Perfil

Juliano Pontes: O profissional do novo mundo

Ele é um descobridor de mercados e apaixonado por tecnologia e gosta da tranquilidade que o mar e o sol proporcionam

Exigente e criativo é como se define o jovem executivo Juliano Pontes Moraes. Aos 34 anos, o atual diretor de Novos Mercados da Aunica the Tagnology Company atua no segmento de tecnologia desde o início do desenvolvimento e da disseminação da infraestrutura de internet no Brasil – e, desde então, está sempre procurando novos mundos.

O fato de ser de uma família de publicitários não o demoveu da decisão de se formar em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em 1998. Mesmo jovem, assegura que já tinha uma noção do que estava por vir, e foi a busca por novos mercados que fez com que tentasse um aperfeiçoamento fora do Brasil. Pós-graduado em International Relations pela UCSD-CA em 2000, o administrador vislumbrou que no final da década de 90 as oportunidades cresceram, o que o incentivou a viajar e ganhar o mundo.

Filho do meio, do publicitário Julio César Coelho Pontes e da professora Vera Elvira Moraes Pontes, traz na lembrança os passeios com os pais, os jogos de futebol com os irmãos Heitor e Lucas, na praia de Xangrilá, e as competições de tênis, em que viajava competindo por todo o Brasil, como um período feliz da infância. Nas recordações também estão os tempos de primeiro grau na escola pública Anne Frank, no bairro Bom Fim, onde a mãe lecionava e estava sempre presente, acompanhando de perto o crescimento dos filhos. As lembranças desta época balançam suas emoções e a explicação vem com a confissão de que, há 12 anos, a imagem da mãe, que morreu devido a um câncer, só existe na lembrança. “Sinto muitas saudades da minha mãe, pois o último suspiro dela foi para mim, foi ela olhando no meu olho. Gostaria muito que hoje ela pudesse ver os filhos dela no caminho do bem."

A paixão pelo Internacional também é algo que mexe com ele. “Sou muito colorado, graças a Deus”, afirma. Toda família é muito fanática pelo Inter e sempre que pode acompanha o time do coração. Ele recorda que quando ainda era criança o pai contou uma história sobre a Cuca e o Bicho Papão, o que o influenciou na escolha pelo Inter: “Numa noite feia, de muito frio, ele nos levou ao Olímpico e disse que lá moravam estes monstros. Daí, no outro dia fez um baita sol, e ele nos levou ao Beira-Rio e disse que ali era o Inter, onde não tinha nenhum daqueles bichos”. Esta história virou um emblema na família e foi a forma que o pai achou de fazer com que os filhos se tornassem colorados mesmo. “Talvez eu até replique esta história quando tiver os meus filhos, para não correr o risco deles irem para o outro lado, e torcerem para o Grêmio”, brinca.

A união familiar é motivo de orgulho para ele, que cresceu ouvindo sobre comunicação dentro de casa. O pai está no mercado publicitário há mais de 30 anos com a JC Comunicação. Os dois irmãos também são formados em Publicidade e Propaganda e atuam na área. Foi a convivência com pessoas deste mercado que fez com que acabasse aprendendo um pouco sobre Publicidade, percebendo aí uma série de possibilidades e oportunidades para o segmento de tecnologia. “Comecei a ter percepções mais apuradas de que forma eu poderia empreender, entender melhor e participar ativamente dentro deste segmento.” Ele destaca que sempre correu atrás de seus objetivos e que nunca quis trabalhar na empresa do pai, mas a publicidade tem mudado muito, tem se desenvolvido, e devido aos novos formatos de mídia que surgem, a tecnologia se cruza com esta atividade e possibilita contatos quase diários com publicitários.

A primeira referência profissional se concretizou aos 17 anos, quando estagiou no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Depois esteve na Xerox do Brasil, e foi ali que despertou para a tecnologia. Lembra que na época a empresa estava lançando novas copiadoras e scanners, e ele acabou responsável por um pedaço do mercado de Porto Alegre, respondendo por tudo o que acontecia tanto no comercial como em marketing e tecnologia.

Ao deixar a Xerox, em 1997, resolveu montar a Moraes Pontes Comércio e Representação, que ficou ativa por três anos. Quando achou que precisava se aperfeiçoar mais em relações bilaterais, foi em busca de novos conhecimentos fora do País.

A vida lá fora 

Sempre muito independente, Juliano foi estudar, no ano de 2000, em San Diego, na Califórnia, onde trabalhou para pagar os estudos, dispensando a ajuda financeira que os pais tinham condições de oferecer. Foi para lá com dois objetivos, adquirir experiência profissional de outras culturas e cursar uma pós-graduação. 

A experiência profissional adquiriu trabalhando como intenship, ou seja, fazendo estágio dentro do World Trade Center. Como a atividade não era remunerada, acabou participando de muitos cursos promovidos pelo grupo e com isto aprendeu e aperfeiçoou o seu inglês. Três meses antes de acabar a pós, trabalhou em um zoológico de San Diego, como richshaw driver: puxava uma carroça com duas ou até três pessoas sentadas atrás e com isto conseguia a renda necessária para se manter e comprar seus livros. Por mais que tenha ficado com uma lesão que carrega até hoje, duas hérnias de disco, ele aponta este como sendo um período que o emociona e o orgulha, pois saiu da zona de conforto que tinha na família, aprendeu novas culturas e conquistou o que foi buscar. “Eu faço o meu caminho, sou muito crítico e exigente comigo mesmo, mas corro atrás daquilo que quero. Eu prefiro ser bom em alguma coisa que médio em muitas”, afirma.

Voltando para o Brasil, em 2002, trabalhou por sete anos com telecomunicação, no Grupo Brasil Telecom, onde participou intensamente do processo de implantação de todos os tipos de internet. Com isto, percebeu que o país resolvia bem a questão da infraestrutura, mas surgia, ao mesmo tempo, outro mundo de oportunidades que dependa do que se desenvolvesse na web. Foi aí que Juliano deu outra virada na sua vida profissional. Há quatro meses encontrou na Aunica o que pretendia em termos de trabalho e tecnologia. “O que eu procurava era puxar alguma coisa que o mercado tem necessidade, mas no qual é embrionário. E a parceria entre o Juliano e a empresa fechou todas, pois consegui enxergar a necessidade que eu encontrava de um grande mercado. E que estava, de certa forma, desassistida”.

Por se considerar um desbravador por natureza, aponta o fato de viajar bastante como outro fator compensador do trabalho, pois acredita que é descobrindo novos lugares, ambientes e mercados que aprendemos e conseguimos passar adiante o conhecimento. Isto, assegura, “é o que me desafia e motiva, fazendo com que meu olho brilhe”.

Entre os livros e o mar

Ficou casado por dois anos e está separado desde 2007. A separação, revela com sinceridade, foi algo que o fez sofrer muito. Desde que a relação terminou, sentiu a necessidade de se descobrir outra vez, e acabou encontrando um pouco disto nas viagens. A residência oficial está em São Paulo, mas costuma dizer que atualmente mora nos terminais dos aeroportos, devido à extensa agenda de trabalho que o leva a diferentes regiões do país.

Para se sentir realizado diz que quer ter uma família, com três filhos, uma esposa e uma vida longe dos terminais aéreos. “Nada faz sentido se não tiver isto, e aprendi e uso muito aquela frase que diz que é nos momentos das dificuldades que surgem as oportunidades.”

Nos dias de folga gosta mesmo é de estar em contato com o mar e o sol, praticar atividades físicas e esportes, que incluem tênis e surfe, e ler. Segundo ele, o sol e o mar lhe transmitem tranquilidade e fazem com que se sinta energizado. Assim, procura aproveitar os momentos de folga para atualizar seu Twitter e estar perto do mar, “pois acho que ele carrega as minhas baterias e a minha criatividade”.

Está lendo o livro ‘O Mundo é Plano’, escrito pelo jornalista do New York Times Thomas L. Friedman, que apresenta um tipo de entendimento sobre como o mundo se tornou sem divisas. Também costuma ler muito sobre tecnologias, o que o leva a recomendar aos amigos o livro ‘Como viveremos em 2015’, de Ethevaldo Siqueira. “Gosto de ver como nós no mundo estamos nos conduzindo como sociedade, claro que pegando alguns conceitos de passado, mas por estar envolvido com tecnologia, estou sempre em busca de algo sobre o futuro, ou seja, pra frente”.  Como crê no princípio de que o céu é o limite, seu desejo é estar trafegando neste mundo gigantesco de tecnologia nas próximas décadas. E, em 10 anos, tem como um desafio se tornar um profissional do mundo. 

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Autor

Redação Coletiva

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