Neste momento vigora no comportamento da maior parte do eleitorado um alto nível de desinformação, de apatia, ceticismo e descrédito em relação à política. Os eleitores não acreditam nos partidos e na política e votam na pessoa, votam “em um candidato”, com base nas imagens e nas percepções que dispõem deste, depositando esperança e com a eminente sensação de frustração. Para 80% dos eleitores, que não acreditam e não se identificam com o “mundo político”, o personalismo político é muito mais importante do que a identificação partidária.
Em estudos realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verifica-se que o comportamento da maioria dos eleitores caracteriza-se:
- pelo seu ceticismo e descrença política, tendo em vista que os eleitores não confiam e não acreditam nos políticos;
- pelo distanciamento dos eleitores frente ao “mundo da política“. Como a população mantém um sentimento de “ineficácia política” e vive num clima de “indiferença informada”, não participa da política, mantendo-se em uma posição de desinteresse, num contexto em que a política é vista como algo distante e negativo;
- pelo voto personalista, dado a pessoa do candidato em função de sua imagem e seus atributos simbólicos. Como os eleitores não acreditam na “política” e nos partidos, mantém-se afastados do processo político, respondendo aos apelos das campanhas personalistas,”cumprindo” o voto obrigatório no que se denomina “tempo de política”.
Esta cultura política vigente, “alimentada” pelas relações pessoais de reciprocidade, pela troca de posts nas redes sociais e pelo noticiário cotidiano de denúncias, “cristaliza” uma percepção no senso comum de que a corrupção é endêmica e “faz parte do dia-a-dia de quem está no poder“.
A percepção negativa nutre as seguintes crenças:
– “A maioria dos políticos atua em causa própria” e qualquer pessoa que passe a ocupar o mesmo cargo estará sujeita à mesma permissividade;
– A corrupção no Brasil é antiga e independe do partido que está no poder. E neste cenário, um partido que assume o poder se iguala, automaticamente, aos demais.
O acirramento desta cultura política de descrença diminui o sentimento de “comunidade” e solidariedade e fomentará na eleição de 2016 a égide da mudança. Quando o eleitor pensa em mudança não está pensando, necessariamente, “em mudar de candidato”, mas em exigir “uma nova maneira de governar“. A priori, a mudança significa a necessidade de melhorias, “mudar o que está ruim, mudar para melhor”. A frase do eleitor é “fazer o que precisa ser feito”, ou seja, para o eleitor “é fazer as coisas funcionarem”.
O eleitor almeja mudanças na prestação de serviço (melhoras na saúde, na segurança, na infraestrutura…). Argumenta que, antes de pensarem em “serviços públicos de qualidade”, os gestores precisam pensar em “serviços públicos que funcionem”.
Pode-se dizer que os eleitores esperam por um:
- a) político que conheça os problemas da população (tenha familiaridade) e mostre soluções práticas (saídas operacionais para os problemas cotidianos);
- b) político que tenha pulso firme seja honesto e trabalhador (que se mostre como um líder capaz de colocar em prática a sua proposição);
- c) que apresente uma nova forma de administrar (que na prática contemple os itens acima: proposição factível por uma pessoa que passe credibilidade e tenha carisma);
- d) que proponha mudança na gestão ou na legislação (ações ou leis que visem a transparência na política, combatam a impunidade e travem a corrupção).
O eleitor “sonha” com um gestor que “faça o bem comum”, e tende a destinar o seu voto a quem se dedicar a esta meta, que é por essência a finalidade do Estado.
