| O mundo se divide em práticos e teóricos. Claro, a divisão, além de arbitrária, é teórica; mas, não fosse, os práticos é quem tomariam a iniciativa de chegar prum lado. É que enquanto os teóricos levantam hipóteses, os práticos soerguem os halteres da realidade. Para os teóricos, a tese é tudo; para os práticos, tudo é a prova. Visões inconciliáveis. Se tiver que haver acomodação nos pontos de vista, os teóricos falarão de ilusões de ótica enquanto os práticos irão logo ao oftalmologista. Mas, na vida, ambos se ajeitam. Questão de postura: os teóricos permanecem como estão e os práticos experimentam desde mímica até expressão corporal. Em comparações mal comparadas, assim são eles: Os teóricos calculam a trajetória e a velocidade da bola parada para furar a rede da especulação esportiva. Os práticos fazem o gol. Os teóricos lançam propostas de melhor produção agrícola, baseadas em elucubrações entre fertilizantes inviáveis e terras irreformáveis. Os práticos têm horta no quintal. Os teóricos avaliam as possibilidades da luz no fim do túnel, medem a curvatura das trevas, pesam a massa do lúmen. Os práticos empunham lanternas. Os teóricos conjeturam atitudes ideais para os tempos desgovernados que vivemos, encaminhando soluções para o que não virá ou resolver o que já passou. Os práticos iniciam protestos, organizam passeatas. Os teóricos são agrimensores da margem dos acontecimentos. Os práticos estão no burburinho, são o alvoroço motriz do redemoinho. Os teóricos congelam as possibilidades, estacionam as chances, aprisionam o curso das coisas. Os práticos cutucam o acaso com vara curta, atiçam o inesperado, furungam o imprevisto. Os teóricos agem pela inércia. Os práticos ficam quietinhos a mil. Os teóricos discutem a grandeza solar, as manchas invisíveis e os raios que o sol nem enviou ainda. Os práticos se bronzeiam ou compram chapéu panamá. Os teóricos adotam a ideologia da saliva, o partido do lero-lero. Os práticos revolucionam. Enfim, os teóricos projetam sua atuação na quinta dimensão. Os práticos são protagonistas aqui e agora. Assim são uns e outros, na prática e na teoria. | ||
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| Pensar antes de atirar Não atire verde pra colher maduro. Nenhum fruto amadurece pra consumo no breve tempo em que sobe e desce. E geralmente se esborracha no chão. Não atire seus tantos anos de vida pela janela. Já pensou se caem justo sobre um recém-nascido? Não atire pedra no telhado do vizinho. Antes, verifique se ele não dispõe de um arsenal geológico maior que o seu. Não atire a culpa de qualquer coisa nos outros. A irresponsabilidade é o bumerangue mais certeiro que existe. Não atire um limão na água. Com tantos agrotóxicos, é provável que você acabe multado por poluir. Jogue-o num copo de caipirinha. Não atire merda no ventilador. Não há nada tão anti-higiênico quanto um tufão de bosta. A menos que seja metáfora. Não atire um pau no gato. Se há uma coisa que as sociedades protetoras dos animais não perdoam é maltratar bichanos. Cantar a musiquinha infantil já é sofrimento bastante pros felinos. Não atire uns contra os outros. Se os outros percebem que você brinca com a lei da gravidade, algo grave farão com você. Etc. | ||
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| AMBIGRAMATICES Saiu o resultado da edição de outubro do Nagfa Ambigram Challenge (NAC #3), o desafio internacional de ambigramas desde Singapura. É uma iniciativa do criativo e produtivo casal ambigramista Naguib & Fadilah. O tema do mês foi Mitos e Lendas e a frase, Magic Trick. A edição do NAC #4 será divulgada a partir de 1º de novembro. As informações básicas – tema, frase, datas, link para inscrição – darei aqui, semana que vem. Aqui, uma seleção dos participantes que me agradaram. Para ver a galeria completa, clique aqui. | ||
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Magic Trick de Cleber Faria (Brasil) | Magic Trick de Fraga (Brasil) | |
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Magic Trick de Derrenleepoole (Inglaterra) | Magic Trick de Robert Maitland (Canadá) | |
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Magic Trick de Nagfa (Singapura) | MagicTrick de Onetrickpony (EUA) | |
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Witch de Derrenleepoole (Inglaterra) | Mãe Iara de Fraga (Brasil) | |
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Minotaur de Homero Larrain (Chile) | Minotaur de Nagfa (Singapura) | |
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Dragon de Serpiente (México) | Dragons de Robert Maitland (Canadá) | |
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