O homem, esse bicho com local exato – o pior – entre as piores espécies e lugar incerto no amanhã, é um animal preposicionado: se acha acima dos seus semelhantes, costuma estar sob fogo cerrado, a maior parte abaixo da linha da miséria, vira e mexe entre o fogo e a frigideira, coloca ou é colocado debaixo do pau, freqüentemente aparece contra as expectativas (suas ou alheias), ora se imagina à frente do seu tempo ora se julga atrás do último dos moicanos, com esperas desesperadoras e também sem esperanças, insatisfeito desde então até sei lá, comumente no meio do tiroteio, sob o poder dos pôncios pilatos, lado a lado no consumismo e na mesquinharia, ou fora de si ou dentro das convenções, geralmente à esquerda de quem tortura mas inevitavelmente à direita de quem é vanguarda, sempre indo freneticamente para ou vindo desconsoladamente de, há milênios defronte da ganância e há séculos de costas para a própria decadência, quando pode cai no entremeio da corrupção, quando dá vontade fica detrás do buraco da fechadura, pecador ante a maçã e artista perante a pêra, cicerone no fundo do abismo, anfitrião no alto das ilusões. Enfim, qualquer que seja a preposição, a posição do homem é a do animal perdido. Por isso não pondera. Só prepondera. | ||||||||||||||||||||||||
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Constatações repetitivas No íntimo, no íntimo, todo ego é cheio. Na lata, na lata, toda franqueza é fachada. No fundo, no fundo, todo poço é raso. No sério, no sério, todo palhaço é desgraçado. No duro, no duro, toda ereção é mole. No fim, no fim, todo final é infeliz. Etc. | ||||||||||||||||||||||||
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Mono Se somos mesmo descendentes dos primatas, não tenho certeza científica (me acho, como dizer, um similar). Mas é inegável que na nossa cultura há evidentes sinais da cultura deles. São resquícios de sua indústria, suas técnicas, invenções e até da sua biologia. E não me venham com resistência, achando que é só coincidência de vocabulário. E se estas palavras foram incorporadas à nossa língua através da influência deles, como o foram tantas outras de outras raças e culturas? Não respondam. Tento apenas elucidar o translúcido das nossas origens. Darwin não teve tempo de sacar essa. Monoácido – Produz a azia atávica. Monobloco – Veículo para transportar orangotangos com mais conforto. Monotrilh o – Vem das era antigas, quando os símios inventaram a roda. Uma só. Monocéfalo – Pessoa que possui apenas um hemisfério cerebral. Muito comum em chefes, gerentes e supervisores. Monocelular – São os macaquinhos que a gente só vê no microscópio. Monociclo – Por causa desse original meio de transporte dos nossos antepassados foram criados os números circenses. Monócito – É a maior herança que recebemos: o pus que desceu das árvores. Monocórdio – O pai dos instrumentos de corda. Nele as bandas se inspiram hoje para homenagear seus parentes distantes. Monocromático – Da cor do bugio, literalmente. Monóculo – Usado por gorilas de cartola há 300.000 anos e 300.000 anos depois. Monocultura – A macaquice de quem insiste em plantar a mesma coisa numa área durante décadas, até extenuar a terra. Também se diz do sujeito que lê um único tipo de informação. Monofonia – Efeito do monocórdio em nossos ouvidos, antenados no passado. Monogamia – Sistema matrimonial baseado na união exclusiva entre um macho e uma fêmea primata. Com a evolução, surgiram variações sobre o tema. Monografia – Texto sobre um só assunto. Geralmente chatíssimo, e que parecem escritos por chimpanzés. Monograma – Bordadinho delicado, com as iniciais dos nossos remotos familiares. Monólogo – Ato do macaco falar com seus próprios botões. O homem moderno trocou os botões por uma platéia sonolenta ou interlocutores submissos. Monolúcido – Tipo de papel, especial para as mongrafias. Monomotor – Invenção do mais pesado que o ar, a partir das idéias de um ancestral de Santos Dumont. Resultou no monoplano, modelo mais bem acabado. Monopólio – Tática de dominação numa plantação de bananeiras, por exemplo. Atualmente vale tudo: os gorilas modernos controlam até o verbo monopolizar . Monossílabo – Palavra curta, base da língua dos primatas. Assimilada, pela facilidade oral, por gente ensimesmada ou por quem não quer sair do galho inferior. Monoteísmo – Adoração de um único Grande Macacão Lá do Céu. Idéia dos sagüis, que pegou. Monotipia – Sistema de composição para fazer as monografias. Também as obras plásticas simiescas de uma só cópia. Monotonia – Clima resultante das macaquices na programação televisiva. Monóxido – Gás que escapava do traseiro dos símios e, agora, do rabo dos automóveis. | ||||||||||||||||||||||||
AMBIGRAMATICES A edição de setembro do Nagfa Ambigram Challenge (NAC #2), um desafio Internacional de ambigramas a partir de Singapura, já ocorreu. Proposto por Naguib & Fadilah, um casal de talentosos ambigramistas, o tema desta vez era bandas, cantores e músicos . A frase do mês, Myths and Legends . Selecionei alguns autores para incentivar quem quiser participar do próximo, o NAC #3 . Para a edição de outubro, o tema é ótimo: mitos e lendas (de qualquer lugar). E a frase do mês, Magic Trick . O prazo é dia 22 . E o link para a galeria completa e participação no evento está aqui. | ||||||||||||||||||||||||
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