| Mais uma comprovação dos malefícios do fumo: ele deixa histéricas as pessoas que não fumam. É o limiar de uma nova era persecutória.
Essa proibição de fumar em lugares fechados vai acabar mal. Não está longe o dia em que ninguém poderá fumar na própria sala, o lugar mais coletivo da casa. As residências terão que ter escondidódromos, cubículos na medida de uma pessoa em pé. Fumar às escuras no banheiro lembrará iniciação adolescente, mas serão adultos e idosos a evitar flagrantes no crime hediondo de espiralar nicotina. E vai piorar. Em breve as carteiras de cigarro deverão vir com focinheiras. Salivômetros medirão o sarro na boca do fumante. O excesso de alcatrão resultará em multas, aplicadas até no recesso do lar. Dedos amarelados serão informados do risco de decapitação digital, em nome da erradicação do vício. Tosses e pigarros serão condenados ainda na garganta. Um horror maior está por vir, verão. Como a faísca que acende o cigarro, todo abuso ditatorial começa assim – mínimo. Logo haverá papelada e carimbo para a compra de cinzeiros. Depois, o controle das tragadas mensais, e o ditame de dias de sexo sem aquele cigarrinho depois. E, mais cedo ou mais tarde, as intrusões na privacidade ocorrerão em locais abertos: praças e logradouros públicos com placas proibitivas, agentes adesivando a boca de quem bafora ao ar livre, camburões vigiando suspeitos de portar palheiros. E não vai ficar nisso. No futuro, depois que as tabacarias forem banidas e só houver cigarro no câmbio negro, os nascituros receberão vacinas anti-fumo. Na primeira inalação do alcalóide, uma convulsão provocará repulsa pavloviana no tragador. Na reincidência, famílias adotarão chip controlador, para disparar sirenes no acender de isqueiros e fósforos. A cidade soará paranóica mas os pulmões estarão preservados, para a sevícia do monóxido automotivo e da lixívia industrial. A diferença entre o contra-cigarrismo e o nazismo e o fascismo é que até os nazistas e fascistas fumavam. No resto, a histeria com o tabagismo já assusta, vide a restrição das liberdades. Nem o direito de alguém abrir um restaurante exclusivo para fumantes é respeitado. Típico de uma sociedade anti-social, intolerante com o livre-arbítrio. E é só o começo. Depois de sumir com os últimos filantes, o próximo alvo deve ser os falantes. |
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| A minha homenagem ao Bendati é a mesma que fiz em 1980, no meu único livro solo, Punidos Venceremos: “Agradeço ao Juarez Fonseca pelo meu início amador e ao Anibal Bendati pelo meu começo profissional. Assim, se alguém tiver alguma reclamação após a leitura do livro, que a faça a eles.“ Eu a repito agora porque o mérito permanece inalterado: gratidão, qualquer grato sabe, não prescreve nunca. É que em 1973, a convite do Bendati, passei a colaborar regularmente com um veículo pela primeira vez na vida, com inédito cachê a me encher o bolso e o ego. Na revista Carrinho (apenas uma entre tantas iniciativas dele) patrocinada por um rede de supermercados da época, o Bendati era um entusiasmado faz-tudo: pauteiro, editor, diagramador, ilustrador, impressor, distribuidor. E em todas as funções, o mesmo agitador cultural, alguém a contagiar a equipe com aquele humor de sotaque. Por tudo isso e mais uma lista de gracinhas, era fácil gostar do Bendati. Só que ele gostava muito antes e mais rápido das pessoas. (Leia no blog Tinta China, um tributo dos amigos da Grafar.) |
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O que é palitar os dentes em público, comparado a passar fome na frente dos outros? O que são as baforadas de milhões de fumantes, comparadas ao escapamento de milhões de veículos? O que é a falta de pudor, comparada com o atentado ao pudor? O que são algumas quadrilhas soltas por falta de celas, comparadas à imunidade parlamentar? O que é a dor de cotovelo, comparada à fratura exposta de um braço? O que são CDs do word copiados entre amigos, comparado ao monopólio do fabricante? O que é o pecado da luxúria entre os católicos, comparado à pedofilia dos padres? Etc. |
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