Pouca gente sabe, mas a bordo das naus que descobriram o Brasil, além do Álvares havia alguns da família Alvarás.
Após o desembarque, os Alvarás viram que os índios chamavam o lugar de Pindorama. Pediram o registro aos índios, que deram de ombros. Foi aí que os Alvarás perceberam o potencial cartorial daqui.
A eterna fatura começa com o primeiro nome oficial do território descoberto, Terra de Vera Cruz. Que não pegou. Como o povo era inexperiente com alvará, o nome expirou num ano apenas. Aí, pra renovar, os Alvarás instituíram o superfaturamento. Que pegou. Isso, só pela mudança no meio, Terra de Santa Cruz. Santificada alteração: rendeu três anos de royalties aos Alvarás.
Para ampliar os ganhos nominais, os Alvarás só tiveram que olhar ao redor, para a abundância e as propriedades do pau-brasil. Os Alvarás logo capitalizaram a popularidade da lenha e da tinta – propuseram outra troca, essa de longo prazo. Ia exigir, claro, certidões seculares, pagáveis em berço esplêndido. De 1503 a 1824, os Alvarás enriqueceram e os descendentes se locupletaram. Assim os Alvarás e os alvarás se espalharam por todos os lados e coisas.
Organizados, os Alvarás implantam o sistema de arrecadação por ordem alfabética. Pra dar idéia da rentabilidade com todo tipo de licenciamento, basta a letra A.
O alvará mais certeiro foi sobre a alvorada. Era de baixo custo, mas o rendimento vinha na quantidade, afinal, todo dia tem alvorada. Quem não pagasse corria o risco de viver no dia anterior.
E como os lugarejos cresciam, as alvenarias tinham alvarás. Se quisessem lençóis mais brancos, alvarás para os alvejantes, assim como para a alvaiade dos sapatos. Queriam colméias? Alvarás pros alveários.
Nos transportes, principiaram por alvarás para embarcações de carga e descarga, as alvarengas. E daí para carroças e carretas; e os trens, carros, ônibus e aviões, quando viessem, que se preparassem para as pilhas de alvarás!
Na saúde, os alvarás taxaram antes de tudo os alvéolos: impossível respirar sem eles, e assim a população passou a pagar pela anatomia e fisiologia. Hoje, existem alvarás até para certas doenças, sem eles ninguém adoece.
O estado de espírito também sofre: alvarás para o alvitre e o alvedrio, e até para as alvíssaras. Isso tudo causa muito alvoroço, por isso já precisa alvará para se alvoroçar. A vida esportiva, inclusive, é afetada pelos alvarás: experimente ser alvinegro, alviverde ou alvirrubro sem licenciamento!
Meio dona do país, a família Alvarás taxa de A a Z. Pela ganância, são capazes de tudo, como se viu recentemente na letra B, de boate.
Em retribuição ao Brasil pela importação de médicos estrangeiros, bem que alguns países podiam importar pacientes brasileiros.
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CÂMARA ABSOLVE DEPUTADO PRESO. COM ESSE CORPORATIVISMO DOMINANTE, OS CONDENADOS SOMOS NÓS.
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Justiça seja feita ao Itamaraty: a diplomacia brasileira cometegafes internacionais mas todassempre dentro do protocolo. |
Bugigangas a granel
Engenharia e arquitetura são ciências exatas.
Por isso os prédios desabam com exatidão.
Defenda seus direitos com unhas e dentes,
sobretudo se lhe faltam unhas ou dentes.
Uma coisa a Expointer comprova todo ano:
ninguém nos ganha na produção de esterco.
Claro que existe cachorro boa praça.
Mas só até soltarem o bicho na praça.
Felizes são os espíritas, que sempre tiveram passe livre.
Antigamente era meu filho, meu tesouro.
Agora é meu filho, minha falência.
O Mercado Público queimou parcialmente
e reabriu parcialmente. Vai ver as novas medidas
contra incêndio também são parciais.
Seguir pelo bom caminho não é só questão moral.
Depende também da conservação das vias públicas.
Agora multam quem alimenta os pombos.
Ainda prefiro cocô na cabeça.
Pra saber o que acontece com quem tá se lixando
pra inflação, basta comprar lixas.
Neste inverno, termômetros tomam picolé de mercúrio.
Lei Anti-Terrorismo. Tem tudo para se tornar o maior terrorismo de todos.
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