Ele sempre soube que teria duas carreiras simultâneas na vida: Direito e Jornalismo. E não deu outra. Desde que prestou vestibular para as duas faculdades até hoje, Carlos Pires de Miranda, 54 anos, consegue conciliar tranqüilamente as múltiplas atividades demandadas por atuações tão distintas. Miranda, como é conhecido entre amigos e colegas do mercado, é advogado em um escritório da Capital, apresentador do programa Câmera 2, na TV Guaíba, e assina uma coluna de gastronomia no Jornal do Comércio.
Ele formou-se nos dois cursos com uma diferença de um ano. Em 1972, no de jornalismo, e um ano depois, no de Direito. A primeira experiência como jornalista foi ainda cursando a faculdade, como estagiário de Zero Hora, na editoria de geral. Miranda lembra até hoje de seus primeiros trabalhos como repórter do jornal, na cobertura das sessões da Câmara Municipal de Vereadores. Após um ano de atuação, já efetivado como jornalista, percebeu que o jornalismo não estava rendendo o suficiente para seu sustento, e decidiu atuar na área de Direito, em um escritório de advocacia. Em 1974, foi convidado por Juarez Fonseca e Lauro Schirmer, editores do Segundo Caderno de ZH na época, para escrever uma coluna de Gastronomia. “Eu não entendia muito sobre o assunto, mas como era um bom freqüentador da noite, jantando fora e tinha uma vida legal neste ponto, aceitei o desafio”, relembra ele. A oportunidade, naquele momento, veio a calhar mesmo, pois era uma forma de poder advogar sem abandonar completamente o jornalismo. “No espaço colocava informações e dicas sobre gastronomia, mas sempre com um espírito muito crítico”, diz. A parceria com Zero Hora, pela qual mantinha o vínculo com o jornalismo, durou 21 anos. Em todo esse tempo, atuou também como advogado no seu próprio escritório. Em 1995, insatisfeito com alterações feitas pelos editores do jornal no seu espaço, Miranda resolveu deixar de assinar a coluna de gastronomia que levava o nome “Pires de Miranda”. Porém, relembra, com saudade, das diversas confrarias de Gourmets que ajudou a criar em Porto Alegre durante a atuação como colunista. Após a saída de ZH, se dedicou à edição do livro “Receitas da Confraria”, da rede de Hotéis Plaza. Os tempos de TV No mesmo ano, Miranda aceitou o convite para participar do programa “Guerrilheiros da Notícia”, ao lado de Flávio Alcaraz Gomes, na TV Guaíba, no qual atuou durante três anos. A participação do jornalista como um guerrilheiro marcou o seu retorno para a TV, e, coincidentemente, para a Guaíba – a estréia dele na televisão foi, por um período curto na década de 80, no “Aqui e Agora”, também na Guaíba. Depois de poucos meses, foi contratado para apresentar um quadro de entrevistas, dentro do jornal do meio-dia da TV Bandeirantes. Com a criação do Canal Livre, da Band, Miranda passou a participar também de um programa de entrevistas durante a programação local do canal, onde atuou por seis meses. Já em 1999, o jornalista Clóvis Duarte o convidou para apresentar, ao lado dele, o Câmera 2, na Guaíba. Desde então, Miranda é dupla de Clóvis na ancoragem do programa que vai ao ar sempre ao vivo, das 22h30min à meia-noite. “Ali, eu tenho a oportunidade de fazer o jornalismo que eu sempre quis, com muita atualidade e interatividade”, destaca Miranda. Além de advogar e apresentar o programa, ele ainda tem tempo para escrever uma coluna semanal de gastronomia no Jornal do Comércio, cuja parceria já dura há cinco anos. A paixão pelo “timão” Apesar de ser porto-alegrense e de ter vivido sempre na capital, precisamente no bairro Moinhos de Vento, Miranda é torcedor fanático do time paulista Corinthians. A explicação para tanta devoção ao clube? “Eu sempre jogava futebol como goleiro e o melhor da época era o do Corinthians. Comecei a acompanhar os jogos e aí me tornei um fanático”, conta ele. Por isso, um dos seus passatempos, e também compromisso, é assistir aos jogos do Timão. “Eu não abro mão de assistir os campeonatos que o time estiver disputando. Sou fã mesmo”, declara ele, com uma boa gargalhada. Nas horas de folga, Miranda, que é separado, aproveita para ficar em casa “sossegado” ou realizar passeios, como viagens para Gramado e litoral catarinense. No sossego do lar, ele gosta de ler e assistir filmes. Nas preferências literárias declara-se eclético, dispensando somente leituras pesadas. “Eu leio de Código da Vinci até a História do New York Times. Gosto também de livros sobre história da imprensa e biografias." Viagens também fazem parte dos programas de fins de semana. Entre os passeios internacionais já realizados, destaca as visitas a Paris e Londres. “Eu gosto de tirar uma onda de parisiense ou de nova-iorquino. Fico lá durante um tempo vivendo a rotina deles, me divirto muito”, diz. Outra diversão garantida é cozinhar. “Eu sempre experimento as receitas que publico”, confessa. Miranda lamenta que, pela falta de disponibilidade de tempo, não está mais praticando atividade física. “Eu fazia caminhadas e corridas no Parcão. Mas há dois anos e meio minha rotina praticamente sepultou qualquer chance de praticar alguma atividade”, comenta. Para um futuro “a médio prazo”, Miranda sonha em residir em Florianópolis, na praia de Jurerê. “É um plano de sossego, depois da aposentadoria, quem sabe. Mas tem que ser muito bem planejado, porque não é bem assim transferir uma vida de 50 anos pra lá”, avalia. Ele acredita que sua filosofia de vida, “de viver um dia de cada vez”, garante um bom desempenho tanto na sua vida pessoal como profissional. Para ele, o segredo do sucesso é, além de trabalhar muito, estar no lugar certo na hora certa, aproveitando intensamente as oportunidades vislumbradas. “Acho que não dá para hesitar quando elas surgem. Eu não me arrependo de nada na vida. Estou muito contente com as atividades que exerço. A realização profissional só vem com a minha aposentadoria”, brinca Miranda.
