
Na segunda edição do Fórum do Mercado e Indústria Digital (Find), profissionais da indústria criativa circularam pela Unisinos Porto Alegre, sede do evento realizado na quarta-feira, 29. Entre os participantes esteve Hugo Rodrigues, sócio da WMcCann, que conversou com o Coletiva.net sobre branding, comportamento de mercado e os impactos da Inteligência Artificial na comunicação e na construção de marcas.
Ao analisar o cenário atual, Hugo questionou a lógica de extremos que domina parte das discussões no mercado. Para ele, o branding não perdeu espaço, mas passou por transformações na forma como as marcas se posicionam e se conectam com o público. “Eu acredito que a gente vive numa era de trazer temas que são oito ou 80. E eu não acho isso bom. O branding continua tendo uma força absurda e marcas consagradíssimas usam isso com muita inteligência”, avaliou.
DNA da marca
Na visão do publicitário, o principal desafio está em respeitar a própria identidade. Segundo ele, mais importante do que seguir tendências é compreender o DNA da marca e construir uma comunicação coerente com sua essência. “O que você tem que respeitar é o DNA da sua empresa”, analisou. Como exemplo, ele cita organizações com posicionamentos bastante distintos, mas que conseguem estabelecer conexões claras com seus públicos. “A Havan tem um ótimo branding pro DNA dela. E a Lego também tem um ótimo branding pro DNA dela”, exemplificou.
Hugo destacou ainda que consumidores buscam cada vez mais clareza sobre o comportamento das empresas, suas causas e formas de atuação. “O que a gente quer é saber exatamente que empresa é aquela, como ela atua e se a gente se identifica com isso ou não”, comentou.
Exponencialidade no mercado
Durante a conversa, o especialista também refletiu sobre a velocidade com que marcas e negócios conseguem crescer atualmente. Segundo ele, a era digital potencializou processos de crescimento exponencial, especialmente entre startups e empresas de tecnologia. “Os aplicativos que se transformaram em unicórnios tiveram um arranque muito maior do que a média”, observou.
Apesar disso, Hugo ponderou que o crescimento acelerado nem sempre garante continuidade ou consolidação no longo prazo. Para ele, o mercado atual exige equilíbrio, análise e capacidade de adaptação constante. “É uma era da exponencialidade, tanto pro sucesso quanto pro fracasso”, resumiu.
IA exige discernimento
Outro tema abordado foi o avanço da Inteligência Artificial. Na avaliação de Hugo, a tecnologia não deve ser encarada de forma extremista, mas sim como uma ferramenta cujo impacto depende da forma como é utilizada pelas pessoas. “A IA pode ser usada para o bem, para o desenvolvimento, e também pode ser usada pro mal”, citou.
O publicitário defendeu que profissionais e empresas precisam desenvolver discernimento para utilizar a tecnologia de maneira estratégica e responsável. “É preciso analisar o contexto, entender o perfil do profissional ou da empresa e tirar o melhor da IA”, pontuou.
Para ele, em meio ao excesso de informações e opiniões polarizadas, manter a lucidez será uma habilidade cada vez mais necessária. “Ela pode ser Deus e também pode ser o demônio. Depende de quem está na direção”, concluiu.
O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha, direto da Unisinos Porto Alegre, a segunda edição do Find, evento voltado a Branding e performance. Realizado em 29 de abril, o encontro reúne profissionais e especialistas para discutir tendências e práticas do setor. Durante a cobertura, como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, além de repercussão e conteúdos exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.

