Devido à falta de consenso nas duas primeiras rodadas de negociação do Acordo Coletivo 2022/2023, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) voltou a se reunir com o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Rio Grande do Sul (Sindijore) e Sindicato das Empresas de Rádio e TV do Rio Grande do Sul (SindiRádio). A terceira reunião foi realizada de forma virtual na manhã de ontem, 29, com a presença de representantes das três entidades. Contudo, mais uma vez terminou sem que nada fosse estabelecido.
Na ocasião, a diretoria do Sindjors pediu 100% de reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado do período de 31 de maio de 2021 a 1º de junho de 2022. A entidade representante dos jornalistas ainda sugeriu que os valores fossem pagos em duas parcelas – 1º de junho de 2022 e 1º de janeiro de 2023 – para os jornalistas que ganham o piso salarial. Para os que recebem acima, o sindicato pediu 90% do INPC, que também seria dividido em duas vezes.
A tesoureira Silvia Fernandes, que realizou a defesa da proposta, salientou que a intenção do Sindjors é recompor as perdas acumuladas por reajustes inflacionários ocorridos no último ano. “Também queremos evitar o escalonamento dos salários dos jornalistas que ganham acima do piso, para não achatar ainda mais os ganhos de profissionais que acumulam cargos de chefia ou que tenham construído uma carreira dentro das empresas”, defendeu.
Patronais respondem
Na mesma reunião, o Sindjore e SindiRádio também trouxeram propostas para a mesa. Contudo, as sugestões apresentadas não agradaram a presidente do Sindjors, Vera Daisy Barcellos, que entende que o objetivo das empresas seria o de “penalizar os profissionais” que recebem acima do piso. Foi oferecido pelas patronais o reajuste de 10,71% para quem ganha o piso, o que representa 90% do INCP; 8,33% para os que estão entre o piso e R$ 4 mil, equivalente a 70% do INPC; e 5,95% para aqueles que recebem de R$ 4 mil até R$ 6 mil, ou seja, 50% do INPC.
Ainda foi proposto que os profissionais que ganham acima de R$ 6 mil teriam um reajuste fixo no valor de R$ 357,00. No entanto, Vera Daisy acusou que o valor representa menos da metade do custo de uma cesta básica em Porto Alegre, que foi orçada em R$ 780,86 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em maio. Pela falta de concordância, o quarto encontro ficou marcado para a manhã da próxima quarta-feira, 6.

