Perfil

Jakzam Kaiser: O gosto por desafios

Aprendeu desde cedo a respeitar as diferenças, se apaixonou por Florianópolis, criou uma editora, escreveu livros – e está sempre pronto para novas aventuras.

O nome recebido no batismo parecia indicar que Jakzam Dalla Leite Kaiser jamais seria uma pessoa comum. Nascido no Hospital Militar, em Porto Alegre, em 6 de dezembro de 1961, jornalista e antropólogo por formação, dono de editora por destino e aventureiro por vocação, Jakzam tem exibido ao longo de mais de 20 anos de carreira um talento multifacetado e uma invulgar capacidade de se adaptar aos desafios.

De ativista político a sereno empresário, de garoto travesso a sossegado chefe de família, de rebelde do Alto da Bronze a pai exemplar, Jak, como costumam chamar os amigos, levou ao paroxismo a alma mutante ao se tornar o único caso de que se tem registro de um colorado que virou gremista aos 20 anos de idade. “Mas o time do coração ainda é Manga, Claudião, Figueroa, Marinho, Vacaria, Batista, Falcão, Paulo César Carpeggiani, Valdomiro, Dario, Lula e outros como Bráulio, Tovar, Caçapava, Claudiomiro, Escurinho…”

Facilitou a mutação outra característica importante deste inquieto sagitariano: a tolerância. Cedo, aprendeu com o pai que ninguém tem de ser igual a ninguém, e que respeitar as diferenças é básico para uma existência em paz com os outros e consigo mesmo.

Escalas e portos

Jakzam iniciou sua trajetória profissional como revisor do jornal Zero Hora, em 1982. Os cabelos longos, os anéis, o colar de contas, o timbre maroto conviviam em harmonia com a seriedade e a competência no trabalho. Se o jeito moleque fazia suspirar as garotas, o lado profissional logo chamou a atenção de seus superiores. Em 1985, participou de uma seleção para vaga de repórter da editoria de esportes, foi aprovado e recebeu a primeira oportunidade das mãos de Emanuel Mattos, por quem mantém grande respeito e admiração e considera um de seus professores no jornalismo. “Em qualquer ramo de atividade, é fundamental ter um bons professores”, acredita.

Já no ano seguinte, foi trabalhar no Diário Catarinense, que a RBS acabara de lançar. Sua vida teve uma das várias guinadas ao se apaixonar por Florianópolis. Com a lealdade que costuma dedicar às suas paixões, nunca mais a deixou. De 1986 a 1988, a liderança natural o levou às funções de editor nas áreas de esportes e de variedades do DC. Mas sua vida profissional ainda passaria por muitas escalas. Foi redator da agência Equipe Propaganda (1989), trabalhou na Secretaria de Comunicação Social do governo de Santa Catarina (1990/91) na revista Expressão (1991) e na agência Via Comunicação, de Curitiba (1992). Em 1993 retornou ao DC, como coordenador de reportagem da editoria de economia.

Um caminho novo, e por enquanto definitivo, surgiu em 1994 quando, ao lado de Werner Zotz, criou a editora Mares do Sul, que deu origem a uma revista de mesmo nome e depois à Espírito de Aventura, em 2001. Jakzam e Werner, igualmente dotado de múltiplos talentos, jornalista, publicitário, fotógrafo, professor, escritor de aventura e de premiadíssimas obras infanto-juvenis, descobriram-se almas gêmeas profissionais. Juntos, criariam, anos mais tarde, a Letras Brasileiras, editora de livros de turismo, aventura e viagem que, neste ano, ingressa na área da literatura geral.

No ritmo certo

Depois de publicar, no mês passado, Aventura no Caminho dos Tropeiros, com textos de Jakzam e fotos de Werner, a editora prepara o lançamento de Gaúcho, o Campeiro do Brasil, um livro inédito de Barbosa Lessa, que lhe confiara os originais antes de morrer – com fotos de Leonid Streliaev –,  graças a uma amizade surgida quando Jakzam escrevia sua tese de mestrado em antropologia, O Brasil dos Gaúchos, em 1999. Publicada em livro, a tese, sobre o progresso e também a aculturação proporcionados pelo gaúcho na diáspora, provocou polêmica em Floripa. Radicado ou não, ele continuava sendo gaúcho. A obra será relançada, menos acadêmica, mas ainda instigante, no próximo ano. Por enquanto, prepara a publicação de Tempos Heróicos, um retrato de sua geração. Vem mais polêmica por aí.

Jakzam Kaiser é completamente urbano, totalmente rural. Muito apegado, completamente desapegado. A aventura, de todo modo, sempre prevaleceu em seu espírito. Com Werner, um traço da personalidade foi canalizado para a produção literária. Letras e vida ao ar livre, a combinação ideal. Aos 44 anos, o filho do caxiense José Manoel Delvair Kaiser e de Jurema (natural de Flores da Cunha), casado há 19 anos com Thereza, a Tetê, pai de Gabriel, 11 anos, e Felipe, 7, pega uma onda de vez em quando, não abre mão de um futebol com os amigos e está na estrada sempre que pode. De carro ou a cavalo.

A noite foi trocada pelo dia. Acorda às 6h, desperta os filhos com disciplina de quartel, leva-os à escola e segue para a editora, de onde só sai à noite. Rotina impensável anos atrás, mas Jakzam sempre se adapta. É preciso encorpar ainda mais a editora, expandi-la para outros estados, ajudar a fomentar o Instituto Letra Viva, conduzido por Tetê, destinado a promover ações de incentivo à leitura nas escolas e a formação de professores. Em 2007, virão novas aventuras, novos livros, novos negócios. Sempre com pressa, sempre sem pressa, no ritmo certo. No ritmo de quem aprendeu que tudo tem seu tempo.

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Autor

Redação Coletiva

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