Cris Pàz aponta o que marcas ainda não entenderam sobre consumidores mais velhos

Escritora e comunicadora fala sobre redes sociais, economia prateada e o que muda no propósito depois dos 40 durante o Empreender 40+

"A gente é que vai educar o nosso algoritmo." Crédito: Coletiva.net

Cris Pàz, escritora, comunicadora e palestrante, não poupa as marcas quando o assunto é envelhecimento. Em entrevista ao Coletiva.net durante o Summit Empreender 40+, realizado no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, ela foi direta: empresas e profissionais de Marketing precisam, antes de qualquer estratégia, olhar para dentro. “Os CEOs das marcas, as pessoas do Marketing, muitas vezes têm que fazer psicanálise e olhar para essas questões de um jeito menos preconceituoso, tentando tirar seu próprio etarismo de dentro.”

Antes de chegar às marcas, Cris falou sobre o papel das redes sociais na percepção do envelhecimento, e reconheceu os dois lados. O positivo: uma geração crescente de influenciadoras que fala sobre envelhecimento a partir da própria experiência, trazendo um novo olhar para o tema. O negativo: o risco de se tornar refém de um algoritmo que reforça inseguranças ou empurra um modelo rígido de como envelhecer bem. “O envelhecimento virou um grande mercado. Quando olho para a minha própria vida, ela está muito escravizada de um jeito certo de envelhecer”, admitiu. Para ela, o filtro precisa ser interno. “A gente é que vai educar o nosso algoritmo.”

Ela também destacou que o etarismo não afeta a todos da mesma forma. “Quando existe o etarismo, ele é mais forte para as mulheres — e mais ainda para as mulheres negras.” No ambiente de trabalho, a questão estética segue sendo determinante, especialmente para as mulheres, o que torna o tema ainda mais urgente.

Economia prateada

Sobre o que empresas e marcas ainda não entenderam a respeito dos consumidores mais velhos, a chamada economia prateada, Cris foi precisa: o problema não é falta de informação, é a de disposição para encarar o tema. “As empresas não querem entender, ou têm uma grande dificuldade. Existe o viés inconsciente de que, se conversar com gente mais velha, vai parecer que a  marca envelheceu.” Para ela, quem demorar a trilhar esse caminho vai simplesmente perder a oportunidade de chegar primeiro. “A chegada nesse universo será inevitável.”

Para fechar, Cris falou sobre o que muda no propósito depois dos 40, e mais ainda depois dos 50. A palavra que escolheu foi curadoria. “A gente começa a entender que não vai dar para fazer tudo, não vai dar para ter todas as coisas. Então passa a fazer coisas que realmente fazem mais sentido.” Menos pressa, escolhas melhores e uma consciência mais clara do valor do tempo. “Você pode até ter menos pressa, porque aproveita melhor os momentos.”

A equipe do Coletiva.net esteve presente na segunda edição do Summit Empreender 40+. A cobertura contou com as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta, e a social media Anie Cristine Gabriel. Acompanhe o portal Coletiva.net, o Facebook, o Threads, o Instagram e a Coletiva.rádio.

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