
A ascensão da inteligência artificial está transformando profundamente o SEO e obrigando anunciantes, agências e marcas a revisarem conceitos históricos de performance digital. Durante o painel ‘SEO na era da IA’, realizado no Find 2026, especialistas defenderam que métricas tradicionais, como volume de tráfego e número absoluto de cliques, já não traduzem sozinhas sucesso estratégico.
Mediado por Flávia Crizanto, sócia-fundadora da Experta e diretora do Comitê de SEO da Anamid, o encontro reuniu Caroline Helfstein, estrategista de Conteúdo da Niara.ai; Julia Neves, SEO da Optimiza Marketing; e Kesia Ramires, SEO da Termolar. Na abertura, Flávia apresentou dados oriundos de um relatório sobre o mercado brasileiro de SEO em 2026, desenvolvido pela Anamid. O estudo mostra que a busca digital deixou de ser apenas baseada em mecanismos tradicionais para se tornar conversacional, multiplataforma e mais complexa.
Segundo ela, três grandes mudanças já impactam o setor: a evolução da busca para múltiplos ambientes, o aumento da complexidade estratégica e uma crise nas métricas tradicionais. “Precisamos de novos números e novas formas de medir”, reivindicou.
Afinal, é SEO ou GEO?
O levantamento aponta que 80% das agências passaram a oferecer novos serviços impulsionados pela IA, enquanto 90% já adotam terminologias como GEO (Generative Engine Optimization), embora muitas vezes sem clareza consolidada sobre escopo ou diferenciação real.
Para Julia Neves, apesar das novas siglas e tendências, o fundamento permanece o mesmo: entregar relevância. “No final, ainda é SEO. O que muda são as plataformas, os formatos e a adaptação da estratégia para onde o consumidor está”, explicou. A executiva explicou que otimizar para mecanismos baseados em IA, como respostas generativas e assistentes conversacionais, exige estrutura técnica refinada, uso de dados estruturados e produção de conteúdo que dialoga tanto com buscadores quanto com inteligências artificiais.
No e-commerce, Kesia Ramires trouxe uma visão prática da transformação. Segundo ela, o foco deixou de ser quantidade de acessos para priorizar qualificação do tráfego e autoridade de marca. “SEO não é mais volume. O objetivo é trazer sessões qualificadas”, reforçou.
Menos cliques, mais vendas
Na prática, a Termolar registrou queda de 13% no volume de sessões, mas aumento de 14% na receita, resultado atribuído à melhoria da qualidade do público atraído. Para Kesia, conteúdos genéricos perdem força em um cenário onde diferenciação, profundidade e expertise real se tornam decisivos. “Se eu tirar a logomarca e esse conteúdo puder ser de qualquer empresa, então ele não é forte o suficiente.”
Caroline Helfstein, por sua vez, apresentou a visão da Niara.ai sobre produção de conteúdo em escala. Segundo ela, a IA reduziu drasticamente o tempo necessário para pesquisa, planejamento e definição de pautas, permitindo identificar oportunidades estratégicas em minutos.
No entanto, ela alertou que escala, sozinha, não basta. “O problema não é produzir com IA. O problema é produzir conteúdo sem contexto, sem autoridade e sem presença de marca.”
A executiva destacou que o novo SEO exige presença em toda a jornada de decisão, incluindo fóruns, plataformas sociais, comunidades como Reddit e mecanismos generativos, ampliando a necessidade de construção de marca além dos rankings tradicionais.
Revisão das métricas
Um dos pontos centrais do painel foi a revisão das métricas. Se antes o clique era o principal indicador, hoje aparecer em respostas, ocupar espaços estratégicos e gerar reconhecimento de marca também são ativos valiosos. “Estar visível já pode ser tão importante quanto ser clicado. O clique é métrica de vaidade em SEO”, sintetizou Julia.
A conclusão do debate foi clara: a era da IA não elimina o SEO, mas redefine profundamente sua lógica. O sucesso passa menos por volume bruto e mais por presença estratégica, conteúdo qualificado, reputação digital e capacidade de conversão.
Impacto para anunciantes
Para anunciantes, isso significa abandonar análises superficiais baseadas apenas em números absolutos e compreender que performance agora depende da qualidade da atenção conquistada. Em meio a promessas aceleradas e novos modismos, os especialistas fizeram um alerta comum: transparência, adaptação contínua e visão estratégica serão fundamentais para navegar neste novo cenário.
O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha, direto da Unisinos Porto Alegre, a segunda edição do Find, evento voltado a Branding e performance. Realizado em 29 de abril, o encontro reúne profissionais e especialistas para discutir tendências e práticas do setor. Durante a cobertura, como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, além de repercussão e conteúdos exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.

