| Cadeia alimentar existe em qualquer sistema. Aprendiz voraz, o capitalismo adaptou da natureza a máxima que o maior come o menor. Nessa jângal de escritórios, a hierarquia funcional oferece um farto cardápio: cargos abaixo fornecem as calorias que engordam o poder acima. Assim, gulosos ou famintos, superiores (força de expressão) lambem os beiços ao mirar o teor protéico dos subordinados, enquanto salivam disfarçadamente na direção de seus saborosos comandantes. As refeições se sucedem, temperadas por feroz competição: o diretor se alimenta de supervisores, estes de gerentes, que se abastecem de chefes, que engolem subalternos, que se entredevoram todos. Empanturrados de prepotência, arrotam ordens e palitam os dentes com ossinhos submissos. Mas nem tudo é previsível na base da pirâmide. Lá sobrevive e resiste a rosnados um jovem animal – o office-boy. Que não é iguaria para quem busca ascensão à custa de crachás estraçalhados. No nada a perder do primeiro emprego, é capaz de cuspir nos predadores. E alguns office-boys desenvolvem caninos suficientemente aptos para chegar à direção de um banco nacional, um deles até alcançou a presidência do maior dos bancos. Nesse quase sempre cruel refeitório empresarial, só posso torcer pela inversão da lei da selva de lambri e fumê. Bom apetite, meninos! |
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O sapo provoca asco e a perereca causa nojo. Mas não um no outro. * Os pôneis são cavalos cuja serventia é deste tamanhinho. * Abelhas, maribondos, escorpiões e arraias usam ferrões pra defesa. Ferroadas gratuitas só o ser humano dá. *
Ruminantes ruminam várias vezes ao dia, a vida toda. Mesmo assim desconhecem o que seja ressentimento. * O pavão albino, coitado: esse não tem do que se pavonear. * O pior predador do vaga-lume também tem lume. São os enxames do vapor de mercúrio. |
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