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O brasileiro faz do jeitinho uma estratégia de superação

O jeitinho brasileiro faz parte da cultura do país. Ele aparece quando as pessoas encontram soluções para problemas do dia a dia usando criatividade, amizade, conversa e improviso. Muitas vezes, o jeitinho surge quando as regras parecem difíceis demais ou quando os serviços não funcionam como deveriam.

De forma simples, dar um jeitinho é tentar resolver uma situação quando parece não existir saída. Em vez de desistir, a pessoa procura outro caminho. Isso pode acontecer para conseguir atendimento, resolver um problema burocrático ou enfrentar dificuldades da rotina.

Mas o jeitinho também tem um lado negativo. Em alguns casos, ele vira uma forma de passar na frente dos outros, quebrar regras ou conseguir vantagens injustas. Por isso, o jeitinho sempre gera discussão: ele pode ser visto tanto como criatividade quanto como desrespeito às regras.

Os estudos do IPO, Instituto Pesquisas de Opinião, mostram que muitas pessoas usam o jeitinho como uma forma de superar dificuldades causadas pela falta de funcionamento adequado dos serviços públicos. Isso aparece principalmente em áreas como saúde, educação e segurança.

Quando o sistema não atende bem a população, muita gente passa a depender de conhecidos, favores e improvisos para resolver problemas básicos. Aos poucos, esse comportamento vai sendo repetido e ensinado entre gerações, tornando-se parte da cultura brasileira.

Foram observados quatro fatores que ajudam a fortalecer o jeitinho brasileiro:

1. Criatividade diante da falta de recursos 

Quando faltam recursos ou oportunidades, muitas pessoas usam a criatividade para encontrar soluções simples para problemas difíceis. Quem tem mais contatos, mais facilidade de conversar ou mais coragem, costuma conseguir resolver situações com mais facilidade.

Um exemplo é quando moradores de um bairro se organizam para dividir transporte ou ajudar uns aos outros porque o serviço público não atende bem a região.

2. Capacidade de adaptação 

O brasileiro costuma se adaptar rapidamente às dificuldades. Quando surge um obstáculo, muitas pessoas tentam encontrar outro caminho em vez de desistir.

Isso acontece, por exemplo, quando uma nova regra dificulta uma atividade e logo aparecem formas alternativas de continuar fazendo algo parecido, sem quebrar exatamente a lei.

3. Flexibilidade nas relações sociais 

O jeitinho também aparece na maneira como as pessoas usam relações pessoais para resolver problemas. Muitas vezes, conhecer alguém ajuda a acelerar atendimentos ou facilitar processos.

Isso pode ser visto quando alguém procura um conhecido para conseguir ajuda em um serviço público ou para resolver uma burocracia mais rápido.

4. Cooperação e inovação prática 

Em muitos lugares, o jeitinho também pode gerar soluções coletivas e criativas. Comunidades que enfrentam dificuldades frequentemente se unem para criar alternativas locais.

Existem exemplos de moradores que organizam hortas comunitárias, grupos de troca de serviços ou ações coletivas para melhorar o bairro. Nesses casos, o jeitinho deixa de ser apenas improviso e passa a ser cooperação e organização social.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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