No ano passado, escrevi aqui um texto quase manifesto, um grito bem-humorado contra o etarismo e a favor da nossa capacidade de aprender, produzir e recomeçar. Mas hoje eu não quero gritar. Hoje eu quero falar de amor. Amor pelas histórias que carregamos, pelas marcas que nos atravessaram, pelas pessoas que ficaram e pelas que não ficaram. Porque existe uma verdade que só quem viveu algumas décadas entende: a memória pode ser peso… ou pode ser alavanca. E nós escolhemos fazer dela impulso.
Segundo o IBGE, a cada 21 segundos um brasileiro completa 50 anos. Isso não é apenas uma estatística. Isso é um movimento. É um país inteiro amadurecendo e, ao contrário do que muitos ainda pensam, não desacelerando, mas ganhando profundidade. Com o tempo, a gente não perde. A gente acumula. Acumula repertório, acumula cicatrizes, acumula histórias que não cabem mais em currículo, mas moldam cada decisão.
Já fomos muitas coisas. Já voltamos pra casa com o peso de um “não” quando mais precisávamos de um “sim”. E já fomos o colo de alguém que precisava mais do que nós. Já ligamos pra dar notícia boa, daquelas que fazem a voz tremer. E já desligamos o telefone em silêncio, tentando entender o que fazer depois. Já fomos fortes, já fomos frágeis, já fomos tudo ao mesmo tempo. E talvez seja justamente por isso que hoje temos algo raro: a capacidade de sentir… e de entender o sentimento do outro.
Em um mercado de comunicação que fala tanto de dados, métricas e performance, talvez o ativo mais subestimado seja justamente esse: humanidade. A geração 40+ não é apenas experiente. Ela é sensível. Ela entende timing, não só de mídia, mas de vida. Ela sabe quando insistir e quando mudar. Ela reconhece nuances que não estão em briefing nenhum. E talvez por isso sejamos tão “difíceis” até para a inteligência artificial, a quem podemos ¨enlouquecer¨, já que a gente pede um prompt técnico e, no minuto seguinte, pergunta sobre saúde, viagem, família, carreira, fé, propósito, tudo misturado e ao mesmo tempo. Porque a nossa lógica não é linear. Ela é humana. E é exatamente isso que nos torna perigosamente bons.
Somos mais de 80 milhões no Brasil. Mais de 80 milhões de pessoas que já choraram e sorriram o suficiente para entender que nenhuma campanha relevante nasce sem verdade. Mais de 80 milhões de pessoas que não querem parar. Querem continuar, criar, empreender e recomeçar quantas vezes for preciso.
No dia 13 de maio, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, esse movimento ganha palco novamente. A segunda edição do Summit Empreender 40+ não é apenas um evento. É um encontro de histórias. Serão 22 palestrantes. Entre eles, nomes como Dody Sirena e Nelson Sirotsky, dois gigantes que me inspiram profundamente, não apenas pelo que construíram, mas pela consistência, visão e trajetória que representam. Ter a oportunidade de dividir o palco com eles é, antes de tudo, um privilégio.
Mas, o palco do 40+ é plural e talvez a história que mais impacte você naquele dia venha de um dos outros 20 palestrantes incríveis e gigantes ou não venha de quem está com o microfone na mão, mas de quem vai estar sentado ao lado. Ou de alguém que para no corredor, começa a contar sua trajetória e, sem perceber, vai mudar a tua a rota.
A publicidade sempre viveu de boas histórias. De campanhas que emocionam, conectam e permanecem. E talvez esteja na hora de olharmos com mais atenção para um dos maiores “cases” que existem hoje no Brasil: uma geração inteira que transformou lembrança em aprendizado, queda em impulso e tempo em potência.
Porque, no fim das contas, não é sobre idade. É sobre o que a gente faz com tudo o que viveu. E nós ainda temos muita coisa pra fazer.
Fabinho Vargas é empresário, palestrante, escritor e comunicador.

