| Neste fabuloso planeta já se viu de tudo. Maravilhas, espantos, assombros. Milhares de milhares de anos o desconhecido ganhando entendimento. O inenarrável já foi narrado de tudo quanto foi jeito. O indescritível bem descrito e até reescrito. Gerações arquivando o melhor e pior de todos os tempos, no seu tempo. Horrores e delícias registrados no mármore e no bronze que compõem a areia dos séculos. Tudo já foi visto. Viu-se de tudo até agora. Houve povos que viram pela primeira vez nada antes antevisto. Mas a visão voltou a ser contemplada outras vezes, por novas civilizações. Abismados de hoje por coisas remotas, repetidas para platéias por vir. Milagres ocasionais, mistérios cotidianos, miríades de encantos e de sustos. Todo mundo já viu de tudo um pouco. De um tudo já aconteceu. Espetáculos naturais para anteriores e posteriores posteridades. A cada época, o privilégio de não saber o que virá, e ver o que viria. Tremendas oportunidades de tremer diante de hecatombes descomunais e colossais belezas. Arrepios e calafrios para imensas porções da humanidade. Tudo um dèjá vu reprisado. Menos para nós, aqui, agora. Pois já se anunciou que o nunca visto já está à vista. Questão de anos, quem sabe muitos mais que o previsto. A mais impensável das exclusividades. Horror tão único quanto trágico, definitivo. Muitos de nós, nossos filhos, netos e bisnetos, que horror, contemporâneos do fim dos tempos. Assistir ao fim do mundo, o mais hediondo de todos os privilégios. O que muitos deliraram mas ninguém viu. Ficamos assim catalogados: os últimos seres humanos a usarem seus olhos para a última das visões. |
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Bugigangas na calçada A universitária faz programa com idosos para pagar os estudos. Mestrado em línguas mortas. Atraente e sensual, ela explora a própria obesidade Se diz profissional do sexo mas é negligente Não parece difícil conquistar fama nas casas de Nenhuma prostituta pode reclamar de um cliente Respeitável meretriz a envelhecer no exercício |
![]() Enquanto isso, em Roma… |
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| Florais de Vasques Nem só de charges, caricaturas, cartuns, quadrinhos, ilustrações, capas de livros e sketchs vive a inspiração do meu talentoso amigo Edgar Vasques, pai do faminto e famoso Rango. Pra variar (como sempre varia em exposições), dia 27 (terça, a partir das 20:30h) o Edgar inaugura uma mostra de desenhos inéditos, originais em papel, no formato A3. É um convite a uma inusitada exploração botânica: são flores, plantas, árvores, mato, cenas luxuriantes de lugar nenhum. Quero dizer, da região que o Edgar mais conhece: a sua acurada memória visual. Um imaginário vegetal que impressiona pela exuberância dos espécimes e que, ao se observar bem, se descobre que jamais se encontrará tal matagal. A sensação é a de que nossa retina precisa abrir picadas por entre caprichosas composições figurativas para apreciar a mistureba profusa de troncos, galharia, folhagens, cipoal, corolas, arbustos, cachos, parasitas aéreos, frutos, raízes, tudo a remeter o nosso olhar para uma remota e sugestiva natureza, irreal e inexata. Dessa contemplação minuciosa, que desorienta pelo hibridismo e fascina pelo detalhismo, é feita uma viagem quase que científica, como num caderno de um estudioso muito aplicado e meio confuso. Essa artificial floresta tropical, realizada sem referências ou preparação prévia, se espalha por perto de duas dezenas de pranchas, a maioria em p&b, algumas a cores, nas variadas técnicas que o Edgar domina como só ele – caneta tinteiro, bico de pena (nanquim) e aquarela. Para quem desejar admirar em casa a obra de um dos maiores artistas gráficos brasileiros, todas as peças estão à venda. Anote: as Florais de Vasques estão ali no Café do Porto (Padre Chagas, 293), até 9 de abril. Como se diz em final de merecido elogio: não perca! Nem só de Rugendas e Debret vive a flora nacional. |
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