Estamos vivendo a maior revolução cultural e comportamental desde o surgimento da televisão. A internet deu voz a todos e o mundo mudou! Quem antes ficava trancado dentro de um quarto, falando para as paredes, hoje, fala para o planeta e isso é a liberdade em forma de comunicação.
Os veículos e empresas de mídia perderam o privilégio de determinar como devemos pensar, e ter poder econômico já não é mais o fator determinante para você se fazer ouvir. Os creators chegaram e, com eles, uma legião de fãs apaixonada por seus vídeos, textos e fotos.
Isso é bom ou ruim? Talvez seja cedo para podermos determinar, porém é real e precisa ser respeitado. Quem ainda acha que isso é uma modinha precisa olhar com mais cuidado para o seu filho e/ou sobrinho, vizinhos e amigos. Eles não querem mais nada enlatado, sem alma ou comercial, eles querem autenticidade, intensidade e uma boa overdose de conteúdo.
Os números de seguidores não param de crescer, todo o segmento da sociedade já tem seus influenciadores e eles podem ajudar a destruir um artista, construir uma marca ou até eleger um presidente.
Dentro deste cenário tão dinâmico, uma rede social se destaca, o YouTube, e seus semideuses da era web, os Youtubers. No Brasil, já existem mais de 150 canais que ultrapassaram a marca de 1 milhão de inscritos, e o maior deles, sozinho, tem mais que o dobro da audiência da cabo brasileira.
Nasceram pequenos, cresceram, transformaram-se em marcas, empresas e alguns em verdadeiras potências da comunicação. Mas como as marcas e o mercado se relacionam com isso?
Ao meu ver, de forma muito amadora ainda. A maioria das marcas não conseguiu entender que não são elas quem têm que determinar como devem ser citadas pelos Youtubers, mas, sim, respeitar a forma como eles se comunicam com a sua audiência e deixar que as encaixe nessa dinâmica.
Mas, se a forma que o creator fizer não for a que a marca espera? Bom, a marca deve conhecer o Youtuber, o estilo do seu conteúdo e, principalmente, seu público, antes de contratá-lo, até porque engajamento não tem a ver com números, mas com confiança.
E aí, surge um novo item a ser discutido: é preciso se entender que os números de audiência não são mais os únicos senhores a serem considerados no momento de determinar quem deve ser utilizado em uma campanha. Também deve-se levar em conta a forma que a comunicação é feita, por quem será desenvolvida e, principalmente, como ela será recebida.
Acima fiz uma brincadeira que Youtubers são como semideuses, mas para os seus fãs eles são até mais do que isso, são amigos íntimos e isso tem um potencial de venda incrível, pois quando um amigo íntimo te sugere um filme imperdível, afirma que a câmera do celular novo dele é o que tem de melhor para quem curte tirar fotos ou que passar as férias na Tailândia é inesquecível, tu não pensas que ele está te “vendendo” algo, mas, sim, que está te dando dicas de produtos a serem consumidos porque valem muito a pena.
A não ser que esse teu amigo seja um nerd fanático por games, daqueles que não sai de dentro do quarto, e queira te indicar um lugar maravilhoso para fazer alpinismo, ou algum esportista que não bebe e quer te indicar um vinho incrível para o próximo jantar romântico. Aí tu vais achar estranho demais e perceber que existe algo errado, independente de quantos amigos vocês tenham em comum.
Assim funciona também o mundo dos Youtubers. Seus seguidores conhecem suas preferências, gostos, manias e costumes. Acompanham cada ação da sua vida e vão acreditar em cada dica que eles derem, desde que isso tenha uma relação autêntica com os hábitos reais do creator. Então, não adianta as marcas pedirem para uma blogueira fitness vender o último Playstation aos seus milhões de seguidores, ou para o influencer que tem um canal de viagens falar sobre dieta intermitente, pois a vida também é muito real para quem vive no mundo digital.
Em compensação, quando a mágica acontece, e a marca correta dá match no Youtuber certo, o resultado pode ser incrível, independentemente do tamanho da marca e do Youtuber, pois, com certeza, os resultados aparecerão, o público se encantará e eles podem facilmente viver felizes para sempre.
Pensem nisso: fazer comunicação hoje não é simplesmente unir números com produtos, é, sim, unir verdade com gente real.
Fernando Pulhmann é sócio-diretor da Cuentos y Circo.

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