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A CPMF e a “Lula de batom”

Dilma Roussef está fazendo jus ao apelido com que a chamou depreciativamente “The Ecoomist”, a mais influente revista britânica de economia, que escreveu um …

Dilma Roussef está fazendo jus ao apelido com que a chamou depreciativamente “The Ecoomist”, a mais influente revista britânica de economia, que escreveu um editorial a favor de Serra. Dilma anunciou que a CPMF, extinta em 2007, deverá voltar. Com o nome de Contribuição Social Para a Saúde. Foi o que afirmou em sua primeira entrevista coletiva, na quarta-feira depois da eleição. Justificou estar sendo pressionada pelos governadores (13 entre 27, não revelou estes números).

Por que? Porque Lula quer. Não está admitindo a derrota de 2007 depois de ter sido incensado pela imprensa como líder da América Latina, competente administrador que elevou o PIB a 7%, chefe de estado mais popular do mundo. Quer rebobinar o filme, quando voltar da reunião do G20 (emergentes, países mais ricos e União Européia), nos dias 11 e 12, em Seul, para onde levará Dilma. As tratativas já começaram com a “pressão” dos governadores, mas a votação se dará somente com o novo Congresso, onde “a Lula de baton” tem maioria acachapante.

Disse a Folha de S.Paulo em editorial: “A principal fonte irradiadora de poder paralelo, no caso de Dilma, chama-se Lula. Ele sim, por tudo o que passou a representar, é capaz de eclipsar a presidente eleita”. Recomenda um progressivo afastamento, e um exílio em sua cobertura em São Bernardo do Campo.

Talvez os instintos bélicos de Lula – fracassados quando tentou manter a CPFM – sejam acirrados em uma reunião onde Estados Unidos e China sejam os gigantes vilões. O Tesouro dos Estados Unidos durante seis meses comprará US$ 600 bilhões em títulos para irrigar seu mercado. Seu mercado? Não, os dólares especulativos irão para outros países, valorizando suas moedas, prejudicando suas exportações e indústrias e criando desemprego. A China, com seu Yuan fixo, invade mercados e promete uma “muralha de fogo contra o capital especulativo”. Para quem construiu a Muralha da China, iniciada em 220 sob o imperador  Qim Shunal, não parece uma tarefa difícil.

O Imposto sobre o Cheque (IPFM) foi criado em 1993, com uma alíquota de 0,25% sobre as operações a débito. Em 1996, como resultado das discussões para o financiamento da saúde, foi criada a CPMF, para a saúde, com as mesmas características do IPMF. A alíquota foi reduzida para 0,20% para, em 2000, passar a 0,38%. Sua justificativa foi desvirtuada: parte para a saúde, previdência, fundo de erradicação da pobreza e outros. A CPFM ajudou a sustentar o superávit primário (receitas menos despesas do governo). Em 2006 o governo arrecadou R$ 32 bilhões, cerca de 60% do superávit primário. Compreende-se a frustração armazenada de Lula com sua extinção um ano depois, derrotado por 45 votos no Senado.

As entidades de classe já começaram a manifestar-se. Nota oficial da Fecomércio: “A retomada deste assunto é inaceitável em um momento de tantas transições políticas e econômicas no mundo todo e de dificuldades das empresas brasileiras voltadas à exportação”. A Fiesp acenou com a necessidade de uma reforma tributária, mas a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas prometeu retaliação: “Os varejistas não aceitarão o retorno da CPMF. Os governos devem repensar sobre este tributo. Vamos mobilizar nacionalmente o movimento lojista contra a volta da CPFM”.

Autor

Iara rech

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