O rio é uma correnteza que começa mínima num local chamado nascente, onde haja um manancial. No início, por haver menos resíduos nas redondezas da fonte, ele segue como um córrego, carregando as poucas impurezas que encontra, largadas ocasionalmente por gente que sobe até onde ele nasce. Depois, à medida que vai descendo, recebe mais porcarias e restos e sobras das pessoas que vivem junto ao seu curso. Aí, com um volume maior de coisas atiradas nele, vira riacho. Continua a descida, atravessa vilarejos, se aproxima das cidades. Aqui e ali, tenta uma corredeira mas é sempre alcançado pela sujeira. Então circunda instalações industriais, que despejam nele grande fluxo de detritos. Assim, em seu trajeto de dejetos, avança manso e triste, já é um rio pleno de nojeiras borbulhantes, com seus afluentes de detergentes. Mais adiante, já largo e coalhado de insalubridades, passa a ser abastecido por correntes contínuas de esgoto vindas de todos os lados. Corrosivo, rasga lentamente a crosta de podridão para seguir rumo ao estuário. Na foz, cercado de monturos fedorentos e pestilentos, tenta vencer as últimas barreiras insalubres, na ânsia de encontrar o alívio final, para o qual correm todos os rios. Sem forças nem para marolas, deságua suas toneladas de sacos plásticos num infinito depósito de imundícies. O rio chegou, enfim, ao maior lixão do planeta: o mar. |
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Ninguém esperneia tanto quanto a centopéia, exceto um brasileiro acuado. Piolhos viciados em xampu barato. Isso não passa de uma lêndea urbana. Toda vez que alguém comenta que este país está entregue às baratas, elas retrucam: Deus nos livre! Pulgas, percevejos, mosquitos, morcegos e carrapatos sugam sangue apenas para viver. Seriam péssimos banqueiros. Cooperativas costumam adotar colméias como símbolo da organização operária. Para as abelhas é só sinal de escravidão. O chato é um parasita que enche o saco das pessoas, mas não tanto quanto os sujeitos chatos enchem. Etc. |
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