
A corrida global pela inteligência artificial também foi tema de reflexão histórica no SXSW, em Austin, no último domingo, 15. Durante participação no festival, o jornalista Andrew Ross Sorkin, editor do The New York Times, traçou paralelos entre o entusiasmo atual em torno da tecnologia e o clima de especulação que antecedeu a crise de 1929.
Em conversa com o jornalista Joe Weisenthal, Sorkin afirmou que o momento atual apresenta elementos semelhantes aos da década de 1920, quando novas tecnologias alimentaram expectativas de crescimento ilimitado no mercado financeiro.
Um dos exemplos citados foi a comparação entre a ascensão da Nvidia, hoje uma das empresas mais valorizadas do setor de IA, e a trajetória da Radio Corporation of America (RCA) nos anos 1920. Na época, a companhia era vista como símbolo do futuro tecnológico, impulsionada pelo desenvolvimento da televisão.
Segundo Sorkin, assim como naquele período, o cenário atual também elevou executivos de tecnologia ao status de figuras públicas que prometem transformar a economia. Ele citou nomes como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI e da Tesla.
Apesar das semelhanças, o jornalista destacou diferenças importantes entre os dois períodos. Nos anos 1920, investidores operavam com altos níveis de alavancagem e muitas vezes compravam ações com recursos emprestados, o que agravou o impacto da queda da bolsa.
Outro contraste está na velocidade de circulação das informações. Enquanto, no início do século 20, investidores podiam esperar horas para receber atualizações sobre o mercado, hoje dados e oportunidades de investimento circulam instantaneamente pela internet.
Para Sorkin, a inteligência artificial representa uma “faca de dois gumes”. Ao mesmo tempo em que pode gerar uma bolha especulativa caso os investimentos não se convertam rapidamente em receitas, também tem potencial para provocar transformações profundas na economia por meio da automação.
O jornalista também destacou o papel da imprensa em momentos de euforia tecnológica. Segundo ele, cabe ao jornalismo alertar sobre riscos e possíveis distorções do mercado, ainda que esses alertas muitas vezes sejam ignorados por investidores e pelo público.
A discussão ocorreu durante a programação do SXSW 2026, festival que reúne líderes de tecnologia, mídia e inovação em Austin e tem dedicado boa parte de sua agenda às implicações econômicas e sociais da inteligência artificial.
O Coletiva.net está mais uma vez em Austin, nos Estados Unidos, para realizar a cobertura do South by Southwest (SXSW), dessa vez com a parceria da Global AD. O CEO e sócio da agência Vinícius Ghise escreve acompanhará os principais painéis, lançamentos e experiências do evento, trazendo análises sobre tendências, estratégias de Marketing e novos modelos de negócios discutidos no evento. Além das reportagens publicadas no portal, também haverá presença nas redes sociais do portal e da Global AD, com conteúdos em tempo real, bastidores, vídeos e insights in loco.


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