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Sexo, sexy, seculorum

A natureza ainda não inventou afrodisíaco melhor que o sexo oposto. Em certos lugares, o sexo ainda é tabu. No corpo humano, por exemplo. …

A natureza ainda não inventou afrodisíaco
melhor que o sexo oposto.

Em certos lugares, o sexo ainda é tabu.
No corpo humano, por exemplo.

De todas as zonas erógenas, as mais conhecidas
são as daquelas moças que fazem estripitise.

Estão falando, de novo, em nova sexologia.
Isso não é uma antiga peça em um ato?

O apetite sexual varia de pessoa para pessoa,
mas o prato é o mesmo.

No oriente, a estatística que afirma haver toneladas de
mulheres para cada homem é conhecida como harém.

Meu Deus, o que será dos filhos dos assexuados?

Taí a revolução sexual pra todo mundo ver:
nas telas dos cinemas pornôs do centro da cidade.

O lado anormal dos psicopatas sexuais não é a tara.
É a popularidade.

Primeiro condenaram o sexo por amor; depois, o sexo
pelo sexo; só falta agora condenarem o sexo por dinheiro.

Quem pratica zoofilia é um animal.

Chama-se tabu sexual a compatibilidade de preconceitos
entre duas pessoas.

“Sexo sem exageros” – que conselho exagerado!

As marcas feias que me perdoem mas design é fundamental. “Design é o tributo que a arte paga à indústria.” Já extraviei a referência de quem definiu isso tão bem definido. Sem ser designer, me designo como apreciador do desenho industrial – quanto mais conforto pro corpo, pro olho, pro espírito, melhor. Daria pra viver sem design, claro, mas o preço seria um retrocesso brutal na civilidade cotidiana. Por isso, quando uma marca pisca pra gente, a gente retribui com o convívio com ela. Pela mesma razão, quando uma marca tenta nos conquistar, é bom examinar essa piscadela. Como agora, com o novo logo da Vale, ex-Rio Doce. Sólido e vigoroso à primeira vista, brasilidade e contemporaneidade a perder de vista. Seria aplaudido se não houvesse uma vaia nos bastidores da caríssima implantação desse logo. É que, como só cego não vê, essa concepção visual já existia. Com todo o direito da antecedência gráfica, a Vitelli não gostou da semelhança; a Vale reagiu, não com designers mas com advogados. Agora, em vez da marca da Vale se impor no mercado a partir do profissionalismo das pranchetas, tudo será decidido (se já não foi) no pouco criativo tapetão advocatício. Usem os argumentos que usarem, vão convencer o ouvido, não o olhar. Não importa se para calçados ou para minério, design bom é design original. Mas como não existe moral no capitalismo, bom design pode ser também o design jurídico. Um poder nada conceitual: o peso da nova marca é apenas econômico.

Só quem lê perde livros. Perde tanto os que leu quanto os que deixou de ler. Mas a maior perda que qualquer leitor pode ter é a leitura impossível de vir a ser feita. Não adianta procurar o título, não se fazem lançamentos de livros inexistentes, inútil ansiar por obras psicografadas. Pois um leitor dos mais argutos, o inglês Stuart Kelly, fez um monumental garimpo das perdas literárias pelo mundo afora, em todas as épocas: O Livro dos Livros Perdidos, uma infindável coletânea de escritos desaparecidos, projetos inconclusos, vaguidão sobre manuscritos sumidos, apenas a faísca no olho do escritor. É de se imaginar se o rol que o autor conseguiu não seria apenas o tênue brilho de uma outra galáxia de Gutenberg, invisível. O livro também faz pensar: qual o volume de uma compilação às avessas dessa, que arrolasse todas as porcarias que nunca deveriam ter sido impressas? E de todos os prazeres que este belo presente nos entrega, só senti falta de epígrafe à altura. Para mim, teria que ser a frase borgiana: Em algum lugar deve haver uma biblioteca com todos os livros que jamais foram escritos. De nada, Stuart. E gracias! (E para a engenhosa e instigante capa do sempre admirável Victor Burton, meu clap, clap, clap!)

Autor

Fraga

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