Inquieto e sempre buscando novos desafios, Elton Primaz, o chefe de redação do jornal ‘O Sul’, percorreu um caminho inverso, se comparado com a maioria dos profissionais de sua época. Antes de ingressar na área da comunicação, ele trabalhou com informática e, insatisfeito com a rotina “sem novidades”, seguiu o caminho do primo Hamilton Primaz, radialista em Bento Gonçalves.
Tudo começou em 1987, quando foi trabalhar na rádio Itaí, pertencente à Igreja Pentecostal Deus é Amor. A programação, lembra Elton, não era voltada apenas à religião. “Quando entrei lá deixei bem claro que queria atuar na área do jornalismo”, relembra. Assumiu, então, a unidade móvel da Itaí e fazia a cobertura da periferia de Porto Alegre. Esgoto, iluminação, calçamento, segurança eram pautas constantes.
Depois de um ano e meio de trabalho diário, Elton já havia se envolvido com a Comunicação mas, por achar que faltava alguma coisa, decidiu, em 1989, entrar na faculdade de Jornalismo, na PUC. Com bom humor, ele recorda das duas faculdades anteriores que cursou “sem sucesso”: dois anos de administração, na Fapa, e um de arquitetura, na Ufrgs.
Ainda em 1989, surgiu o primeiro convite para trabalhar na Rede Pampa de Comunicação, na produção de um novo programa de rádio, apresentado pelo radialista Sérgio Reis. Como o programa era apenas às 18h, a emissora convidou o então estudante para integrar também a equipe da televisão, na parte da manhã.
Seguiu na Pampa até o ano de sua formatura, em 1991, quando recebeu o convite para atuar como gerente de telejornalismo da rede. No meio dos anos 90, com o enfraquecimento da Manchete, a emissora passou por algumas transformações, e a vida de Elton também.
Abrindo portas
A fim de ampliar relações e conhecer novos mercados, o jornalista embarcou para São Paulo e, em cerca de 15 dias, conquistou dois empregos. “Um deles era no Estadão, na editoria Cidades”, fala. Mas, depois de quase um ano e meio no frenético ritmo da capital paulista, Elton resolveu voltar para Porto Alegre. O motivo do retorno? “É muito diferente morar em São Paulo e ser turista. Olha o caos da cidade quando chove”, exclama, e descreve um dos transtornos causados pela chuva na cidade: “Um dia, às seis da tarde, de uma sexta-feira, fui impedido de pegar o ônibus para Porto Alegre em razão de uma chuva que fez o Tietê transbordar”, recorda, acrescentando que incidentes como esse são corriqueiros por lá.
Cansado de empecilhos, em março de 1995 Elton retornou a Porto Alegre e à Rede Pampa. Também entrou para a Rádio Bandeirantes, na qual escrevia o roteiro do ‘Band Informática’, “o primeiro programa voltado para essa área”, afirma. Não demorou muito para integrar a equipe da rádio Band AM. Passou pela Gaúcha, e no mesmo período foi assessor de imprensa do Conselho Regional de Contabilidade. Em 1996, largou esse último para fazer um pós-graduação, na área da Ciência da Comunicação, na Ulbra.
Seguindo a busca por novas experiências, ainda em 1996, Elton montou junto com Alexandre Pretzel o jornal de bairro Via Petrópolis. O informativo, que noticiava sobre os bairros Petrópolis, Santa Cecília, Rio Branco e Jardim Botânico, procurou apresentar uma proposta inovadora para a época: “Nós tentamos fazer um jornal diferenciado e, efetivamente, falávamos sobre aquela região”, conta. Das pautas realizadas, fala com entusiasmo da matéria sobre a construção da Perimetral. Além de reportagens e fotos, Elton era responsável pela diagramação do jornal, que alcançou uma tiragem de 5 mil exemplares.
No mesmo ano, começou a dar aulas na comunicação da Ulbra, onde há 10 anos atua como professor. “Dar aulas é uma troca constante, porque passo minhas experiências aos alunos, mas eles também me acrescentam e atualizam”, declara. Em 1998, atraído pela área de administração e marketing, começou um mestrado na universidade, que foi concluído em 2001.
Até 2002, quando teve sua carga horária reduzida na Ulbra, Elton ficou afastado dos veículos de comunicação. Durante esse período se concentrou apenas na vida acadêmica, onde, além de aperfeiçoar seus conhecimentos, os repassava adiante através de aulas e oficinas de jornalismo impresso, web e rádio web. “Depois de algum tempo full time na Ulbra, comecei a sentir falta de trabalhar em veículos”, relembra. Percebia que deveria voltar para o mercado, já que estava afastado desde 1997, quando saiu da Gaúcha para se dedicar a vida acadêmica.
E foi justamente a redução da carga horária que possibilitou o seu retorno a veículos. “Apesar da academia ser um ponto de encontro entre profissionais e teóricos, ela não acompanha o mercado. O mercado está sempre na frente. Enquanto eu trabalhava no estúdio da Ulbra com fitas, a Rádio Gaúcha já estava totalmente digital. E isso era uma coisa que me preocupava”, afirma.
E, novamente, foi a Rede Pampa de Comunicação que abriu as portas para recebê-lo de volta ao mercado. No início de 2003, entrou para a equipe do jornal ‘O Sul’ como editor adjunto e, em seguida, em junho do mesmo ano, assumiu a chefia de redação do veículo.
Hoje, aos 46 anos e depois de já ter passado por quase todas as áreas que compõem a profissão, o jornalista vê encantamentos diferentes em todas por que passou. “O rádio é muito legal pelo imediatismo, por outro lado, no jornalismo impresso, tu tem a oportunidade de montar o veículo, é algo mais elaborado”, diz ele.
A comparação com a rotina vivida nos tempos em que trabalhava com a informática é inevitável. “É claro que no jornalismo também existe rotina. Todos os dias tenho um jornal para fechar, um número de matérias para cumprir. Mas, ao chegar aqui sempre encontro um novo desafio”, comemora.
Nas horas de folga
“Eu tento ler, tento ver televisão, tento ir ao cinema e ao teatro”, ri ao listar o que gostaria de fazer nas horas vagas. As tentativas, algumas vezes barradas pela profissão, são em razão do dia-a-dia impreciso dos jornalistas, principalmente quando se atua como chefe de redação de um veículo diário.
Assim, “tenta” ler as biografias que mais lhe chamam a atenção na hora de escolher suas distrações preferidas. E avisa que gosta bastante dos clássicos como Assis Chateaubriand e Samuel Weiner. “Quando estamos abertos para conhecer alguém, seja pessoalmente, ou através de leituras, estamos aprendendo sobre a vida”, comenta.
Além da leitura, Elton diz que não abre mão do churrasco de domingo. Normalmente, em uma churrascaria na Getúlio, perto de sua casa, no bairro Menino Deus. Mas, quando o assunto é viagem, é o Nordeste que mais lhe desperta lembranças. “Já fui várias vezes pra lá, das capitais, conheço quase todas”. A praia de Jeriquaquara, no interior do Ceará, é para Elton um dos lugares mais bonitos que já conheceu. “Na primeira vez que fui, em 1994, não tinha nem luz elétrica. Cheguei na pousada e me entregaram um pacote de velas e uma caixa de fósforos”, recorda. Dá risada ao lembrar que acima da sua cama não havia três telhas. “Ainda bem que não choveu”, brinca.
Filho único e nascido em Bento Gonçalves, Elton Primaz se define como um homem honesto. Adepto, ou pelo menos interessado, pela doutrina espírita, ele crê que tudo o que se faz, volta. “Nesta, ou em outra vida”, diz. Atualmente, está lendo publicações espíritas e afirma que estas leituras lhe trazem respostas importantes, não obtidas com outros conhecimentos.
Além da busca pelo prazer profissional, Elton busca também o aprimoramento pessoal e, por isso, atualmente luta contra a sua autocrítica excessiva. “Hoje tento não me policiar tanto”. Mas, ainda na procura da perfeição, afirma que um dos planos para o futuro é realizar outro mestrado, ou até um doutorado, na área da Comunicação. “Temos que ter inquietude, não dá pra ficar parado. Se tu fica esperando as coisas acontecerem, 10 passam por cima de ti, tem que estar atento para o que vai acontecer lá adiante”, acredita.

