Por Patrícia Castro
Há mais do que alegria e simpatia no rosto da diretora comercial da revista Voto, Margareth de Freitas Santana, 52. As marcas que traz no rosto foram o resultado de uma brincadeira aos seis anos. Na época, a irmã mais velha de Meg – como gosta de ser chamada – brincava com um fogareiro. Ao abastecer o equipamento com álcool, o produto espirrou e o fogo saltou no rosto de Meg. Apesar das muitas cirurgias – a última em 1975 –, Meg diz que se conheceu assim e que a cicatriz é algo que faz parte dela. “Esta marca nunca me atrapalhou, nem na profissão, nem no casamento. Aprendi que, a partir do momento que tu te aceitas e gostas de si, todo mundo vai te aceitar e gostar de ti também”, diz a segunda filha da analista de sistemas Marlene Freitas e do agropecuário José Bonifácio.
Da infância, Meg também recorda das brincadeiras na cidade natal – Uruguaiana. Na época, ela corria de perna de pau e jogava bolita pelas ruas, além de andar a cavalo e comer frutas direto das árvores. Isso tudo na fazenda do pai. Ela descreve a própria infância como rica de experiências e de contato com a natureza. “Na minha casa tudo era natural”, afirma.
Quem inventou o amor
Casada há 24 anos com o engenheiro Álvaro Bernardes, Meg, que tem as filhas Carolina, 30 e Gabriela, 29, fruto do primeiro casamento, conta que conheceu o marido quando ele veio de Pelotas para trabalhar em Porto Alegre. “Álvaro ficou hospedado na casa da mãe dele, que era minha vizinha. Foi amor à primeira vista.” Ao lado do companheiro, passou a acompanhar disputas de rali e velejadas. Antes, nunca tinha entrado num barco. “Comecei a acompanhar outros esportes e aprendi muitas coisas que hoje tornam minha vida e meu casamento muito feliz”. Pouco mais de 10 anos de relacionamento, o casal resolveu ter um filho. “Há 13 anos nasceu o Caio que veio unir ainda mais a família”, diz a mãe-coruja.
Vida normal
Meg diz que nos dias de folga gosta de ir ao shopping. Dormir no sofá, com o Lobinho por perto, um cachorro da raça Yorkshire, também está entre os momentos de alegrias. “Gosto de ficar em casa, com a família e de coisas simples que todo mundo faz”. Caminhadas pelo Bairro Assunção fazem parte da rotina do casal, porém confessa: “Meu marido não gosta de caminhar comigo, pois quando estamos indo para o Clube Jangadeiros, sempre encontro alguém e paro para conversar, ou me distraio com alguma coisa”.
Velejadas pelo Guaíba é um dos passeios favoritos da executiva, assim como o contato com a natureza, que ela revela ser seu calmante natural. Nos finais de semana adora cuidar das plantas e da pequena horta, onde cultiva couve, rúcula, alface, salsa, manjericão, sálvia, cebolinha e outros temperos.
Sobre cinema, Meg diz que é eclética. Isso também serve para as músicas. “Gostamos de ir ao cinema, mas como o Caio é pequeno acabamos assistindo mais DVDs em casa, para que ele também possa participar.” Da literatura, confessa que os homens da casa é que são os devoradores de livros. “As mulheres são de perfumes e esmaltes”, brinca.
Letras e vendas
Meg começou a trabalhar depois do nascimento das filhas. Na época, cursava Letras, na PUCRS. Um dia foi convidada a oferecer joias de prata para colegas. Aceitou o desafio. Foi tão bem no novo ofício que acabou desistindo da faculdade. Tornou-se vendedora. Depois, passou a vender também roupas de malha até que, incentivada pela amiga Patrícia, se inscreveu no processo seletivo de telemarketing que o Grupo RBS estava iniciando, em 1994. Aprovada, foi contratada pelo gerente comercial da Rádio Gaúcha – na época, Sérgio Cunha.
Na empresa, vendia produtos desconsiderados pela equipe comercial, como vinhetas e datas comemorativas. “No começo foi bem complicado. Eu era tímida. Tive que vencer este empecilho para conseguir me desenvolver, mas aprendi bastante sobre a importância do cliente e a excelência da venda. Considero esta uma fase muito importante da minha trajetória profissional”.
Quatro anos depois, foi promovida para contato comercial e passou a visitar agências e clientes externos, o que lhe possibilitou adquirir ainda mais experiência na área. Tão logo concluiu o curso Intensivo de Marketing, na ESPM, foi promovida outra vez, agora para executiva de contas. “Como eu já tinha um conhecimento grande na área, passei a atender agências maiores e com uma carteira de clientes ainda mais importantes”, explica.
A profissional, que trabalhou por 16 anos na equipe comercial do grupo, diz que a RBS é uma empresa que valoriza e ajuda no desenvolvimento de funcionários. “Muito da minha bagagem vem desta escola maravilhosa que é a RBS”, elogia. Meg, que está sempre pronta para um novo desafio, acaba de assumir a diretoria comercial da revista Voto, a convite da diretora-executiva, Karim Miskulin. “Tenho certeza que vou me dar muito bem nesta nova etapa, pois é só um novo veículo. Todo o resto, trago na minha bagagem”, assegura.
Nada é por acaso
Entre os principais desafios encontrados na carreira, Meg destaca o fato de ter vencido a timidez e a relação do tempo, que precisa ser dividido entre o trabalho e a família. A profissional enfatiza que, entre suas qualidades, está o fato de ser justa e de sempre se colocar no lugar do outro para entender as situações. Ser detalhista e “cri-cri” em tudo que faz são, segundo ela, seus grandes defeitos.
Mesmo dizendo que é feliz com tudo o que tem e conquistou até hoje, confessa que não se sente uma pessoa satisfeita, pois ainda falta viajar o mundo. “Quero ter dinheiro e saúde para conhecer todos os lugares que não visitei”. Entre as metas para próxima década, está o desejo de ter felicidade sempre. “Aprendi a não fazer planos a longo prazo, pois a gente muda, amadurece e os valores passam a ser outros. Então o que eu quero mesmo é continuar sendo feliz”.
Como lema de vida, Meg acredita que nada nesta vida é por acaso. Para quem está começando, o conselho que deixa é: “Acima de tudo, seja verdadeiro sempre”.

