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Caco Baptista: Socialmente responsável

Publicitário fala da vida em família e da satisfação em montar uma agência de propaganda

Por Patrícia Castro

É na sala de reuniões da Green Propaganda, um ambiente espaçoso e tranquilo, que o publicitário Luis Carlos Birnfeld Baptista, mais conhecido como Caco Baptista, recebe seus convidados. Mesmo sedo interrompido para a sessão de fotos, não perde a simpatia. Entre poses para fotografia, e sob a observação de uma plateia de colaboradoras da agência da qual é sócio-diretor, ele se mostra desinibido e à vontade.

É assim, sempre atento e sorridente, que se apresenta o filho mais velho da técnica em enfermagem Gilka Celina Birnfeld Baptista e do contador Iran Olivino Baptista. Nasceu em Porto Alegre, no dia 4 de fevereiro de 1965, e é com orgulho que se lembra dos passeios realizados com os pais, o irmão e as irmãs. A família gostava muito de acampar e iam para diversos lugares, do Rio Grande do Sul ao Paraná. “Tinha um casal de amigos dos meus pais que eram ‘campistas’ e sempre viajávamos para os mesmos lugares que eles, como uma grande família. Foi um tempo muito bom da minha vida”, recorda. Nesta época a principal diversão das crianças era montar sua primeira barraca: “Era como se estivéssemos saindo de casa pela primeira vez, pois deixávamos de dormir na barraca de nossos pais para termos uma só para nós”.

Ainda hoje a vida em família é muito valorizada pelo publicitário, que faz questão que a filha Sofia, 11 anos, tenha uma infância feliz quanto foi a dele. Ele é casado há 17 anos com a publicitária Cláudia Mainardi, que conheceu na praia de Pinhal, há 25 anos. Não se desgrudaram mais. “O nosso relacionamento tinha tudo para dar errado, pois quando nos conhecemos éramos muito jovens, ela tinha 16 anos, e morando em Santa Maria, e eu apenas 21 anos. Mas superamos as dificuldades e a distância, e hoje podemos dizer que o nosso amor foi um romance de praia que deu certo”, revela.

Vida a três

Nas folgas, a rotina do casal é dividida entre viagens para conhecer novos lugares, e para Santa Maria, em visitas à família de Claudia, e a Cidreira, no Litoral Norte, para visitar os pais dele. Caco só vê aspectos positivos aí: “Estas nossas viagens servem para convivermos mais com a nossa família. Acabamos saindo do pequeno mundinho de Caco, Cláudia e Sofia, para estarmos num universo totalmente diferente, em que acabamos resgatando a nossa infância também”.

Mais alegria e satisfação transparecem quando menciona a filha. Para ele, Sofia é a sua razão de viver e por isto se preocupa tanto com a sua educação. Um exemplo claro: “Atualmente o computador está dominando muito a vida das crianças, e nós queremos que a Sofia tenha uma infância um pouquinho diferente das crianças de hoje, com mais atividades ao ar livre e em conjunto conosco”. Alguns dias da semana à noite e aos finais de semana, o casal costuma correr nas imediações do Parque Marinha, sem desgrudar da filha, que os acompanha de bicicleta.

Também é comum ver o trio em restaurantes, cinemas e teatros de Porto Alegre. “Estamos sempre atentos ao Porto Alegre em Cena. Sempre procuramos atividades para fazermos nós três”. Eclético em relação ao gosto por filmes, Caco declara-se um apaixonado por músicas brasileiras, e cita o novo álbum do Pato Fu, ‘Música de brinquedo’, como um de seus preferidos.

Na leitura, despontam entre suas preferências assuntos relacionados ao Marketing e alguns livros que considera interessantes para acrescentar em sua vida. Como exemplo, cita ‘A lógica do Cisne Negro’, de Nassim Nicholas Taleb, e a ‘Minha trajetória: um vendedor no mundo dos negócios e da política’, de Moacir Volpatto, um dos clientes da Green. “Não é para puxar o saco, mas, mais do que conhecer sua trajetória, quero estar profundamente envolvido com a história dele e da empresa, pois a compreensão de sua lógica facilita o desenvolvimento do nosso trabalho para o cliente”, explica.

Entre as atividades que Caco usa para aliviar o estresse ainda estão a corrida, o judô e a acupuntura. “Corro sempre que posso, quero voltar logo para o judô, e faço acupuntura uma vez por semana pelo menos, para me equilibrar, e isto me faz muito bem”.

Indefinições superadas

Quando era criança, Caco lembra que queria ser lixeiro… Mudou de ideia a tempo, claro. “Eu adorava ver os caras correrem atrás do caminhão, mas saí da escola e fui fazer Geologia, depois troquei para Contábeis e depois para Administração na Ufrgs”, detalha, para logo explicar por que tantas alternativas: “Ali na idade escolar, talvez eu não tenha ainda descoberto que curto muito o que eu faço, por isto tive um momento de indefinição muito grande. Hoje, a certeza que tenho é que eu me achei na Publicidade”.

Era 1986 quando, jovem, começou a trabalhar como auxiliar de faturamento na Indústria de Adubos CRA. Objetivo bem definido do trabalho: ter dinheiro para poder viajar e encontrar a namorada, moradora de Santa Maria. Cursando Ciências Contábeis na Ufrgs nesta época, participou do programa de Jovens Talentos na Indústria de Fertilizantes Trevo. Acabou ficando menos de um ano por lá, pois foi selecionado no programa de trainee do Citybank, onde trabalhou como gerente de negócios no Personnal Bank por quase cinco anos.

Até ser entronizado nos encantos da Publicidade: em 1995, foi convidado pelos diretores da Parla Comunicação, Marcelo Rubin e Katia Arruda, para trabalhar na nova agência. A parceria durou oito anos, até ser convidado a participar de um projeto na Martins+Andrade. “Minha passagem pela Martins durou cerca de um ano, mas foi muito interessante. Foi lá que eu conheci o meu atual sócio, o Paulinho, e o Cado, que se tornou meu grande amigo”.

Caco ainda teve uma passagem pela Competence, em 2005, e pela Due Comunicação, por quatro anos, até montar a Green, em parceria com o colega Paulinho Silva, com quem conversava sobre o assunto havia pelo menos um ano. Encontraram na Green uma operação já ativa, pois era um braço operacional de atendimento do Carrefour. No ano passado, os sócios pagaram para ter autonomia e em seguida agregaram novas contas.

Foco na sustentabilidade

A ‘nova’ Green foi inaugurada em novembro de 2009, com uma equipe alinhada com o discurso da agência. “A nossa promessa só fica mais fácil de ser entregue quando toda a equipe compartilha dela e age em prol dela. Então só inauguramos a agência quando todos compartilhavam da mesma ideia”. Assim, não à toa, o nome da empresa está alinhado ao conceito de sustentabilidade e criatividade a serviço das marcas. “Trabalhamos o aprofundamento no negócio dos clientes B0e com a sustentabilidade como conceito de lucratividade para as empresas. Estas premissas estão muito presentes no nosso negócio. Isto tudo faz com que tenhamos um grande envolvimento para fazermos o meio ambiente dos clientes ser positivo, explica.

A rotina de trabalho dele é de quase 12 horas diárias. “É pesada, mas feita com gosto”, esclarece. Garante que se sente plenamente realizado em cada etapa que já passou até aqui, mas sabe que ainda tem muito o que fazer. Para os próximos 10 anos, sonha com uma difusão da marca Green em vários pontos, com amplitude de negócios maior e com outros serviços sendo agregados à agência. “Na minha vida pessoal quero ainda estar casado com a Cláudia e termos mais um filho, ou seja, estarmos cada vez mais juntos”.

O grande aprendizado que tem na vida pessoal e profissional, diz Caco, é saber que cada pessoa que passa por sua vida deixa alguma contribuição. “Esta pequena e individual contribuição de cada um”, explica, “é que me dá um balanço positivo dos meus relacionamentos, e que me faz mais feliz.”

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Redação Coletiva

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