Perfil

Natal Furucho: Um líder convicto

Executivo fala desde a infância difícil até o bom momento da Record no Estado

Ele nasceu no dia do Natal. A data inspirou a mãe, Coraci, que o batizou Natal Furucho. O sobrenome revela a origem japonesa do pai, Sadahako. E foi no Japão, onde o presidente da Record RS passou quatro anos, que aprendeu as lições que norteiam sua vida até hoje. “Ter disciplina, dar apoio a quem precisa, nunca deixar de aprender e respeitar as hierarquias.”

No Japão, também despertou para a arte da culinária. Para confirmar suas palavras, é na cozinha que concede a entrevista. Enquanto prepara um risoto de pequi (cuja receita esta registrada na seção Gournet), o brasiliense de nascença revela como veio parar no Rio Grande do Sul. Curioso assumido, diz que nunca fez curso de culinária. “Aprendi vendo os outros fazerem”, afirma. Desde cedo, a mãe ensinou: “Filho nunca cozinhe para que falte. Cozinhe para que sobre, porque se chegar mais alguém para comer você tem o que oferecer”. Premissa que ele segue até hoje.

Primeiros passos

De origem simples, o pai era motorista de caminhão e a mãe vendedora do Avon, começou a trabalhar aos 13 anos. Para conseguir ajudar com as despesas da casa, realizou um curso de mecânica no Senac e abriu uma oficina de bicicletas. O negócio não deu muito certo e, aos 17 anos, foi trabalhar como auxiliar de faxina em um laboratório de análises clínicas, em Brasília. O cargo foi conseguido pela mãe que, para ajudar o filho que tinha engravidado a namorada e precisava se casar, pediu uma oportunidade na empresa onde também trabalhava como faxineira.

Entre as recordações dos tempos difíceis, está a frase dita a uma prima na infância: “Um dia ainda vou ser rico e te ajudar.” Hoje ela cuida de sua fazenda em Goiânia. Além disso, ele pagou os estudos dos irmãos e ajuda alguns sobrinhos com a faculdade. “Sempre me esforcei muito para não me deixar dominar pelo sucesso. Aprendi a não pisar em ninguém. O cargo para mim hoje é como liturgia, só uso quando é necessário.” Assim segue, segundo ele, sem nenhum inimigo.

Como sua vontade de crescer sempre foi grande, aos 19 anos, se tornou chefe pela primeira vez. “Passava o dia observando o que os técnicos do laboratório faziam. Fiz cursos e passei a sugerir novas formas de trabaho." Na área da Saúde, também trabalhou no serviço público. Após oito anos atuando no setor, porém, decidiu trocar de ramo. “Tenho como princípio na vida trabalhar com aquilo que gosto, por isso fui atrás de outras coisas”, ressalta.

A importância da fé

Nos anos 90, passou a frequentar a igreja Universal do Reino de Deus. Na religião, buscou forças para ajudar a esposa Antônia, 45, com problemas de alcoolismo. “Entendi que ela precisava de apoio e não de recriminação.” Mais tarde, em 2002, seria ela a ajudá-lo. Natal precisou passar por um transplante de rim. O órgão foi doado por sua filha mais velha, Juliana, hoje com 27 anos. “Antônia esteve o tempo todo do meu lado, me dando força”, conta.

Em apenas quatro anos de atuação, tornou-se bispo da igreja Universal. “Eu sempre fui líder, desde menino”. Através da Igreja chegou à Comunicação. Convidado para gerenciar uma editora do grupo, a Universal produções, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na capital carioca, já formado em Comercio Exterior, cursou pós-graduação em Marketing e Jornalismo.

“Descobri que a fé é muito importante na vida do ser humano, principalmente para quem está na área de empreendedorismo”, diz. Sua experiência nos negócios o levou a escrever dois livros: ‘Como ser bem-sucedido na vida empresarial’ e ‘Como ser bem-sucedido na vida profissional’. As obras já venderam um milhão de exemplares. Parte da verba arrecadada com a comercialização dos livros, segundo ele, foi repassada a instituições de caridade. “Uma forma de retribuir tudo o que Deus tem me dado”, ressalta.

Pé na estrada

Com o intuito de levar a religião aos brasileiros radicados no Japão, Natal mudou-se para o país de suas origens em 1995. Lá, encontrou-se com o pai, fundou uma sede da Igreja Universal, aprendeu japonês e adotou duas crianças, Daniel e Débora, ambos com 13 anos atualmente. Além deles e da primogênita Juliana, formada em Recursos Humanos, e atualmente morando nos Estados Unidos, também é pai de Jonathan, 24, empresário em São Paulo.

Em seu retorno do Japão, chegou a morar seis meses em São Paulo, mas logo voltou para o Rio de Janeiro,retomando suas atividades na editora. Antes de mudar-se para o Rio Grande do Sul, há cerca de um ano, também passou pela gestão administrativa da TV Record na capital carioca e foi transferido pela empresa para Brasília.

A conversa segue na cozinha enquanto o aroma do risoto de pequi se espalha pelo local. Em meio a provas de sabores e dicas de culinária, Natal revela que seu lema é aprender algo novo diariamente. “Se no final do dia percebo que não aprendi nada, eu pego um livro para ler.” Entre suas obras favoritas estão ‘O príncipe’, de Nicolau Maquiavel, ‘A arte da guerra’, de SunTzu, e ‘A arte da prudência’, de Baltasar Gracián.

Homenagem

Parte do conhecimento adquirido repassa através de palestras. Furucho criou a ‘A magia do sucesso’, a qual já proferiu a cerca de 11 mil pessoas só no Rio Grande do Sul. Também apresenta o programa ‘Carreira e Sucesso’, aos sábados pela manhã, na rádio Guaíba. Na atração, dá dicas de carreira e recebe executivos que falam sobre suas trajetórias profissionais.

Contente com os resultados que vem atingindo no Estado – o Grupo Record já cresceu 40% desde sua chegada há um ano -, destaca que o povo gaúcho tem uma das culturas mais avançadas que já conheceu. Segundo ele, o que faltava para o Grupo Record no Rio Grande do Sul era promoção, referindo-se a um dos quatro ‘ps’ do marketing. “O gaúcho, como qualquer outro brasileiro, tem as suas peculiaridades. Estou trabalhando para evidenciá-las”, diz. Dentro da ideia de se adaptar aos hábitos culturais do Estado, ele já se arrisca a fazer churrasco e diz que foi muito bem recebido na Capital. Também foi indicado pelo deputado Carlos Gomes (PRB) para receber a Medalha de Mérito Farroupilha.

Nos fins de semana, são frequentes os jantares que promove para os amigos. Mas é no domingo, reunido com o clã, que faz suas novas experiências na cozinha. “Criança é muito sincera, por isso, sempre consulto meus filhos”, que, segundo ele, adoram ficar a sua volta. Além de dicas de culinária, ensina aos pequenos a importância da leitura. Com o intuito de estimulá-los a ler, em troca da mesada mensal, pede o resumo de um livro que tenham lido. Débora e Daniel sabem que são adotados. “Quando as crianças tinham sete anos, sentamos com elas e explicamos tudo. A verdade é sempre a melhor opção”, pondera.

Aos 45 anos, casado há 28, diz que já comeu de arroz com feijão a caviar ao lado da esposa. “Antônia se encaixou na minha vida como uma luva. Aprendemos a conviver com os defeitos um do outro e hoje temos uma união de sucesso”, destaca. Sobre o que ainda falta fazer, dispara: “Enriquecer.” Brincadeiras a parte, diz que quer ter mais tempo para dar aulas, tarefa que ele chegou a exercer por um ano. “Minha intenção é ajudar as pessoas a construírem um futuro melhor.”

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Autor

Vanessa Bueno

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