“Vivemos a pior versão da internet até agora”, alerta Juliano Kimura no Find 2026

Palestrante defende que IA acelera uma nova revolução industrial, redefine marketing, automatiza processos e exigirá autenticidade humana

Na palestra ‘Recomendações na Inteligência Artificial: Propaganda na era da internet morta’ Juliano Kimura, especialista em inovação digital, chamou atenção para um ambiente digital cada vez mais contaminado por bots, automações e perfis artificiais, comprometendo a confiança nas interações on-line.“Vivemos a pior versão da internet até agora: uma internet medieval, onde já não sabemos no que confiar”, alertou.

Kimura propôs uma análise provocativa sobre o presente e o futuro da internet, defendendo que a sociedade vive hoje uma mudança mais rápida e profunda do que a transição promovida pelas redes sociais na última década. Para ilustrar a complexidade da IA, utilizou a metáfora do elefante e dos cegos: cada especialista enxerga apenas uma parte da tecnologia, enquanto sua dimensão real é muito maior.

Escala inédita em números

“A IA é tudo isso e mais um pouco”, afirmou. Segundo ele, a velocidade da adoção da inteligência artificial supera drasticamente a expansão das redes sociais. Enquanto plataformas sociais levaram cerca de 10 anos para consolidar impacto global, a IA atingiu patamares massivos em poucos meses, alterando profissões, modelos de negócios e relações digitais em escala inédita.

Kimura relembrou sua atuação no Facebook em 2014, quando o mercado ainda precisava ser convencido da importância das redes sociais, e traçou um paralelo com o momento atual. “Nos próximos anos, estaremos explicando por que é importante adotar IA, mas esse ciclo será muito mais rápido.”

Tecnologias de autenticação

Para ele, o avanço de agentes autônomos, clones digitais e produção massiva de conteúdo automatizado tende a aprofundar esse cenário, gerando um colapso de confiança. Nesse contexto, tecnologias como blockchain e sistemas criptográficos de autenticação deverão ganhar protagonismo para validar autoria, identidade e veracidade de conteúdos.

“Quanto mais IA, mais blockchain será necessário”, previu. Outro ponto central da palestra foi a ascensão da chamada “interface zero”, conceito no qual agentes de inteligência artificial passam a interagir diretamente entre si, eliminando etapas tradicionais de navegação e até reduzindo a importância de interfaces digitais convencionais, como websites e formulários.

“Se uma máquina lê seu site, por que ainda precisamos de interface?”, questionou. Kimura também apresentou aplicações práticas da automação em processos corporativos, como organização de arquivos, leitura de bases de dados, geração de propostas comerciais e análise semântica de informações acumuladas ao longo de anos de experiência profissional.

Segundo ele, a IA já permite transformar acervos pessoais e empresariais em ativos estratégicos de conhecimento. Apesar do entusiasmo tecnológico, o palestrante reforçou que o verdadeiro diferencial humano permanecerá na experiência, na sensibilidade e na autenticidade.

Nada substitui a experiência humana

“A IA pode ser infinita, mas será falsa. Ela não vive contexto, não sente e não substitui a experiência humana”, observou. Para Kimura, o futuro não será vencido apenas por quem dominar ferramentas, mas por quem souber combinar automação com valores genuinamente humanos.

Ao encerrar sua participação, destacou que a tecnologia transforma o “como” fazemos, mas não substitui o “porquê”. No cenário da propaganda, dos negócios e da comunicação, isso significa que as marcas precisarão não apenas adotar IA, mas também investir em confiança, reputação e humanidade para sobreviver em um ecossistema cada vez mais automatizado. 


O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha, direto da Unisinos Porto Alegre, a segunda edição do Find, evento voltado a Branding e performance. Realizado em 29 de abril, o encontro reúne profissionais e especialistas para discutir tendências e práticas do setor. Durante a cobertura, como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, além de repercussão e conteúdos exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.

 

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