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Fala de Onyx Lorenzoni contra Rosane de Oliveira gera repercussão

Candidato disse que jornalista deveria “se desculpar”, durante o último debate para o governo do Estado

Durante o último debate entre postulantes ao governo do Estado, promovido pelo Grupo RBS na noite desta quinta-feira, 27, o candidato Onyx Lorenzoni (PL) disse que a jornalista Rosane de Oliveira deveria “se desculpar” com o povo gaúcho. O episódio gerou repercussão nas redes sociais e usuários o definiram como “ataque”. 

Na primeira parte do quarto bloco, o tema do debate era Segurança. Onyx tinha pouco menos de um minuto restante para pronunciamento, enquanto Eduardo Leite (PSDB) tinha o cronômetro zerado. Onyx aproveitou, então, o momento para trazer à tona a política do governo estadual de controle à pandemia. O candidato do PL disse: “Tem uma coisa que eu estou esperando, Eduardo (Leite): é teu pedido de desculpas para a população. Eu respeito esta casa aqui (RBS TV), mas acho que tem uma profissional dessa casa, que também deve desculpas ao povo gaúcho, que é a Rosane de Oliveira, que lhe apoiou, dizendo que “tinha que ficar em casa, mesmo”, que o “fecha tudo” estava correto”.

Logo depois, quando foi iniciada a segunda parte do bloco, em que o assunto a ser debatido era Empregos, Onyx voltou a falar contra a jornalista, ao criticar, novamente, a política de enfrentamento à pandemia da gestão Leite. “O senhor, que destruiu o emprego de 500 mil gaúchos, com aquela política equivocada do senhor Pedro Hallal, lá de Pelotas, que é um pseudocientista. Um homem que só tem um objetivo na vida: destruir o presidente Bolsonaro. E que lamentavelmente o senhor e a senhora Rosane de Oliveira o promoveram”, disse.

Reação da jornalista

No momento, a comunicadora estava na sala onde ficavam as equipes de ambos os candidatos, e comentou o episódio em seu perfil no Twitter. “Onyx não responde quais são as suas propostas para a segurança. Faz outras perguntas. Agora na mudança de assunto fala de emprego e diz que eu (eu?) aqui devo desculpas ao presidente Jair Bolsonaro. Se entendi bem, foi pelas críticas que fiz à condução da pandemia”, escreveu. Em uma outra postagem, ela disse: “O pessoal aqui fez um alarido quando Onyx me citou e eu fiquei sem muita certeza do motivo pelo qual eu devo um pedido de desculpas. Me ajudem a entender”. Por fim, em um terceiro tuíte sobre a situação, Rosane publicou: “Quero meu direito de resposta, produção! Não sou candidata a nada. Mas faço, sim, muitas ressalvas à forma como o presidente Jair Bolsonaro lidou com a pandemia. Por que eu deveria pedir desculpas, se continuo achando que foi um erro promover aglomerações e debochar da vacina?”.

Após o fim do debate, Leite, em seu perfil no Twitter, saiu em defesa da profissional. “Sórdido, sorrateiro e revelador o ataque do meu adversário à jornalista Rosane de Oliveira, não é uma simples crítica à jornalista, é um ato de covardia machista, desleal e, acima de tudo, desumano. Solidariedade a ela e a todos os jornalistas do Brasil. Nós vamos vencer!”, escreveu. Onyx, no entanto, não se pronunciou em relação ao episódio.

Comunicadores criticam

Após o ocorrido, diversos comunicadores criticaram a postura do candidato do PL. Vera Magalhães, jornalista que foi alvo de comentários do presidente Jair Bolsonaro no debate entre presidenciáveis promovido pela Band no primeiro turno, comentou o episódio. “O candidato Onyx Lorenzoni escolhe uma profissional que não estava no debate para destinar seu ataque e mover contra ela os seguidores. É Rosane de Oliveira. Uma mulher, claro, como o seu chefe, o presidente Bolsonaro. Truculento, covarde e obscurantista”, publicou em seu Twitter. 

Kelly Matos escreveu uma mensagem de apoio à colega de emissora: “É uma profissional séria, competente e muito dedicada ao seu trabalho. Está há anos na cobertura política. São mais de 20 eleições no currículo. Aliás, é uma inspiração profissional para todas nós”. O jornalista e secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado, foi mais um a comentar o fato. “Faço questão de registrar aqui que a Rosane de Oliveira, ao lado de quem trabalhei diariamente ao longo de sete anos na Rádio Gaúcha, é uma das profissionais mais corretas com quem convivi e um exemplo para a nossa profissão”, escreve.

Resposta

Já nesta sexta-feira, 28, Rosane usou o espaço em GZH para publicar uma coluna em resposta a Onyx. No texto intitulado ‘Não sou candidata, mas fui citada e respondo’, ela explica sua posição criticada pelo candidato. Em um trecho, ela diz: “Critiquei, sim, e mantenho as críticas que fiz a Bolsonaro na condução da pandemia”. Linhas depois ela ainda escreve: “Embasei minhas convicções em dezenas de entrevistas com médicos que estavam na linha de frente”. No final, a comentarista política publica: “Em respeito aos parentes das milhares de vítimas e aos profissionais de saúde, não poderia deixar que o comentário do candidato transitasse em julgado”.

Sindjors condena ataque

Em nota oficial, em nome da diretoria, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sindjors) condenou o que chamou de “ataque misógino” à jornalista. Confira o pronunciamento: 

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS – Sindjors repudia que, mais uma vez, uma jornalista mulher tenha sido atacada por um candidato, durante o debate ao governo do Rio Grande do Sul, sem que esta sequer estivesse presente, apenas por se posicionar a favor da ciência, dentro de seu ofício que é o jornalismo de opinião. O candidato local, Onyx Lorenzoni (PL), reproduz, contra a jornalista Rosane de Oliveira, o discurso misógino e negacionista do candidato à reeleição de presidente, Jair Bolsonaro (PL), que apenas contribui para o aumento da violência em diversas esferas, em especial contra jornalistas, mulheres e professores universitários.

Pela ciência, educação, saúde, liberdade de expressão e de cátedra, pelo resgate dos direitos da classe trabalhadora, pelo Estado laico e democrático de Direito, pela liberdade de imprensa e contra a desinformação, é de extrema importância que todas e todos votem, neste domingo, segundo turno das eleições, para governador e presidente, escolhendo representantes que defendam esses valores.”

 

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