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O destino do décimo terceiro e o ajuste fiscal doméstico!

A cada dia é mais intensa a preocupação da população gaúcha com a crise econômica (em especial com a retomada da inflação e medo …

A cada dia é mais intensa a preocupação da população gaúcha com a crise econômica (em especial com a retomada da inflação e medo do desemprego), ampliada pela indignação com a crise política (escândalos de corrupção e malversação de recursos públicos) e que acirra uma crise social (falta de confiança/ credibilidade nas instituições).

Diante deste cenário de instabilidade econômica e receio, a primeira mudança no comportamento do consumidor se caracterizou pela diminuição do consumo por impulso, afetando as compras de produtos ou serviços considerados como supérfluos.

Preocupados com a ampliação de gastos gerados pelas festas de final de ano e com as contas do início do próximo ano, os gaúchos iniciam uma segunda mudança de comportamento, que incide no “ajuste fiscal doméstico”.

Este “ajuste fiscal doméstico” se caracteriza como uma mudança na tendência de comportamento do consumo, em especial, da nova classe C. Começa na reavaliação do cotidiano de consumo, desde a revisão dos gastos fixos, avaliação dos produtos substitutos ou até corte de despesas. As marcas secundárias, com preços competitivos, estão sendo reavaliadas pelos consumidores, que neste momento buscam produtos alternativos.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que 1/3 dos gaúchos estão mais endividados do que sua normalidade. O décimo terceiro salário deverá ser um “fôlego” no ajuste fiscal doméstico.

Neste momento, quando os consumidores gaúchos “pensam” no destino do décimo terceiro, há três grupos de comportamento:

  1. a) O primeiro pensa em “pagar dívidas” ou até mesmo “pagar as contas do mês”;
  2. b) O segundo grupo, temeroso com economia, pensa em “poupar”, ter uma reserva técnica, visando especialmente, o aumento das despesas no início do ano (como IPTU, IPVA, Escola…); e
  3. c) O terceiro grupo tende a investir em presentes ou comprar bens de consumo duráveis ou produtos para a família. Os consumidores afirmam que tendem a diminuir o valor dos presentes, “dando uma lembrancinha”. A tendência é que o Papai Noel seja mais “modesto” e o décimo terceiro ajude no equilíbrio do ajuste fiscal doméstico.

O décimo terceiro servirá como um “alento” para os gaúchos e subsidiará o replanejamento das férias, que deverá ocorrer utilizando as potencialidades das cidades, das praias próximas e até mesmo, estreitando a relação entre as famílias, resgatando as visitas ou passeios coletivos.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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