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Ludwig

Ele compôs mais de 200 peças, desde pequenos opus, alguns tristonhos lieders e melancólicas e belas sonatas. Algumas expressando os tempos de solidão e tristeza, enquanto outras celebram a superação do melhor do espírito humano. Em seus últimos dias, Ludwig van Beethoven anotou em uma partitura que não conseguiu incompletar:

“Quem entender minha música

nunca se sentirá infeliz”.

***

Depois de suas monumentais sinfonias, a música nunca mais foi a mesma. Elas passaram a ser uma expressão do imaginário coletivo e da consciência que nos leva a enfrentar adversidades para alcançar ideais. A obra de Beethoven alcançaria um primeiro ápice com a Quinta Sinfonia, que desde a estréia em 1808, provocou perplexidade, estranhamentos e encantamento. Quando passou a ser tocada nas grandes salas, hipnotizando as platéias, ganhou fama de ter efeitos terapeuticos, acalmando cardíacos e estimulando a memória e a cognição.

A Quinta Sinfonia é reconhecida pelos primeiros quatro acordes, que simulam a batida do Destino à nossa porta. Os mesmos acordes iniciais que se tornariam universalmente céleebres ao serem usados pelas forças aliadas como senha na invasão na Normandia em 1944. E não por coincidência, identificados com a letra “V” do código Morse, sinalizando Vitória.

***

Mas a genialidade de Beethoven ainda iria mais além. Mais tarde, ele comporia sua última sinfonia, que, desde a estréia em Viena, foi aplaudida como obra prima. Que foi descrita pelos críticos da época como um “momento único e glorioso” na história da Música.

A Nona Sinfonia representou um esforço supremo para um Beethoven adoentado e com quase 60 anos. Ele a compôs de forma mental e intuitiva, pois estava completamente surdo e não conseguia ouvir as notas. Apesar de tudo – e talvez por isso mesmo – ele criou uma peça épica, uma louvação à Amizade e Alegria. Seu ponto maior é o Quarto Movimento, onde um coral recita os versos da “Ode a Alegria” de Friedrich Schiller:

“Abracem-se milhões de amigos!

Quem consegue o maior tesouro de ser

amigo de seu amigo e

conquistar a mulher amada!

Aquele que conquista apenas uma alma,

ganhou a única em todo o mundo!”.

***

 

Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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