O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) publicaram um manifesto que repudia casos de agressão sofrida por jornalistas e radialistas na cobertura das enchentes no Rio Grande do Sul. No texto, a entidade afirma que os profissionais da imprensa exercem atividade da melhor forma possível e, em alguns casos, voluntariamente, para levar informação à sociedade. O conteúdo completo pode ser lido no site da entidade.
Em conversa com a equipe de reportagem de Coletiva.net, a presidente do Sindjors, Laura Santos Rocha, afirmou que a entidade recebeu ao menos oito relatos de profissionais que foram hostilizados durante o trabalho, mas a dirigente não revelou seus. Segundo a gestora, trata-se de um problema antigo, pois a população confunde a atuação dos jornalistas e trabalhadores da Comunicação com a linha editorial das empresas. “Agridem pessoas que também estão sofrendo nessa catástrofe climática”, lamentou.
Muitos dos relatos contam que os jornalistas estavam realizando a cobertura das enchentes em um determinado lugar e, devido à hostilidade, precisaram interromper o trabalho e se deslocar para outros ambientes. Também houve casos em que os profissionais interromperam entradas ao vivo por causa do tumulto provocado pelos agressores, que gritavam xingamentos às emissoras.
Casos conhecidos
No sábado, 11, a equipe do repórter Eduardo Paganella, da RBS TV, foi hostilizada durante a entrada ao vivo do ‘Jornal do Almoço’ e o profissional precisou interromper a transmissão. O também repórter da RBS TV Arildo Palermo recebeu ataques de moradores locais, em Porto Alegre, em meio à cobertura das enchentes, na quarta-feira, 8. Na sexta-feira, 10, o jornalista Leandro Demori também foi alvo de hostilidades durante o trabalho, quando pediu para filmar um mercado que estava alagado, e uma pessoa falou que “a imprensa é um lixo”.
Como denunciar:
O Sindjors reforça que é importante que o profissional agredido registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima, e procure o sindicato de sua região. Até a sede da entidade poder ser novamente acessada, uma vez que está inacessível por conta da enchente em Porto Alegre, os contatos podem ser feitos por meio do e-mail: [email protected]; WhatsApps: (51) 3228-8146, (51) 99174-3053 e (51) 9995-6295.
Liberação do corredor humanitário
O Sindjors pleiteou com a prefeitura de Porto Alegre, nesta sexta-feira, 17, a liberação do corredor humanitário, localizado no Centro Histórico da Capital, para os profissionais da imprensa. Porém, ainda na sexta, o prefeito Sebastião Melo (MDB), por meio de uma publicação nas redes sociais, anunciou que os veículos de passeio poderão atravessar a passagem, exclusivamente entre 22h e 5h.
A partir desta segunda-feira, 20, será permitido o tráfego de vans escolares, sem restrição de horários. Além disso, o corredor humanitário permite a circulação exclusiva sem limite de horas para ambulâncias; caminhões com suprimentos; Profissionais da área médica em atividades essenciais; ônibus intermunicipais e metropolitanos, com adesivo disponibilizado pela prefeitura; e viaturas em serviço e identificadas como prefeitura, governo do Rio Grande do Sul ou Federal e exército.

