Perfil

Ricardo Marquezotti: Um bravo lutador

Com mais de 40 anos no mercado, Ricardo Marquezotti orgulha-se da trajetória traçada até aqui

O título de ‘O profissional de Mídia mais antigo do mercado ainda em atividade’ enche Ricardo Marquezotti de orgulho, especialmente ao voltar 44 anos atrás, quando iniciou a carreira. “Estou vivendo um momento muito feliz. Especialmente agora, pois ontem recebi a notícia que serei avô.” A frase cai como uma luva para explicar o clima, e intensidade talvez seja a palavra que tenha norteado as lembranças. Em diversos momentos, o quase decano de estatura baixa se empolga, ri, dá gargalhadas, se emociona e relembra situações com riqueza de detalhes.

Nascido em 10 de abril de 1953, Ricardo registra tanta experiência em propaganda que nem dá para acreditar que a vida profissional começou como mecânico de máquina de escrever. Ao ouvir que “era muito bonitinho para ficar sempre com os dedos sujos”, foi indicado para trabalhar na Prodeco Propaganda e Decoração para ser office boy de Mídia. Começava a carreira da qual preenche seus dias hoje. “Eu simplesmente adoro o que faço. Tenho paixão pelo meu trabalho.” Com a empolgação da frase, dita após estufar bem o peito, ninguém duvida.

Relacionamento. Esta é a receita de Ricardo, que acredita em elogios, seja para receber ou para transmitir.  Para ele, quando há uma boa relação, não há por que não exaltá-la e, para isso, tem hábitos: fala, manda email, envia mimos, promove encontros. Acredita que suas relações foram mantidas por sempre fazer questão de atender bem aos clientes, parceiros e fornecedores. “Sempre falava para os meus guris (como chama até hoje as equipes que o ajudam) que eles deveriam atender a absolutamente todo mundo que bater na nossa porta, mesmo que seja para vender panfleto. Pois atrás daquela folha, há um profissional que precisa trabalhar.” Destes relacionamentos, destaca duas pessoas a quem faz questão de lembrar como amizades conquistadas no mercado, Itamar Graven e Ricardo Gentilini.

Acordo de 37 anos

Na sede da Eskritório de Comunicação, agência em que atua, ele mostra que tem facilidade para falar e se expressar e o sorriso é uma marca, mesmo quando recorda fatos nada empolgantes. Como foi o caso de lembrar a infância em que passou mais tempo com a mãe. Filho de casal separado, e, portanto, com menos contato com o pai do que gostaria, confessa sentir muita falta dele, que faleceu aos 55 anos. “Quando achei que era hora dele curtir meus filhos, ele morreu. É uma saudade que não tem explicação”, lamenta, visivelmente emocionado. E por falar em filhos, a tristeza logo dá lugar à felicidade. É que Ricardo começa a se referir à família que formou com a psicopedagoga Rosana, há 37 anos. “Tenho uma supercompanheira ao meu lado. É uma mulher fantástica”, derrete-se. A prole é formada por Ricardo Júnior, personal trainer de 34 anos (de quem Ricardo ganhará um neto); Felipe, 33, gerente de loja; e Fernanda, 26, que é bióloga.

Os momentos de lazer são sempre curtidos ao lado de Rosana. Aliás, para quem quiser fugir do casal nos finais de semana, ele dá a dica: “Vai para minha casa”, brinca, explicando que o lar é o último lugar que permanecem nos fins de semana e, há muitos anos, estipularam que estes dias devem ser dedicados à família. O acordo é cumprido até hoje. Sábado, por exemplo, é dia de faxina na casa – cada um se responsabiliza por algum afazer e a dupla arruma tudo. Depois disso, é hora de Ricardo tomar conta da cozinha, algo que adora. Na lista de especialidades, encontram-se diversos pratos, como peixe com molho branco, camarão, feijoada, paeja e churrasco lavado. Quanto a este último, faz questão de dar os créditos: “Aprendi esta técnica com o Nenê Zimermann (sócio-diretor da Starter Soluções em Mídia)”.

Quando chega o domingo, é hora de curtir e relaxar. Após o casal gremista participar da missa na capela do time tricolor, restaurantes, visita aos filhos mais velhos e até acampamento estão na lista de preferências de Ricardo e Alemoa, como ele a chama, apesar de em nada se parecer com uma, já que é morena. Os períodos mais extensos de folga geralmente levam os dois para um destino só, a casa da praia em Xangri-Lá. As viagens também agradam muito e podem ser de maior distância do que o Litoral gaúcho. Buenos Aires, por exemplo, é o próximo destino, para logo ali em julho. Já a Itália é uma vontade que será realizada em longo prazo pois o passeio está sendo planejado com bastante calma.

A inesquecível Símbolo

Foram 17 anos de atuação na agência Símbolo, de onde saiu por diversas vezes. Durante estes quase 20 anos de empresa, Ricardo foi demitido ainda quando era auxiliar de Mídia, já que cobria apenas o período militar de outro profissional. Voltou alguns anos depois, com a ajuda deste mesmo colega que tinha o posto oficial. Passados alguns anos, a DPZ, de São Paulo, estava estruturando uma operação em Porto Alegre e o assediou por duas vezes. Na segunda, não resistiu nem à proposta financeira, nem ao desafio. Não demorou para conhecer o outro lado do balcão: de lá, foi chamado pelo Grupo RBS com mais uma proposta irrecusável. Pegou a família pela mão e foi ser diretor de Mídia em Rio Grande, onde ficou por dois anos. Depois, foi transferido para Bagé, onde foram mais quatro.

Veio a vontade de ter a própria agência, mas a sonho durou pouco e Ricardo já não estava feliz. Foi então que, em 1977, ouviu da esposa que era hora de voltar. “Teu lugar não é aqui. Por que não vai para Porto Alegre e conversa com o Itamar (Graven, que na época era diretor financeiro da Símbolo)?”. Foi o que fez. Ao chegar na capital gaúcha, em uma quinta-feira, e conversar com o velho amigo, acertou o novo retorno e recomeçou o trabalho três dias depois. Apesar da felicidade de retornar para a empresa, por três meses teve que ficar em Porto Alegre durante a semana e passar os finais de semana indo para Bagé, pois os filhos e Rosana precisavam encerrar o ano letivo.

Foi também na Símbolo que Ricardo ganhou o prêmio de Profissional de Mídia do Ano, no Salão da Propaganda de 1988. “Concorri com profissionais bárbaros. Estava tão eufórico que nem ouvi quando me chamaram. Não consegui falar nada, além de agradecer. Quando voltei para perto da Rosana perguntei ‘Me aplaudiram pelo menos?’”, lembra aos risos. A estrela de ouro o acompanha onde quer que trabalhe, como pode ser vista na recepção da Eskritório de Comunicação.

Ainda constam na trajetória passagens pelas empresas Demison, MPM, Standard, agência Estúdio, Pampa, PPG, Starter e Duecom. Sem falar nas grandes contas atendidas, como Banrisul, Tumelero, Rua da Praia Shopping, entre outras tantas.

Algumas marcas

Uma situação marcante na vida de Ricardo, que o faz lembrar de detalhes, que o faz se emocionar e rir ao mesmo tempo, em uma clara mistura de sentimentos, foi a forma como surgiu o convite para trabalhar na Duecom. O primeiro contato não deu certo. Sem fechar negócio por conta de estar acertando a vida financeira e com medo de se aventurar novamente, resolveu tirar férias de onde trabalhava (na época, na PPG).

Uma ligação surgiu no meio do descanso e sentenciou: “Vou depositar um valor para que acertes a tua vida e, quando terminar tuas férias, tu começas aqui”. Pronto, com dívidas resolvidas e trabalho novo à vista, Ricardo finalmente conseguiu curtir o período com a família. “Tinha colocado gasolina no carro para ir à praia e combinado com a Rosana de andar de dindinho (espécie de ônibus, tradicional nas praias gaúchas), pois o combustível que restava era para o retorno a Porto Alegre”, recorda. O sufoco durou pouco, pois com a boa ligação recebida pôde se dar alguns luxos, conta, lembrando do enorme alívio sentido na época.

 Outro marco na vida de Ricardo mistura trabalho e saúde e colocou seu comprometimento à prova. Há cerca de três anos teve problemas cardíacos e, ao ser encaminhado para um hospital, soube que não poderia sair dele até ficar recuperado. Nervoso com pendências a serem liberadas naquele dia, conseguiu convencer o médico de que seria pior se ele continuasse internado e angustiado com o que precisava fazer, que ninguém poderia fazer por ele. Como resolveu? Combinou com o cardiologista que assinaria um termo afirmando que ele havia fugido do hospital, mas garantiu que até o meio-dia estaria de volta. Foi o que fez. “Não quero confetes por isso e nem aconselho ninguém a me imitar. Foi uma loucura, mas confesso que não me arrependo.”

Do que ele gosta

Aos olhos de Ricardo passam apenas leituras técnicas, nada de romances ou livros policiais, por exemplo, ele gosta mesmo é de títulos referentes à Comunicação, especialmente se forem focados em Mídia. Para filmes e música, o gosto é o mesmo: o filme dos Beatles, ‘Help’, foi visto cerca de 10 vezes, e ele garante que veria mais 10. O ritmo do quarteto que fez sucesso na década de 1960 também acompanha outros diversos cantores da mesma época.

Futebol é o esporte preferido, modalidade que praticou como goleiro durante boa parte da juventude. “Depois que atingi um certo diâmetro, larguei de mão”, brinca, alisando a barriga com as mãos. O gesto o leva a comentar que está controlando a alimentação e que emagrecer é uma meta de vida. Disposto a ter uma vida mais confortável, ele só garante um lema de vida: ter sempre objetivos. Para encerrar, diz com bastante empolgação: “Estou sempre aberto ao mercado. Esta é a minha vida”.

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Autor

Márcia Christofoli

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