Tricordiano de nascença.
Triciclo precoce, aos 12 meses.
Tritongos, trinômios e trigonometria o encantavam na escola.
Trigueiro, como o tipo faceiro ao seu lado no bonde.
Trivial o seu gosto à mesa.
Trilhas sonoras, comprava todas que podia.
Tripedal, o andamento que mais gostava na equitação.
Trip era a revista que assinava.
Tripudiar nunca tripudiou, de ninguém.
Tripulante de avião por breve tempo.
Triz, o fator decisivo para sobreviver a acidentes aéreos.
Trincheira, escapou de ir, ao ser recusado no exército.
Tristeza, jamais aparentou.
Triplex, o apartamento dos seus sonhos.
Tríduo Carnavalesco, era onde se esbaldava todo ano.
Triunfo, cidade gaúcha, onde viveu a maior parte da vida.
Trinques, como via a própria aparência.
Tridimensional, o efeito especial que o atraía aos cinemas.
Trini Lopez, seu ídolo musical.
Tridente, um símbolo que o perturbava.
Triunviratos, o que mais estudava em História.
Tripa, só comia em parrilladas no Uruguai e Argentina.
Trivela, o passe mais habilidoso em campo.
Trinados ao amanhecer o faziam feliz.
Trienal, o aumento salarial no serviço público.
Trim, o creme que usava nos cabelos nos anos 70.
Tríades, o seu hábito de reunir cultura inútil.
Trigais de Vang Gogh, a reprodução na parede.
Tríptico, copiou um que viu no Margs.
Tributos pagava em dia, sem nunca sonegar.
Trimano era o seu ilustrador favorito.
Trinchar frango, uma habilidade de que se gabava.
Trios era o que ouvia, do Irakitan ao Tamba.
Trindade, a Santíssima, a sua devoção.
Tribal, a tatuagem que se permitiu, no ombro.
Triches, o único governador gaúcho que elegeu.
Tricéfalo, o cão Cérbero, o intrigava na mitologia.
Triceraptors o fascinavam no cinema.
Trifil, as meias que preferia nas suas mulheres.
Trinca de ases foi sua melhor mão de pôquer.
Trilobitas era o tema da sua coleção de fósseis.
Trieste, Tribeca, Trípoli e Trinidad Tobago os destinos turísticos.
Triatlo e salto triplo mantinham seus tríceps.
Tripé garantia seu hobby fotográfico.
Triglicerídeos contribuíram para uma aterosclerose.
Tricúspide, a válvula, complicou sua saúde.
Trimestre, o período terminal.
Trinta anos, toda sua existência.
Trilegal, o cara.
A tocha olímpica só chega ao país em 2016.
Mas desde já, e daqui até lá, na preparação
para o evento, vão atochar os cofres públicos
de roubalheiras, fraudes e falcatruas.
Dizem que criticar a esquerda serve à direita;
que criticar a direita serve ao centrão;
que criticar o centrão serve à esquerda.
Digo que nenhum deles serve pra nada.
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O primeiro emprego todo mundo tem
que correr atrás. Já o último emprego,
esse persegue todos os empregados.
Chamam de happy hour aquele momento
em que os funcionários saem da empresa
e vão pro barzinho pra falar de trabalho.
COLÍRIO IMPRESSO, EDIÇÃO #66/67
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Aguardada desde agosto, a Gráfica ilumina meu outubro. A periodicidade afetada pelo fim da parceria entre o editor Miran e a empresa editora, mais a greve dos correios, só fizeram valorizar a abertura do meu pacote exclusivo. É mais uma edição dupla, um deleite de capa a capa, deslumbre página após página. Na impossibilidade de descrever o conteúdo todo, é preferível citar as atrações principais: o grande Solda e seus cartuns de letrados e iletrados; as proezas gráficas do designer Marcos Minini; o portfólio do fotógrafo imigrante Arthur Wischral a partir dos anos 40; uma homenagem na seção Tipografia ao mestre inglês do design, Alan Fletcher, recentemente falecido, que é o pôster da edição. E isso tudo não é nem metade das surpresas e belezuras da revista. Mais desta e outras Gráficas, clique aqui. E para descobrir ou revisitar tudo que o Miran (meu querido amigo há 35 anos) é capaz além da Gráfica, acesse os 3 blogs desse genial paranaense: MiranDesign, MiranCartum e MiranIlustra. De nada. Suas retinas merecem.
A Crise tem suas proporções sociais:
nas classes mais altas, cada um sabe onde
lhe apertam as coleções de sapatos.
Sob o sol, cálido ou tórrido, a máxima
igualdade humana: nenhuma sombra
é melhor ou pior que a outra.
BUGIGANGAS CRUÉIS
A meu ver, a mais reincidente das crueldades mentais
é a maneira limitada como a maioria das pessoas
usa o próprio cérebro.
A injustiça é uma forma ordinária de crueldade.
Nisso, porém, a justiça, quando mal aplicada,
pode ser extraordinária.
Cada vez que alguém é levado a um gesto extremo
e deixa um bilhete de “adeus, mundo cruel”,
o mundo fica ainda mais cruel.
O casamento só persiste e subsiste se e quando
as crueldades dos cônjuges forem equivalentes.
Nas empresas, as chefias são estratégicos
postos avançados de crueldade, sempre
muito bem distribuídos pelo organograma.
A crueldade, como tática militar, é o exercício
onde os exércitos mais se exercitam.
Claro que dá pra disfarçar as crueldades.
Mas as vítimas continuam indisfarçáveis.
Etc.
Já notaram os bate-papos no rádio e na tv?
Mais batem que papeiam.
O coloquial morreu, já há algum tempo.
Com os tímpanos perfurados.
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O fim não está tão próximo assim.
Nós é que insistimos na aproximação.




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