Foi em 13 de novembro de 1964, em Rio Pardo, que nasceu Gilberto Luiz Beckenkamp Della Giustina. Na pacata e histórica cidade, viveu até os seis anos de idade, até que, em busca de novas oportunidades, a mãe, Nelci, decidiu mudar-se para Porto Alegre. Gilberto era o filho caçula e veio com ela para a capital. O pai, Domingos, veio mais tarde com os outros dois filhos, Catito e Vani.
A infância foi dividida entre o Morro Santa Teresa, onde moravam, e as viagens a Rio Pardo para os encontros familiares. “Foi uma infância muito feliz entre a cidade grande e as idas a Rio Pardo, onde tinha leite de vaca tirado na hora, galinha pra colher ovos, rio para nadar, balanço nas árvores, a fruteira da família, os anões de barro feitos pela vó, a eletrola da tia, um monte de primo…”, conta. Em Porto Alegre, Gilberto aprendeu a gostar do barulho dos carros, do movimento. Surpreendente, revela: “Desde que saí de Santa Teresa, sempre procuro morar em grandes avenidas, sinto necessidade da agitação”.
Fazendo acontecer
O interesse pela comunicação começou muito cedo. “Minha mãe dizia que para eu ficar quieto era só me dar um pacote de bolachas, um copo de água e me colocar em frente à televisão”, diz. Ler histórias em quadrinhos também era uma diversão. Por isso, Gilberto optou por fazer, ainda no segundo grau, o curso técnico em Publicidade. Em 1983, prestou vestibular para Publicidade na Ufrgs e ingressou no curso. Formou-se em 1986, em Publicidade e Relações Públicas.
Pouco antes da formatura, foi trabalhar na área de marketing do Diário do Sul, extinto projeto da Gazeta Mercantil, onde ficou por um ano. Em seguida, entrou para o Grupo RBS. Foram 15 anos na empresa, sempre encarando novos desafios. Atuou como coordenador de pesquisa da Zero Hora, gerente de pesquisa na corporação, gerente de marketing da Net, gerente de marketing da corporação, gerente executivo da RBS TV Santa Cruz do Sul, e gerente de marketing da RBS Plus. Em todo este período, o que ficou de mais forte foram “os bons chefes e as excelentes equipes que tive”, faz questão de ressaltar.
A busca por novas atividades o levou a sair da RBS em 2003. Foi trabalhar como assessor de comunicação da CEEE. Um ano depois, recebeu um convite para fazer parte da equipe da DCS como gerente de Planejamento. “O D”Alessandro e o Beto (diretores da agência) me seduziram com o belo quebra-cabeças de construir um modelo de planejamento. E foi muito bom ter entrado nesta empreitada”. Hoje, com dois anos de agência, recebeu um importante reconhecimento pelo trabalho desenvolvido: assumiu o cargo de Diretor de Planejamento.
Celebrando a vida
Gilberto é solteiro e, enquanto não casa, dedica seu tempo aos amigos e à família. “Amo minha família de paixão. Meus irmãos são meus dois pilares”, afirma. O publicitário é um apaixonado pela vida. Adora festa, receber os amigos em sua casa ou encontrá-los em um bar. “Gosto de celebrar a vida”, afirma, explicitando um entusiasmo e uma paixão que se estendem ao trabalho. “Quando tu fazes alguma coisa que tu gosta é muito fácil deixar o trabalho invadir a vida pessoal”, justifica, deixando claro que não é um “workaholic”. “Não dependo do trabalho para viver, mas gosto muito de trabalhar”, explica.
Trabalho que exige conhecimento. “Vários universos alimentam a publicidade”. Por isso, sempre que pode, Gilberto aproveita para conhecer outros assuntos e lugares. E destaca a paixão por Nova Iorque. “Lá, tu te sentes no olho do furacão, é onde me sinto mais agitado e mais em casa.” Já quando o assunto é gastronomia, é pela Itália que o estômago e o paladar são atraídos. “Não nego as origens, gosto de comida italiana, todos os pratos na mesma mesa. Polenta, massas, lasanha, vinho… e do caldinho de feijão da minha irmã.” Defende a idéia de que paladar é uma questão de cultura –a gente aprende o gosto das coisas. E sua última fronteira é o cravo da índia. “Sinto de longe quando tem cravo da índia em algum doce, mas ainda vou aprender a gostar.”
Televisão continua sendo uma grande paixão na vida do publicitário. Seriados e documentários são os programas preferidos. No cinema, prefere comédias, e diz que “rir faz bem pra alma”. Da literatura, destaca as obras de Rubem Fonseca e Luis Fernando Verissimo (e a honra de poder trabalhar com outra grande escritora, a Claudia Tajes). Para ouvir, música eletrônica, samba, bossa nova e novidades. “Gosto de procurar coisas, pesquisar”. Aprender a tocar um instrumento – violão ou baixo – é um desejo que ele pretende realizar em breve. “Acho que qualquer idade é idade para aprender coisas novas, e a musicalidade faz bem para todo mundo.”
Troca de energias
Além da DCS, Gilberto é professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e garante que, no que depender dele, não vai deixar nunca de lado a vida docente. “Dar aula é muito recompensador. É combustível, é energia. Tu despende energia e recebe energia. Além disso, te obriga a organizar teu conhecimento e te dá um “feedback’ imediato, porque se tu não estás indo bem, os alunos te dizem na hora, com a cara”, avalia.
Para o publicitário, atitude, disposição e postura são essenciais para alcançar sucesso em qualquer coisa que se faça. “As pessoas têm que ter vontade de fazer as coisas. Isso faz toda a diferença”, garante. Traduzir a voz do consumidor para dentro da comunicação dos clientes é um dos desafios desse planejador que diz sentir-se realizado, mas jamais com o trabalho acabado. “Gosto do que faço, de onde faço, mas estou sempre olhando para frente para ver onde eu posso ser melhor.”

