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“Chegar aos 25 anos é uma grande vitória”, afirma diretor-geral da Radioweb

Em exclusiva ao Coletiva.net, Paulo Gilvane falou sobre a data comemorativa e os próximos passos da empresa

Paulo Gilvane celebra os anos do Grupo Radioweb, e conta que entre os planejamentos do ano festivo está uma convenção com a equipe. -Crédito: Arquivo Pessoal

Para o Grupo Radioweb, este é um ano de celebração. Em 23 de agosto, a empresa completa 25 anos de atuação. Com a proximidade da data, a equipe de Coletiva.net realizou uma entrevista exclusiva com o diretor-geral do Grupo Radioweb, Paulo Gilvane, para conhecer mais sobre a trajetória percorrida ao longo dessas duas décadas e meia, o significado deste marco para a equipe, os principais desafios enfrentados e as transformações vivenciadas pela empresa. Além disso, ele comentou sobre a programação comemorativa e as perspectivas para o futuro.

“Considerando a taxa de ‘mortalidade’ das empresas e a nossa inexperiência como empresários em 2001, que era zero, chegar aos 25 anos é uma grande vitória. Principalmente em se tratando de um mercado — o da Comunicação — que, até o começo dos anos 2000, era muito restrito”, relembrou Paulo. Segundo ele, olhar para a trajetória é motivo de comemoração.

O diretor recorda que os fundadores empreenderam sem conhecer modelos de negócio e sem domínio dos aspectos burocráticos e financeiros da atividade empresarial. “Eu sempre destaco que o primeiro azul que tivemos na planilha foi em 2006, cinco anos depois do início da empresa”, completou.

Como exemplo, Paulo comparou a experiência a colocar um avião para decolar e, depois, ir corrigindo o voo durante a viagem. Aos 25 anos, segundo ele, é possível dizer que a empresa atingiu o “voo de cruzeiro”. “Obviamente, você nunca se livra das turbulências. É preciso estar preparado para superá-las, e temos conseguido isso com uma boa margem de sucesso”, acrescentou.

Paulo relembrou ainda que a iniciativa surgiu a partir de um diagnóstico sobre a carência de conteúdo nas rádios, aliado à coragem de empreender e a uma visão de futuro. Ele se refere ao entendimento de que a internet, então baseada em conexão discada, cresceria exponencialmente. “E também à percepção de que o futuro da Comunicação passava, em parte, por essa ‘inovação’, que em 2001 era uma novidade, mas que hoje já precisa ser colocada entre aspas”, afirmou.

Desafios e transformações

O primeiro desafio, segundo o diretor, foi explicar ao público como o serviço funcionava. “Antes da internet, para fazer um áudio chegar a uma rádio, era preciso enviá-lo por telefone ou em uma fita K7 pelos Correios”, explicou.

Na época, era necessário detalhar que a empresa produzia conteúdos, disponibilizava os materiais em MP3 no site e que as rádios faziam o download dos arquivos para veiculação na programação. De acordo com Paulo, hoje isso pode parecer trivial, já que as pessoas estão familiarizadas com a tecnologia, mas, naquele período, a explicação era indispensável.

Com o passar do tempo, os desafios passaram a ser mais empresariais, relacionados à gestão financeira, à questão tributária e à estruturação da equipe. Também surgiram preocupações profissionais, como garantir a qualidade dos conteúdos e construir uma cultura organizacional baseada em parceria e acolhimento.

Conforme o entrevistado, a principal dificuldade sempre foi alcançar a sustentabilidade financeira da empresa: buscar clientes, explicar o serviço e suas vantagens, vender, pagar despesas, investir e manter a operação funcionando.

“Aí a gente descobre que a margem de lucro é pífia. Você começa no negativo, atrasando contas, evolui para um ‘empate’ e, quando consegue lucrar, fica entre 3%, 5% ou 10%. Acima disso já é um esforço hercúleo e, quando acontece, é motivo de comemoração”, comentou.

Segundo ele, a evolução financeira de uma empresa não segue uma linha reta e crescente. “É mais parecido com um eletrocardiograma, com subidas e descidas, às vezes muito drásticas, principalmente para baixo”, acrescentou.

“Assim, acho que o nosso mérito, sem falsa modéstia, foi acreditar no futuro da empresa e buscar qualificação para conduzi-la de forma a evitar o risco de fechar as portas ou virar apenas o case de uma iniciativa interessante que não deu certo”, afirmou. Para Paulo, mesmo uma boa ideia não sobrevive por muito tempo sem uma gestão minimamente competente.

Programação comemorativa

A empresa realizará publicações nas redes sociais voltadas ao público em geral, às rádios afiliadas, ao mercado e aos clientes. Além disso, nos dias 22 e 23 de agosto, toda a equipe será reunida no Rio Grande do Sul para uma convenção. O local e a programação ainda estão sendo definidos.

“O foco das atividades, além da confraternização, será o presente e o futuro da Comunicação, obviamente com foco no áudio, que é o nosso DNA”, explicou Paulo.

A previsão é de que a celebração reúna cerca de 70 pessoas vindas da Bahia (BA), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Paraná (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Santa Catarina (SC) e São Paulo (SP), além dos profissionais que atuam no Rio Grande do Sul.

Perspectivas para o futuro

O diretor também revelou os planos para os próximos anos. “Para nós, garantir um futuro duradouro pressupõe criar condições para que a empresa continue crescendo de forma consistente, inovadora, ágil e dinâmica. E, principalmente, seguir contribuindo para a Comunicação”, destacou.

Atualmente, somente por meio do serviço da agência de notícias, a Radioweb atende mais de duas mil rádios afiliadas, que somam mais de 120 milhões de ouvintes. “Levar informação e cidadania para todo esse público é o nosso principal compromisso e uma missão sempre desafiadora”, completou.

O objetivo, segundo Paulo, é manter e, se possível, ampliar a equipe, que atualmente conta com 70 profissionais. “É uma equipe madura, com idade média entre 35 e 40 anos, mas também formada por jovens talentos”, ressaltou.

Ele destacou ainda que a média de permanência dos colaboradores ultrapassa oito anos, o que demonstra, na visão dele, um ambiente positivo de trabalho. Outro ponto celebrado é a conquista de 110 prêmios de Jornalismo.

“Esse desempenho não é fruto apenas do trabalho do Jornalismo. Há também o apoio e a participação do administrativo, da Tecnologia da Informação (TI), do comercial, do jurídico e de todos os colaboradores”, afirmou.

Olhando para os próximos anos

Em uma perspectiva mais ampla, Paulo revelou preocupação com os ataques à imprensa, à ciência e à democracia. “Há também ataques às instituições em geral, agravados pela busca de saídas autoritárias”, avaliou.

Segundo ele, esse cenário confronta diretamente os valores defendidos pela empresa, como a democracia, os direitos humanos fundamentais, a diversidade, a proteção ao meio ambiente e a convivência pacífica entre as pessoas e os povos.

O profissional também destacou que, nos últimos quatro ou cinco anos, a empresa passou por um processo de reorganização interna, com a formação de lideranças intermediárias, criação de novos setores e maior integração entre as áreas.

Além disso, foi lançado um novo site voltado às rádios parceiras, e a empresa passou a atuar oficialmente como Grupo, com áreas específicas para atendimento a clientes, rádios afiliadas, mercado e público interno.

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