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O papel de Nádia Freire na história da pesquisa no RS

Nádia Freire, fundadora da Segmento Pesquisas partiu neste 23 de janeiro de 2016 deixando um grande legado para o mercado de pesquisa do RS. …

Nádia Freire, fundadora da Segmento Pesquisas partiu neste 23 de janeiro de 2016 deixando um grande legado para o mercado de pesquisa do RS.

Nádia Freire era uma concorrente, uma parceira, uma amiga. Mas antes de tudo, Nádia era uma inspiração!

Como socióloga a frente de um instituto de pesquisa tinha duas distintas, mas complementares tarefas: mostrar o papel de um sociólogo na gestão investigativa e a importância de um instituto de pesquisa para subsidiar a tomada de decisão de empresários, agentes políticos e formadores de opinião.

E a mais de duas décadas e meia atrás esta missão não era nada fácil!

Como socióloga, Nádia foi desbravadora ao persistir na manutenção do método como diferencial, seja na técnica de coleta ou no instrumento de pesquisa.

Procurou mostrar aos clientes que existe um recorte mínimo aceitável para a garantia da representação e que este recorte vai além do tamanho da amostra ou margem de erro. Sociologicamente a qualidade da coleta de informações está associada a execução criteriosa da metodologia definida, em todas as suas etapas, superando todos os vieses possíveis, incluindo debates como gestão de pessoas, fatos sociais atípicos, clima e logística.

Trabalhou na elaboração de instrumentos personalizados, utilizando as técnicas das ciências sociais na elaboração dos instrumentos de pesquisa em uma época que os questionários e roteiros eram elaborados de forma aleatória, com vários questionamentos desconexos ou utilizando a técnica do “cópia e cola” de outra localidade ou experiência, sem domínio explicativo do instrumento plagiado.

Como gestora de um instituto de pesquisa, Nádia teve a sensibilidade de perceber que o mercado, além de precisar da sociologia para garantir o método e a análise, necessitava que esta ciência estivesse à disposição da administração, do marketing ou das demandas do mercado. Assim, Nádia foi percussora em estudos de branding e lembranças espontânea de marca, como Top of Mind RS em 1991 e manteve sua empresa em constante processo de evolução, atendendo as demandas e acompanhando as tendências do mercado.

Este legado de utilização das ferramentas sociológicas com a gestão de uma empresa a serviço do mercado foi devidamente solidificado com o perfil pessoal de Nádia, seriedade, a ética e o comprometimento com o que fazia, elementos essenciais para o mundo da pesquisa.  Ela dedicou a sua vida ao mundo da pesquisa e o fazia com amor!

Nádia Freire era uma pessoa séria e dirigia a sua empresa de forma séria. Para alguns era uma fraqueza Nádia não ter adotado uma política agressiva de crescimento ou marketing, “investindo no mundo das aparências”, como se vê no mercado de pesquisa.

Para Nádia, a ciência era o elemento sine qua non, a competição era salutar e a parceria uma premissa! Parceria da qual tive o prazer de desfrutar na execução de alguns projetos em comum, ao longo dos últimos anos. Era um prazer trabalhar com uma profissional que me inspirava e propiciava uma serena simbiose. A maturidade de Nádia dizia que a técnica é a “rainha” e, portanto, quando duas empresas se juntam em um projeto, ambas estão subordinadas a mesma missão, ao mesmo propósito: utilizar a melhor técnica e dar o resultado analítico mais completo ao cliente.

Não podia deixar de falar de Nádia em minha coluna, não podia deixar de registrar a minha percepção sobre esta pessoa tão especial e de lembrar que esta profissional também era mãe e se orgulhava de ter formado um filho como seu parceiro e sucessor, seu porta voz: Ramiro Freire, profissional que está preparado para manter o legado de Nádia Freire e tocar a Segmento Pesquisa.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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