspiração

No caminho percorrido, conta que encontrou pessoas que se tornaram suas referências. São algumas delas o empresário Nenê Zimmermann, que por mais de uma vez teve como diretor; Ricardo Gentilini, que o levou para o Grupo RBS; Dilza de Santi, Roberto Callage e Antônio D”Alessandro, que foram diretores da DCS; Salimen Júnior, da Símbolo Propaganda; e Mari Crim Caetano, da Krim. “São empresas e pessoas fantásticas, que fizeram e fazem parte da minha história”, relata.

Trabalhar muito, voltar a estudar e viajar estão nos planos de Ricardo, que se considera alguém que sempre busca o melhor em tudo que faz. Acredita que, quando se consegue manter as dimensões dos fatos negativos, sem supervalorizá-los, fica mais fácil buscar soluções. Para ele, a chave para ser feliz, além de manter o otimismo, também está em fazer o bem. “Sou um cara muito focado no que decido fazer, procuro me jogar de cabeça em tudo, não gosto de ter receio. Só vou e faço, e tento fazer da melhor forma possível”, define-se.

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Autor

Karen Vidaleti

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